{"id":3517,"date":"2025-02-07T16:56:50","date_gmt":"2025-02-07T19:56:50","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3517"},"modified":"2025-11-12T18:02:44","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:44","slug":"o-viajante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3517","title":{"rendered":"O viajante"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">CARDOSO, L\u00facio. <em>O viajante. <\/em>Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 1973.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Carmen de Jesus Garcia<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: <em>Catalina Chervin<\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00facio Cardoso, ou melhor, Joaquim L\u00facio Cardoso Filho (Curvelo, MG, 1912 \u2013 Rio de Janeiro, RJ, 1968), foi escritor e artista m\u00faltiplo, com presen\u00e7a em v\u00e1rios campos das artes. Sua obra liter\u00e1ria inclui 16 romances e novelas, dois livros de poesia, cerca de quatro centenas de contos, pe\u00e7as de teatro, tradu\u00e7\u00f5es de romances e a elabora\u00e7\u00e3o de di\u00e1rios. Al\u00e9m de ter v\u00e1rias hist\u00f3rias adaptadas para o cinema, escreveu argumentos e foi coprodutor e diretor de filmes. Deixou, ainda, um legado de cerca de quinhentas telas de pintura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua carreira liter\u00e1ria iniciou-se em 1934, e seus dois primeiros romances, <em>Maleita<\/em> (1934) e <em>Salgueiro<\/em> (1935), integram a vertente regionalista que marcou a literatura brasileira dessa d\u00e9cada. Por\u00e9m, em 1938, o autor afastou-se dessa vertente com a publica\u00e7\u00e3o de <em>A luz no subsolo<\/em>, romance introspectivo, de cunho psicol\u00f3gico, que passaria a ser a marca de Cardoso a partir de ent\u00e3o. Em 1959, publicou o consagrado romance <em>Cr\u00f4nica da casa assassinada<\/em>, considerado sua obra-prima. Pelo conjunto de sua obra, Cardoso foi agraciado com o Pr\u00eamio Machado de Assis, em 1966, pela Academia Brasileira de Letras. Suas publica\u00e7\u00f5es se estenderam ap\u00f3s sua morte prematura, em 1968.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentre as obras p\u00f3stumas de L\u00facio Cardoso, destaca-se <em>O viajante<\/em> (1973). O autor dedicou mais de dez anos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o desse romance, discutindo-o com amigos e mencionando-o em seus di\u00e1rios. A escrita teria come\u00e7ado concomitantemente ao preparo de <em>Cr\u00f4nica da casa assassinada<\/em>, cuja elabora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se estendeu por muitos anos. <em>O viajante<\/em> permaneceu incompleto quando, em 1962, Cardoso sofreu um acidente vascular cerebral que o deixou impossibilitado de escrever e com severas dificuldades para falar. O autor faleceu antes de concluir o romance, e foram sua irm\u00e3 e o amigo Oct\u00e1vio de Faria que encaminharam a obra para publica\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ada em 1971.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cardoso fez tr\u00eas planos para <em>O viajante<\/em>. A edi\u00e7\u00e3o publicada corresponde \u00e0 vers\u00e3o III na \u00edntegra, com 13 cap\u00edtulos, 22 personagens e 207 p\u00e1ginas. Nessa edi\u00e7\u00e3o, constam ainda algumas p\u00e1ginas de outra vers\u00e3o, denominada \u201cvers\u00e3o definitiva\u201d, que inclui tr\u00eas cap\u00edtulos inacabados e um pequeno texto intitulado &#8220;O retrato do viajante&#8221;. Esta resenha baseia-se exclusivamente na vers\u00e3o III, sem os complementos mencionados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance retrata a vida sem esperan\u00e7a dos moradores da fict\u00edcia