{"id":3515,"date":"2025-02-07T14:48:55","date_gmt":"2025-02-07T17:48:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3515"},"modified":"2026-07-16T12:54:17","modified_gmt":"2026-07-16T15:54:17","slug":"o-som-do-rugido-da-onca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3515","title":{"rendered":"O som do rugido da on\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">VERUNSCHK, Micheliny. <em>O som do rugido da on\u00e7a<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Amelie Puglia<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Guilherme Franzoni<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O som do rugido da on\u00e7a<\/em> irrompe na literatura brasileira contempor\u00e2nea em 2021. Micheliny Verunschk (Recife, PE, 1972), poeta e escritora, viveu a maior parte da juventude em Arcoverde, cidade do cora\u00e7\u00e3o, conforme ela mesma declara. Define-se como historiadora de forma\u00e7\u00e3o, e foi justamente essa marca hist\u00f3rica que despertou nela a inten\u00e7\u00e3o de escrever esse romance. Em diversas entrevistas que se seguiram ao lan\u00e7amento do livro, Verunschk falou com emo\u00e7\u00e3o sobre as origens da obra: em 2016, visitou a exposi\u00e7\u00e3o permanente da Cole\u00e7\u00e3o Brasiliana Ita\u00fa, no Instituto Ita\u00fa Cultural. Ao ver as litogravuras de duas crian\u00e7as ind\u00edgenas \u2014 uma menina do povo Miranha e um menino do povo Juri \u2014, sentiu um forte choque e a necessidade imediata de contar a hist\u00f3ria deles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um segundo momento, buscou mais informa\u00e7\u00f5es sobre as crian\u00e7as: elas foram capturadas no s\u00e9culo XIX por dois cientistas, Martius e Spix, durante uma expedi\u00e7\u00e3o no Brasil. Os estudiosos levaram consigo para a Europa \u201cdescobertas\u201d de v\u00e1rias esp\u00e9cies: animais, plantas e, tragicamente, humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No podcast <em>Mat\u00e9ria Bruta<\/em>, do Canal Curta (2023), a autora conta que logo percebeu a inadequa\u00e7\u00e3o de construir um romance hist\u00f3rico para representar a hist\u00f3ria das crian\u00e7as ind\u00edgenas sequestradas. Em primeiro lugar, por uma quest\u00e3o meramente pr\u00e1tica: a documenta\u00e7\u00e3o oficial dispon\u00edvel n\u00e3o \u00e9 suficiente para reconstruir a trajet\u00f3ria das duas crian\u00e7as. Em segundo, por uma raz\u00e3o \u00e9tica e moral: a hist\u00f3ria \u201coficial\u201d \u00e9 sempre contada pelo lado dos vencedores, e esse n\u00e3o \u00e9 o objetivo de Verunschk. A inten\u00e7\u00e3o da obra surge como uma narrativa sobre a supera\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia colonial, que persiste no DNA brasileiro como uma doen\u00e7a. O livro inscreve-se tamb\u00e9m como uma pr\u00e1tica de responsabilidade \u00e9tica diante desse passado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de <em>O som do rugido da on\u00e7a<\/em>, Micheliny Verunschk publicou os livros de poemas <em>Geografia \u00edntima do deserto<\/em> (Landy, 2003), <em>O observador e o nada<\/em> (Edi\u00e7\u00f5es Baga\u00e7o, 2003) e <em>A cartografia da noite<\/em> (Lumme, 2010), al\u00e9m do romance <em>Nossa Teresa<\/em> (Patu\u00e1, 2014) e da <em>Trilogia infernal<\/em> (Patu\u00e1, 2020), ambientada durante a ditadura militar brasileira. Seu quinto romance, <em>O som do rugido da on\u00e7a<\/em>, conquistou os pr\u00eamios Jabuti e Oceanos em 2022, em um momento pol\u00edtico e social marcado pela ascens\u00e3o da literatura ind\u00edgena, que busca reocupar as terras da literatura brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse per\u00edodo coincide com a amplifica\u00e7\u00e3o das vozes ind\u00edgenas no campo art\u00edstico e liter\u00e1rio, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao etnogenoc\u00eddio e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o ambiental \u2013 lutas que ganharam for\u00e7a a partir dos anos 1980 com o Movimento