{"id":3588,"date":"2025-02-10T17:56:28","date_gmt":"2025-02-10T20:56:28","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3588"},"modified":"2025-11-12T18:00:07","modified_gmt":"2025-11-12T21:00:07","slug":"um-crime-barbaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3588","title":{"rendered":"Um crime b\u00e1rbaro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">MAGRI, Ieda. <em>Um crime b\u00e1rbaro<\/em>. Belo Horizonte: Aut\u00eantica Contempor\u00e2nea, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Valeria Rosito Ferreira<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Rosangela Meger<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-1 wp-block-paragraph\">Quem se interessa por enredos cativantes, sobretudo os tramados na contemporaneidade ou p\u00f3s-modernidade, encontra no <a>premiado <em>Um<\/em><\/a><em> crime b\u00e1rbaro<\/em> \u2013 mais recente romance de Ieda Magri (\u00c1guas Frias, SC, 1977) \u2013 uma reflex\u00e3o sobre os tempos atuais, na crueza de suas brutalidades e nos limites fr\u00e1geis entre os fatos da imagina\u00e7\u00e3o e os fatos fora dela. Estabelecida no Rio de Janeiro (RJ) desde pelo menos 2006, Magri ostenta tr\u00eas outros t\u00edtulos ficcionais no decurso do primeiro quartel do s\u00e9culo XXI, dois dos quais tamb\u00e9m laureados: <em>Tinha uma coisa aqui<\/em> (7Letras, 2007), <em>Olhos de bicho<\/em> (Rocco, 2013) e <em>Uma exposi\u00e7\u00e3o<\/em> (Relic\u00e1rio, 2021). No entanto, em entrevista a <em>Carta Capital<\/em>, a romancista declara que sua produ\u00e7\u00e3o pregressa a <em>Um crime b\u00e1rbaro<\/em> lhe tenha sido instrumental para \u201cadiar\u201d o amadurecimento est\u00e9tico e \u00e9tico de uma mem\u00f3ria persistente de sua mais tenra inf\u00e2ncia. Mas quais os detalhes factuais dessa mem\u00f3ria transposta para o romance? O assassinato sem culpados identificados de uma vizinha de 13 anos, violada e mutilada brutalmente em seu retorno para casa da escola, em 21 de agosto de 1981. E qual a solu\u00e7\u00e3o encontrada para a elabora\u00e7\u00e3o dessa mem\u00f3ria? A escrita do romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os leitores e as leitoras de <em>Um crime b\u00e1rbaro<\/em> tomam conhecimento dessa urg\u00eancia inadi\u00e1vel de narrar por meio de uma narradora (a personagem que conta a hist\u00f3ria no romance), solu\u00e7\u00e3o criativa da autora. Ambas \u2013 narradora e autora \u2013 s\u00e3o movidas pela tens\u00e3o entre seus princ\u00edpios \u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o aos(\u00e0s) afetados(as) pela trag\u00e9dia e o imperativo de reagir \u00e0 banaliza\u00e7\u00e3o dos feminic\u00eddios. Ambas se colam e descolam entre si em movimento recorrente no interior do romance. Como costuma acontecer na autofic\u00e7\u00e3o, uma face do romance contempor\u00e2neo ou p\u00f3s-moderno, a oposi\u00e7\u00e3o entre fato e fic\u00e7\u00e3o torna-se t\u00eanue ou mesmo irrelevante para a provoca\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio leitor, uma vez que, nesse g\u00eanero romanesco, fato e fic\u00e7\u00e3o partilham da media\u00e7\u00e3o inalien\u00e1vel da palavra, da narrativa, de discursos. Mais especificamente, o conflito central apresentado pela narradora logo na abertura desse romance se coloca na quest\u00e3o de como contar o indiz\u00edvel e de como escrever o romance, princ\u00edpio ativo da dic\u00e7\u00e3o e das formas contempor\u00e2neas de endere\u00e7ar o real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Destaque seja dado, por isso mesmo, \u00e0 hesita\u00e7\u00e3o inicial da narradora na escolha entre a terceira pessoa (ela) e a primeira pessoa (eu) na narrativa. Depois de quatro d\u00e9cadas do crime, a rememora\u00e7\u00e3o da narradora aos seus quatro anos de idade, quando era Maria Tommasino (a prop\u00f3sito, sobrenome da linha materna da autora Ieda Magri), inicia-se em terceira pessoa no pr\u00f3logo: \u201cMaria Tommasino n\u00e3o p\u00f4de esquecer as palavras de sua m\u00e3e, ditas em voz muito baixa ao seu pai, dentro do carro, numa manh\u00e3 de s\u00e1bado, depois de ver um policial brandir um fac\u00e3o sujo de sangue\u201d. Sua perspectiva passa \u00e0 de primeira pessoa na abertura da primeira parte do romance: \u201cSeria melhor dizer que quando ainda era uma crian\u00e7a, estive numa cena de crime com meus pais. Na minha lembran\u00e7a, passamos por ela por acaso, quando \u00edamos visitar nossos av\u00f3s, os pais da minha m\u00e3e, os Tommasino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A prem\u00eancia de contar uma hist\u00f3ria interditada, em que os principais suspeitos do crime s\u00e3o prontamente postos em liberdade por falta de provas \u2013 