cidade interiorana de Vila Velha, a mesma de <em>Cr\u00f4nica da casa assassinada<\/em>. A obra exp\u00f5e os conflitos existenciais dessas personagens e o impacto provocado pela breve passagem de um caixeiro-viajante. N\u00e3o h\u00e1 um protagonista \u00fanico; destacam-se aqueles cujas vidas s\u00e3o alteradas pelo contato com o viajante: Donana de Lara, Sinh\u00e1, Juca do Vale, Bento Mendes e Graciosa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caixeiro-viajante \u00e9 Rafael, nome de anjo, a quem Cardoso, em seus di\u00e1rios, comparou a um cometa: aquele que passa ligeiro. Contudo, assim como \u00e9 terminal o destino de um cometa, essa breve passagem ser\u00e1 tr\u00e1gica na trajet\u00f3ria dos personagens de <em>O viajante<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Donana de Lara \u00e9 apresentada, no in\u00edcio do romance, ao retornar para casa ap\u00f3s uma sa\u00edda com o filho cadeirante at\u00e9 a colina pr\u00f3xima. Retorna sozinha, sob a escurid\u00e3o da noite e de si mesma. No texto de Cardoso, ela volta \u201csob a escurid\u00e3o da aus\u00eancia de claridade de um mundo desfeito\u201d, o que o faz definir Donana como uma \u201ccomposi\u00e7\u00e3o do nada\u201d. Vi\u00fava, ela vivia com o filho Zeca, sendo a \u00fanica personagem abastada de recursos; inclusive, \u201cmora no sobrado mais alto da cidade\u201d. \u00c9 descrita como \u201cdotada de beleza discreta e ardente\u201d e, ao longo dos seus 50 anos, uma \u201cpessoa sem inf\u00e2ncia, formada de aus\u00eancias\u201d. A narrativa envolve o leitor na vida de Donana e dos demais personagens por meio de suas hist\u00f3rias e, sobretudo, pela profundidade e beleza est\u00e9tica da narra\u00e7\u00e3o do autor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sinh\u00e1 e Juca do Vale t\u00eam suas vidas consumidas pelo envolvimento de Sinh\u00e1 com Rafael. Ela vem da ro\u00e7a, \u201c\u00e9 feia, tem m\u00e3os rudes, e \u00e9 sem gra\u00e7a\u201d, como \u00e9 descrita ao chegar \u00e0 casa dos padrinhos, em que vai prestar servi\u00e7os. Os \u201cparentes que n\u00e3o lhe tinham amor e para quem era uma estranha\u201d s\u00e3o Juca do Vale, o fazedor de caix\u00f5es, e sua mulher, Isaura, doente por insatisfa\u00e7\u00f5es e desejos embotados. Sinh\u00e1, \u201cestr\u00e1bica e um tanto estranha de modos\u201d, mas nos seus 19 anos, despertar\u00e1 o interesse passageiro de Rafael e o interesse obsessivo de Juca do Vale. O instinto animal de Juca a far\u00e1 prometer nunca se entregar a um homem, promessa que n\u00e3o conseguir\u00e1 cumprir e que trar\u00e1 graves consequ\u00eancias para os dois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros personagens deveriam ter mais proje\u00e7\u00e3o em suas tramas, comparativamente \u00e0s hist\u00f3rias de Donana e de Sinh\u00e1, por\u00e9m ficaram com suas narrativas interrompidas, transparecendo que suas presen\u00e7as teriam um desenrolar maior e um desfecho mais trabalhado. Esse \u00e9 o caso de Bento Mendes, tabeli\u00e3o aposentado, sacrist\u00e3o da igreja local, respons\u00e1vel pela coleta e guarda dos muitos trocados doados pelos fi\u00e9is. Bento \u00e9 casado com Dona Delfina, \u201ca que definhava ao abandono\u201d, e \u00e9 na casa deles que Rafael se apresenta. Incentivado por esse \u201ccometa que veio de Ub\u00e1\u201d, Bento se envolver\u00e1 com Graciosa, a prostituta que deseja o homem de sua irm\u00e3, mas que ser\u00e1 amante de Bento, interessada no dinheiro das doa\u00e7\u00f5es para tentar conquistar o cunhado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E o caixeiro-viajante segue com seu roteiro de vida. Se, como diz Cardoso, \u201cum caixeiro-viajante sempre encontra uma