Ind\u00edgena. Nesse cen\u00e1rio, Micheliny Verunschk corre um risco do qual est\u00e1 plenamente consciente: \u201cN\u00e3o \u00e9 uma narrativa que me pertence, pertence aos ind\u00edgenas\u201d. Como, ent\u00e3o, uma escritora branca pode reivindicar o direito de contar uma hist\u00f3ria sobre a viol\u00eancia sofrida pelos povos ind\u00edgenas? O livro \u00e9 a resposta a essa quest\u00e3o: fruto de extensa pesquisa, de contato direto com comunidades ind\u00edgenas e, sobretudo, de sua viv\u00eancia com o ritual da ayahuasca, que a aproximou, ainda que de forma simb\u00f3lica, da experi\u00eancia de perda vivida pelas duas crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma caracter\u00edstica essencial da obra de Verunschk \u00e9 a habilidade de articular m\u00faltiplas temporalidades. Em <em>O som do rugido da on\u00e7a<\/em>, o passado e o presente fundem-se de maneira harmoniosa. Em 1820, a pequena ind\u00edgena miranha, I\u00f1e-e, foi entregue aos cientistas b\u00e1varos Martius e Spix pelo pr\u00f3prio pai, \u201cque adoecera de doen\u00e7a de branco\u201d. Al\u00e9m dela, os cientistas compraram outros sete meninos, incluindo uma crian\u00e7a do povo juri, rival dos miranha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As duas crian\u00e7as, incapazes de se comunicar por n\u00e3o falarem nhengatu \u2013 l\u00edngua geral ind\u00edgena \u2013, alem\u00e3o ou portugu\u00eas, foram transportadas de navio para Munique. Na corte do rei, foram batizadas como Isabella e Johann, tratadas como bonecos pelas princesas e pr\u00edncipes, simbolizando o \u00e1pice da viol\u00eancia colonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas cartas enviadas ao rei da Baviera, Martius expunha um ponto de vista semelhante ao de Pero Magalh\u00e3es de G\u00e2ndavo. Em <em>Hist\u00f3ria da Prov\u00edncia Santa Cruz<\/em> (1576), G\u00e2ndavo observava a aus\u00eancia das letras L, F e R nas l\u00ednguas ind\u00edgenas e conclu\u00eda: \u201ccoisa digna de espanto, porque assim n\u00e3o t\u00eam f\u00e9, nem lei, nem rei. E desta maneira vivem desordenadamente, sem terem, al\u00e9m disto, conta, nem peso, nem medida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da mesma forma, Martius interpretava certas pr\u00e1ticas e rituais ind\u00edgenas como manifesta\u00e7\u00f5es demon\u00edacas do territ\u00f3rio: \u201cExp\u00f4s-se ao meu olhar horrorizado uma cena mais do inferno que humana: uma dan\u00e7a de antrop\u00f3fagos depravados, exaltados pelo gozo do triunfo e pela sensualidade\u201d. Assim, tanto para G\u00e2ndavo quanto para Martius, a terra que viria a se chamar Brasil era simultaneamente ed\u00eanica, com uma natureza intocada, e demon\u00edaca, habitada por seres vistos como diab\u00f3licos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paralelamente a esse passado, Verunschk apresenta a hist\u00f3ria de Josefa, personagem a quem a autora empresta aquele evento biogr\u00e1fico: a visita ao museu e o choque ao ver as litogravuras. O papel de Josefa \u00e9 o de compreender a hist\u00f3ria por meio da redescoberta de seu pr\u00f3prio passado ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conhecida express\u00e3o portuguesa ouvida das av\u00f3s, \u201cpegar a la\u00e7o\u201d, retorna como <em>leitmotiv<\/em>, sin\u00f4nimo de um car\u00e1ter selvagem que precisa ser apaziguado: \u201cA minha bisav\u00f3 materna foi pega a la\u00e7o, sabia? Tenho um tanto de sangue kaiap\u00f3 em mim. Mas o fato \u00e9 que todo mundo tem uma av\u00f3 pega a la\u00e7o no Brasil, eu, voc\u00ea, o porteiro l\u00e1 embaixo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Josefa, no entanto, cresceu com a av\u00f3 paterna, uma colombiana turrona, que evocava a ascend\u00eancia da neta sempre que percebia, em sua \u00edndole, algo maior que a capacidade de resolu\u00e7\u00e3o: \u201cEra como se me dissesse que havia em mim uma for\u00e7a rebelde, incapaz de ser domesticada\u201d, reflete Josefa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A