entre eles, Silvio Tommasino \u2013, transfigura o ato de narrar como experi\u00eancia de autoconstitui\u00e7\u00e3o e autocria\u00e7\u00e3o. Para tal fim, a narradora admite ter abandonado o conveniente conforto da terceira pessoa em favor da ado\u00e7\u00e3o da primeira pessoa, aquela \u201cmais f\u00e1cil e at\u00e9 mesmo mais cr\u00edvel\u201d, al\u00e9m de menos assustadora; esta, ao contr\u00e1rio, mais desafiadora para enfrentar \u201cnovos medos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antecede o pr\u00f3logo de <em>Um crime b\u00e1rbaro<\/em> uma ep\u00edgrafe-cita\u00e7\u00e3o do romance <em>Formas de voltar para casa<\/em>, do chileno Alejandro Zambra, senha para o cora\u00e7\u00e3o do romance: \u201cSabia pouco, mas pelo menos sabia isto: que ningu\u00e9m fala pelos outros. Que, mesmo que queiramos contar hist\u00f3rias alheias, terminamos sempre contando nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria\u201d. Para investigar o crime, tanto a autora quanto a narradora retornam \u00e0s suas casas, numa cidadezinha no espa\u00e7o rural ao sul do Brasil. Reencenam, portanto, a volta da escola \u00e0 casa pela personagem adolescente Soeli Volcato, percurso interrompido no romance por seu assassinato, o fio condutor da obra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio de um t\u00edpico romance policial, no entanto, a investiga\u00e7\u00e3o do crime \u2013 ao longo da qual a hist\u00f3ria \u00e9 contada \u2013 n\u00e3o se reduz a m\u00e9todos indutivos detetivescos que culminam na revela\u00e7\u00e3o de um culpado. Trata-se apenas de um mote, leg\u00edtimo e atraente, sem d\u00favida, mas que cede lugar a uma experi\u00eancia maior, que vai aflorando no desenrolar da leitura. Germina\u00e7\u00e3o e nascimento dessa narradora concorrem em relev\u00e2ncia com o pr\u00f3prio mist\u00e9rio por ela narrado e nutrido: \u201cMas de repente tudo mudou. Foi o mundo que mudou, e fui eu. Voltamos v\u00e1rias casinhas, e o elogio da fic\u00e7\u00e3o ficou banalizado diante da mentira pura e fria que se faz firmar como verdade\u201d. Rebaixamento da fic\u00e7\u00e3o, elogio a seu antecessor Zambra (\u201co resto \u00e9 literatura\u201d), ou desabafo sobre a imposi\u00e7\u00e3o do indiz\u00edvel ante a insufici\u00eancia de quaisquer discursos, inclusive o ficcional?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa progride na medida em que a trama se imbrica com a linguagem, que lhe d\u00e1 forma. O desvendamento do crime, comprometido por sua insolubilidade, mote para a experi\u00eancia maior, como j\u00e1 sugerido, traz \u00e0 tona interdi\u00e7\u00f5es e ambival\u00eancias de outras mem\u00f3rias da narradora, envolvendo os mais pr\u00f3ximos membros de sua fam\u00edlia. Um bom momento para se trazer a formula\u00e7\u00e3o de Freud (1919) sobre o in\/familiar, o que \u00e9 ao mesmo tempo desconhecido e conhecido. Eis a narradora nessa volta a si mesma e \u00e0 sua fam\u00edlia, inclusive a um dos dois prov\u00e1veis assassinos, um parente Tommasino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cindida entre a fam\u00edlia da m\u00e3e (\u201cfalavam coisas proibidas\u201d, os Tommasino) e a fam\u00edlia do pai (\u201ct\u00ednhamos certo decoro\u201d, os Magri), a narradora oscila na recorda\u00e7\u00e3o do av\u00f4 materno, ora \u201co coronel que havia mandado matar uma menininha porque ela n\u00e3o tinha se comportado bem\u201d, ora \u201cs\u00f3 um velhinho que falava o que bem entendesse\u201d. Ela tamb\u00e9m atravessa <em>flashes<\/em> dos tios maternos inconvenientes, bolinando suas coxas com os dedos dos p\u00e9s. O in\/familiar aponta tamb\u00e9m para a estigmatiza\u00e7\u00e3o do que vem de fora do dom\u00e9stico, como Luiz God\u00f3i, o segundo suspeito, cuja fam\u00edlia de \u201cpe\u00f5es\u201d chega \u00e0 cidade com e para a \u201cconstru\u00e7\u00e3o da estrada\u201d, e cujos membros, sempre olhados com desconfian\u00e7a, nunca foram legitimamente integrados \u00e0 comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Resta ainda a men\u00e7\u00e3o ao trabalho est\u00e9tico cuidadoso de retrata\u00e7\u00e3o do lugar do feminino, presente tamb\u00e9m nas personagens secund\u00e1rias. Exemplos disso incluem a astr\u00f3loga figurada no pr\u00f3logo, que recomenda \u00e0 sua consulente-narradora aproximar-se do lado materno de sua fam\u00edlia \u2013 o lado \u201cselvagem\u201d; a curandeira Gemma Baldini, que, embora com Alzheimer durante a investiga\u00e7\u00e3o, \u00e9 surpreendentemente capaz de comunicar o horror despertado pela vis\u00e3o do corpo da menina Soeli Volcato no dia do crime; Regina, a m\u00e3e da v\u00edtima, cujo pressentimento do trauma \u00e9 minuciosamente narrado, quando, perplexa, observava