Donana de Lara nas cidades por onde passa\u201d, tamb\u00e9m se pode acrescentar que caixeiros-viajantes sempre encontram uma Sinh\u00e1 e um Bento Mendes. Suas vidas sem esperan\u00e7a s\u00e3o marcadas pelo efeito da solid\u00e3o, da priva\u00e7\u00e3o de luxos, da luta permanente pela sobreviv\u00eancia, de dias de rotina e obriga\u00e7\u00f5es sem fim. E, principalmente, pelo efeito disso sobre a pot\u00eancia de cada um para a realiza\u00e7\u00e3o de seus desejos, sobre a capacidade de ir contra as injun\u00e7\u00f5es da vida. \u00c9 o esmagamento dessa pot\u00eancia e dessa capacidade de se indignar e reagir que caracteriza os personagens, subjugados \u00e0s conting\u00eancias do cotidiano, e que o surgimento de Rafael vai despertar, revolver e levar a mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que se espera da vi\u00fava Donana, m\u00e3e do cadeirante, \u00e9 o cuidado abnegado do filho doente, mas ela quer ser feliz e viver sem ter que esconder o filho por vergonha, o que n\u00e3o consegue. Praticamente se espera pouco da mocinha roceira. Filha de pais pobres, a necessidade a obriga a prestar servi\u00e7os na casa de parentes, onde se defronta com o ass\u00e9dio de um fazedor de caix\u00f5es frustrado, que a coisifica. Quanto a Juca do Vale, ele mesmo n\u00e3o espera nada de si, a n\u00e3o ser a morte dos outros. E Bento, o guardi\u00e3o do dinheiro, ali t\u00e3o perto de suas m\u00e3os, pensa em utiliz\u00e1-lo para viabilizar a realiza\u00e7\u00e3o de seus desejos. Por\u00e9m, Rafael lhe avisa que \u201cGraciosa sabe o que quer\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0 forma narrativa, <em>O viajante<\/em> se desenvolve a partir de uma estrutura fragmentada e sem ordem cronol\u00f3gica de apresenta\u00e7\u00e3o dos acontecimentos. Um mesmo cap\u00edtulo, dos 13 que comp\u00f5em a obra, \u00e9 formado por in\u00fameras partes que discorrem sobre os personagens da trama em cenas alternadas ou em partes que n\u00e3o se referem necessariamente a eles, mas a algo relatado que foi lembrado. Cada cap\u00edtulo cont\u00e9m v\u00e1rios cortes narrativos, como num filme. Beatriz Damasceno (2012) reafirma que Cardoso \u201coferece ao leitor, em primeiro lugar, o efeito, depois a causa das situa\u00e7\u00f5es, de modo que as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o apresentadas sem que correspondam \u00e0 causa-consequ\u00eancia\u201d. Como exemplo, destaca que \u201co cap\u00edtulo primeiro se passa depois do epis\u00f3dio quarto\u201d: o cap\u00edtulo primeiro se refere a Donana, ao retornar da colina, motivada por eventos que s\u00f3 ser\u00e3o mostrados bem adiante, no quarto cap\u00edtulo, em que se narra seu envolvimento com Rafael.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Damasceno cita, ademais, que \u201co acontecimento do cap\u00edtulo 12 se passa antes do que se registra no 11\u201d, porque no cap\u00edtulo 12 transcorre a rela\u00e7\u00e3o de Sinh\u00e1 e Rafael, sem romantismo, talvez \u00e0 for\u00e7a, mas antes disso narrou-se o desfecho de Sinh\u00e1. Uma sequ\u00eancia fragmentada que incita a leitura do que est\u00e1 \u00e0 frente, ou a volta para reler, buscando sua unidade, suas interliga\u00e7\u00f5es ou a descoberta de sua incompletude.