voz de Josefa ressoa como um eco das constru\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas que perduram na contemporaneidade, mas tamb\u00e9m como um rugido do passado ancestral \u2014 uma for\u00e7a que, ao emergir, n\u00e3o apenas denuncia, mas se torna construtora de um futuro consciente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As p\u00e1ginas finais do livro intensificam o entrela\u00e7amento das m\u00faltiplas temporalidades, revelando a complexidade da narrativa de Micheliny Verunschk. I\u00f1e-e, metamorfoseada em on\u00e7a e guiada pelo esp\u00edrito-on\u00e7a, entra em contato com seus antepassados ancestrais e percebe, com pesar, que a hist\u00f3ria de capturas e viol\u00eancias come\u00e7ou muito antes dela e se perpetuou por muito tempo depois. Essa consci\u00eancia se desdobra tamb\u00e9m no presente, em 2020, quando a devasta\u00e7\u00e3o persiste: a morte de ind\u00edgenas pela Covid-19, a destrui\u00e7\u00e3o da flora-casa amaz\u00f4nica e os assassinatos de crian\u00e7as ind\u00edgenas. Nesse momento, a personagem recebe uma mensagem que ecoa a dor e a continuidade da ruindade hist\u00f3rica: \u201cEscuta s\u00f3, ruindade n\u00e3o acaba n\u00e3o, ela se estende, encompridando, jau\u00e1, jau\u00e1. Por isso que eu quis mostrar isso pra tu. Pra que mec\u00ea, tu n\u00e3o se esque\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance encapsula o paradoxo da forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, ber\u00e7o de uma popula\u00e7\u00e3o miscigenada que tem os povos ind\u00edgenas como origem primeira: \u201cEla viu o seu povo se misturar com os outros povos, na l\u00edngua e no sangue; mas, se uma alegria resultou disso, de igual modo tamb\u00e9m o que derivou foi uma grande nega\u00e7\u00e3o, o povo negando a si mesmo. Tudo \u00e9 \u00edndio, ningu\u00e9m \u00e9 \u00edndio. E o Brasil, essa igara\u201d. Micheliny Verunschk, assim, narra n\u00e3o apenas a viol\u00eancia colonial, mas tamb\u00e9m a nega\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da ancestralidade ind\u00edgena, tensionando a identidade nacional, marcada pela mistura e pela nega\u00e7\u00e3o, pela mem\u00f3ria e pelo apagamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O som do rugido da on\u00e7a<\/em> \u00e9 tamb\u00e9m um romance sobre a linguagem e o poder da palavra. Palavras e frases da l\u00edngua nhengatu pontuam o texto, trazendo constantemente o leitor de volta ao Brasil \u201cdescoberto\u201d, ao Brasil colonizado, roubado das comunidades ind\u00edgenas. As palavras inventadas tamb\u00e9m se destacam, pois literatura e fic\u00e7\u00e3o podem construir algo novo e, dessa forma, Verunschk devolve valor \u00e0 cosmovis\u00e3o ind\u00edgena do perspectivismo amer\u00edndio, nos termos do antrop\u00f3logo Viveiros de Castro, em que at\u00e9 rios e macacos falam sua pr\u00f3pria l\u00edngua.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A consci\u00eancia do poder das palavras est\u00e1 presente tanto na vis\u00e3o ocidental quanto na ind\u00edgena. Para os ind\u00edgenas, a palavra \u00e9 vida: \u201cQuem n\u00e3o tem a palavra est\u00e1 morto, foi o que I\u00f1e-e e os outros aprenderam\u201d. Para os ocidentais, a palavra escrita torna-se um instrumento de poder, com o qual basta uma \u00fanica linha num nome para apagar uma hist\u00f3ria de vida: \u201cMartius rasura. Omite o destino do menino\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, o romance vive no encontro de m\u00faltiplos autores. Em primeiro lugar, a refer\u00eancia ao conto \u201cMeu tio Iauaret\u00ea\u201d, de Guimar\u00e3es Rosa, com quem compartilha a mesma experi\u00eancia de metamorfose na on\u00e7a. A on\u00e7a, o parente ancestral, \u00e9 ao mesmo tempo um animal a ser temido, mas com o qual os protagonistas conseguem ter uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima, baseada na confian\u00e7a e no respeito m\u00fatuo. A pr\u00f3pria autora afirma que dialogou neste texto com as vozes ind\u00edgenas para ultrapassar as fronteiras do conhecimento ocidental, entrando na ponta dos p\u00e9s nas perspectivas amer\u00edndias, respeitando suas hist\u00f3rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, aparecem cita\u00e7\u00f5es do xam\u00e3 Davi Kopenawa, hist\u00f3rias de mitos miranhas, juri, yanomami e, na capa, a reprodu\u00e7\u00e3o de uma pintura do artista Jaider Esbell, o mesmo que, em sua obra-ensaio <em>Makunaima, o meu av\u00f4 em mim!