o sangramento cont\u00ednuo dos bifes em fritura; e a professora Alice, que acompanha a narradora at\u00e9 o suspeito God\u00f3i, em busca de poss\u00edveis revela\u00e7\u00f5es. Por fim, a tia da narradora, uma jovem ent\u00e3o, temerosa de sorte parecida com a da menina vitimada quando seu pai (av\u00f4 da narradora) a abandona sozinha no ermo da planta\u00e7\u00e3o, no momento da descoberta do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Guardi\u00e3s da mem\u00f3ria e executoras da \u00fanica vingan\u00e7a plena para os crimes b\u00e1rbaros imemoriais, as figuras femininas se entrela\u00e7am na complexidade da mem\u00f3ria: \u201cuma for\u00e7a antiga que vem das vozes de m\u00e3es e av\u00f3s j\u00e1 desfeitas em p\u00f3. No tempo que vivi ali, lutei com essas vozes sem compreend\u00ea-las. S\u00f3 agora, mais velha, posso ver atrav\u00e9s da minha m\u00e3e as m\u00e3es passadas. A voz da regra e da norma e do bom comportamento\u201d. Entre as abundantes refer\u00eancias a autores, livros, estilos e formas de narrar, que se incorporam \u00e0 experi\u00eancia poss\u00edvel na tarefa da fic\u00e7\u00e3o na contemporaneidade\/p\u00f3s-modernidade, a refer\u00eancia a Virginia Woolf n\u00e3o pode faltar no romance: \u201ca mulher relembra atrav\u00e9s da m\u00e3e\u201d. No ep\u00edlogo, domina a cena a escritora argentina Selva Almada, tendo ressaltada sua pesquisa em arquivos e trabalhos de campo sobre crimes seriais contra mulheres no processo de redemocratiza\u00e7\u00e3o do seu pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por \u00faltimo, mas nem por isso menos importante, sublinhe-se a justaposi\u00e7\u00e3o entre o crime do romance, desde seu t\u00edtulo, e os crimes b\u00e1rbaros perpetrados pelos estados ditatoriais no Cone Sul, inclu\u00eddos a\u00ed o brasileiro, o chileno e o argentino. N\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancias diretas ao macrocontexto no romance da brasileira Magri. No entanto, ao se apropriar das vozes do chileno Zambra, no pr\u00f3logo, e da argentina Almada, no ep\u00edlogo, a autora afirma rela\u00e7\u00f5es de pertencimento outras que aquelas desenhadas pelos estados nacionais e mitiga em sororidade e fraternidade a dor das Am\u00e9ricas. O ano do crime b\u00e1rbaro romanceado, 1981, foi tamb\u00e9m parte de um tri\u00eanio em que os(as) exilados(as) pol\u00edticos(as) chegavam de volta a uma casa, lugar de volta somente se narrado, nesse \u201clado \u00e9pico da verdade\u201d, como diria Benjamin. Quarenta anos depois, a literatura n\u00e3o s\u00f3 exuma os corpos trucidados, mas verte l\u00e1grimas para o luto ainda incompleto nos dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ALMADA, Selva (2018). <em>Garotas mortas<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Sergio Molina. S\u00e3o Paulo: Todavia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BENJAMIN, Walter (1993). O narrador. In: BENJAMIN, Walter. <em>Obras escolhidas I<\/em>: magia e t\u00e9cnica, arte e pol\u00edtica. Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Paulo Rouanet. 5. ed. S\u00e3o Paulo: Brasiliense. p. 197-221.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FREUD, Sigmund (2019). <em>Das Unheimlich\/O Estranho\/O infamiliar<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Ernani Chaves e Pedro Heliodoro Tavares. Belo Horizonte: Aut\u00eantica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MAGRI, Ieda (2024). Entrelinhas entrevistas 09 [Entrevista concedida a] Rafael Silva. <em>Youtube<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yd-bzPDXepM\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yd-bzPDXepM<\/a>. Acesso em: 16 jul. 2024<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ZAMBRA, Alejandro (2014). <em>Formas de voltar para casa<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Geraldo Couto. S\u00e3o Paulo: Cosac Naify.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3594.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3594\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Autentica-contemporanea2022.webp\" data-caption-title=\"Aut\u00eantica contempor\u00e2nea, 2022\" data-attachment-id=\"3595\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Aut\u00eantica contempor\u00e2nea, 2022\" width=\"250\" height=\"384\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Autentica-contemporanea2022\/3383466809.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22384%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20384%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Aut\u00eantica contempor\u00e2nea, 2022<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MAGRI, Ieda. 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