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lamego (2013) e Santos (2018) mostraram que a trama de alguns personagens principais de <em>O viajante<\/em> tem sua g\u00eanese e seus atos hediondos retirados dos contos de crimes e mortes que Cardoso escreveu para o jornal <em>A Noite<\/em>. Contratado para fazer frente \u00e0 concorr\u00eancia da coluna \u201cA vida como ela \u00e9\u201d, de Nelson Rodrigues, Cardoso escreveu na coluna \u201cO crime do dia\u201d, entre 1952 e 1953, cerca de 265 narrativas ficcionais a partir de not\u00edcias sobre crimes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 forte o apego de Cardoso \u00e0 descri\u00e7\u00e3o dos ambientes em que se desenvolvem as hist\u00f3rias, retratando tanto a pasmaceira usual da cidade quanto o ru\u00eddo cadenciado dos martelos sobre as ripas de madeira das barracas na constru\u00e7\u00e3o para a festa da padroeira. Esmera-se, ademais, no relato das cores, em especial no exacerbado uso do vermelho das trag\u00e9dias, nos cheiros das localidades, na descri\u00e7\u00e3o dos soturnos ambientes dom\u00e9sticos, com seu mobili\u00e1rio e quadros imersos no ar abafado de espa\u00e7os estreitos. O autor constr\u00f3i imagens, e os muitos detalhes se alinham aos sentimentos dos personagens, tornando as descri\u00e7\u00f5es complementos indispens\u00e1veis das hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance foi adaptado e roteirizado para o cinema por Paulo Cesar Saraceni. Lan\u00e7ado em 1999, rodado em Ub\u00e1, Minas Gerais, tendo no elenco Mar\u00edlia P\u00eara como Donana de Lara, Leandra Leal como Sinh\u00e1 e a participa\u00e7\u00e3o de outros grandes artistas. Tom Jobim comp\u00f4s uma m\u00fasica especialmente para a trilha sonora dessa obra, que est\u00e1 classificada dentre os cem melhores filmes brasileiros de todos os tempos pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cr\u00edticos de Cinema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se pode negar que o romance tem ritmo forte que dinamiza sua leitura. O leitor \u00e9 levado, desde o in\u00edcio, a conhecer a maestria do autor e a experimentar a sensa\u00e7\u00e3o de estar diante de uma obra liter\u00e1ria que, apesar de inacabada, tem seu lugar reservado na hist\u00f3ria da literatura brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DAMASCENO, Beatriz dos Santos (2012). <em>L\u00facio Cardoso em corpo e escrita<\/em>. Rio de Janeiro: EdUERJ.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LAMEGO, Val\u00e9ria Fernandes (2013). <em>O conto e a vida liter\u00e1ria de L\u00facio Cardoso <\/em>\u2013 <em>1930-1950<\/em>. Tese (Doutorado em Letras\/Literatura, Cultura e Contemporaneidade) \u2013 Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O VIAJANTE (1999). Dire\u00e7\u00e3o: Paulo C\u00e9sar Saraceni. Produ\u00e7\u00e3o: Ana Maria Nascimento e Silva. [<em>S.l.<\/em>]<em>:<\/em> Shater Produ\u00e7\u00f5es Art\u00edsticas; Riofilme. 1 bobina cinematogr\u00e1fica (104min), son., color., 35 mm.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SANTOS, Cassia dos (2018). L\u00facio Cardoso e a coluna \u201cO crime do dia\u201d. <em>Manuscr\u00edtica, <\/em>S\u00e3o Paulo, n. 36, p. 137-153. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/manuscritica\/article\/view\/177898\"> https:\/\/www.revistas.usp.br\/manuscritica\/article\/view\/17789<\/a>. Acesso em: 28 mai. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3561.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3561\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Jose-Olympio-1973.webp\" data-caption-title=\"Jos\u00e9 Olympio, 1973\" data-attachment-id=\"3562\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Jos\u00e9 Olympio, 1973\" width=\"250\" height=\"363\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Jose-Olympio-1973\/4170637590.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22363%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20363%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Jos\u00e9 Olympio, 1973<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARDOSO, L\u00facio. 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