<\/em> (Iluminuras, 2018), lembra que \u201csem adentrar as portas das cosmovis\u00f5es dos povos origin\u00e1rios n\u00e3o h\u00e1 como discutir descoloniza\u00e7\u00e3o\u201d. \u00c9 isso que Verunschk faz: descolonizar o nosso pensamento atrav\u00e9s de um livro que traz o leitor ao presente, contando um passado silenciado durante s\u00e9culos pela viol\u00eancia colonial. A metamorfose em on\u00e7a-autora representa o rugido ancestral que vibra no presente para se espalhar no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DORRICO, Julie; DANNER, Leno Francisco; CORREIA, Heloisa Helena Siqueira; DANNER, Fernando (Orgs.) (2018).&nbsp;<em>Literatura ind\u00edgena brasileira contempor\u00e2nea: <\/em>cria\u00e7\u00e3o, cr\u00edtica e recep\u00e7\u00e3o. Porto Alegre: Fi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ESBELL, Jaider (2018). Makunaima, o meu av\u00f4 em mim! <em>Iluminuras<\/em>, Porto Alegre, v. 19, n. 46, p. 11-39.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">G\u00c2NDAVO, P\u00earo de Magalh\u00e3es (2004). <em>Hist\u00f3ria da Prov\u00edncia Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil<\/em>. Lisboa: Ass\u00edrio &amp; Alvim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VERUNSCHK, Micheliny (Entrevistada) (2023). <em>Mat\u00e9ria Bruta<\/em>: O Som do Rugido da On\u00e7a com Micheliny Verunsch. Epis\u00f3dio 78 [Podcast]. Locu\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1via Mano. Canal Curta!. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yrbGD3EYg28.\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=yrbGD3EYg28.<\/a> Acesso em: 16 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VIVEIROS DE CASTRO, Eduardo (2005). O perspectivismo amer\u00edndio ou a natureza em pessoa. <em>Ci\u00eancia &amp; Ambiente<\/em>, Santa Maria, n. 31, p. 123-132.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3558.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3558\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Companhia-das-Letras-2021.webp\" data-caption-title=\"Companhia das Letras, 2021\" data-attachment-id=\"3559\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Companhia das Letras, 2021\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Companhia-das-Letras-2021\/277970308.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Companhia das Letras, 2021<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Holanda-Uitgeverij-Marmer-2024.webp\" data-caption-title=\"Holanda, Uitgeverij Marmer, 2024\" data-attachment-id=\"7732\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Holanda, Uitgeverij Marmer, 2024\" width=\"250\" height=\"399\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Holanda-Uitgeverij-Marmer-2024\/1016109283.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22399%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20399%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div 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Juliana Barbass<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VERUNSCHK, Micheliny. O som do rugido da on\u00e7a. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2021. Amelie PugliaIlustra\u00e7\u00e3o: Guilherme Franzoni O som do rugido da on\u00e7a irrompe na literatura brasileira contempor\u00e2nea em 2021. Micheliny Verunschk (Recife, PE, 1972), poeta e escritora, viveu a maior parte da juventude em Arcoverde, cidade do cora\u00e7\u00e3o, conforme ela mesma declara. 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