{"id":3502,"date":"2025-02-07T12:35:50","date_gmt":"2025-02-07T15:35:50","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3502"},"modified":"2025-11-12T17:57:38","modified_gmt":"2025-11-12T20:57:38","slug":"o-que-ela-sussurra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3502","title":{"rendered":"O que ela sussurra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">JAFFE, Noemi. <em>O que ela sussurra<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Mariana Moura<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: L\u00e9o Tavares<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tomar para si a tarefa de sussurrar poemas por anos a fio para que n\u00e3o caiam no esquecimento \u00e9 o mote de <em>O que ela sussurra<\/em>. Em seu oitavo romance, Noemi Jaffe (S\u00e3o Paulo,&nbsp;SP, 1962) se apropria, como recurso ficcional, da voz de uma figura que de fato existiu: Nadejda Mandelstam, esposa do aclamado poeta russo \u00d3ssip Mandelstam, que foi perseguido e preso ap\u00f3s declamar um poema em que satirizava St\u00e1lin. Posto em liberdade, o poeta viveu anos dif\u00edceis em ex\u00edlio com a companheira, at\u00e9 ser capturado pelo regime stalinista e enviado a um campo de trabalhos for\u00e7ados, onde morreu no fim da d\u00e9cada de 1930.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na esteira de <em>Boca do inferno<\/em> (Companhia das Letras, 1989), em que Ana Miranda transforma em personagens as figuras hist\u00f3ricas de Greg\u00f3rio de Mattos e Padre Ant\u00f4nio Vieira, Noemi Jaffe elege como narradora uma personalidade real, cujo nome coincidentemente significa \u201cesperan\u00e7a\u201d, para falar do silencioso poder da mem\u00f3ria como forma de resist\u00eancia a um embrutecedor regime totalit\u00e1rio. Fora da fic\u00e7\u00e3o, Nadejda escreveu duas obras memorial\u00edsticas, que serviram de base, assim como a pr\u00f3pria obra de \u00d3ssip e livros sobre aquele per\u00edodo hist\u00f3rico, para o extenso trabalho de pesquisa que Jaffe desenvolveu para a constru\u00e7\u00e3o do romance, conforme a autora afirma em entrevista (Jaffe, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 semelhan\u00e7a de Sofia Tolst\u00f3i, que copiava as grandes obras que o marido viria a publicar, Nadejda&nbsp;escrevia os poemas que \u00d3ssip ditava. Esses manuscritos, no entanto, foram destru\u00eddos pela censura do regime. Ap\u00f3s a morte do poeta, ainda se recordando das palavras que havia copiado, ela&nbsp;passou a sussurrar os mais de 300 poemas do marido ao longo de 25 anos at\u00e9 que eles pudessem ser publicados, depois do fim do stalinismo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Nadejda,\u00a0manter vivas as palavras de \u00d3ssip era tamb\u00e9m uma forma de se manter viva, como se a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria fosse tamb\u00e9m a preserva\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida de quem carrega essa mem\u00f3ria: \u201cOs poemas que memorizo mas que parecem tamb\u00e9m me memorizar, como se eu s\u00f3 pudesse existir atrav\u00e9s deles\u201d. N\u00e3o h\u00e1, contudo, nenhum romantismo nisso: \u201cSussurrar teus poemas n\u00e3o \u00e9 uma miss\u00e3o, nem sou uma hero\u00edna\u201d, e depois completa: \u201cFa\u00e7o o que fa\u00e7o pelos teus poemas, como uma causa concreta, de papel e palavras\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mem\u00f3ria, a hist\u00f3ria, o luto, a reflex\u00e3o sobre a linguagem s\u00e3o temas que perpassam toda a obra de Noemi Jaffe. Doutora em Literatura Brasileira pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a&nbsp;escritora&nbsp;e&nbsp;cr\u00edtica liter\u00e1ria est\u00e1 \u00e0 frente da Escrevedeira, onde d\u00e1 aulas de escrita criativa, assim como na Casa do Saber e no curso de Forma\u00e7\u00e3o de Escritores do Instituto Vera Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de alguns livros de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o, Jaffe tem uma extensa obra liter\u00e1ria, que inclui <em>O que os cegos est\u00e3o sonhando?<\/em> (Ed. 34, 2012); <em>A verdadeira hist\u00f3ria do alfabeto<\/em> (Companhia das Letras, 2012), laureado com o Pr\u00eamio Bras\u00edlia de Literatura de 2014; <em>\u00cdrisz: as orqu\u00eddeas<\/em> (Companhia das Letras, 2015); <em>O livro dos come\u00e7os<\/em> (Cosac Naify, 2016); <em>N\u00e3o est\u00e1 mais aqui quem falou<\/em> (Companhia das Letras, 2017) e <em>Lili: novela de um luto<\/em>\u00a0(Companhia das Letras, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance em quest\u00e3o se inicia com uma introdu\u00e7\u00e3o mais reflexiva, em que a narra\u00e7\u00e3o em primeira pessoa tem \u00d3ssip como interlocutor, \u00e0 guisa de \u201ccartas desordenadas\u201d, como define Nadejda. Ela continua como narradora dos 16 cap\u00edtulos numerados que se seguem, e o livro se conclui com um \u00faltimo cap\u00edtulo, tamb\u00e9m numerado, mas que ganha outra voz narrativa, tamb\u00e9m feminina. Neles, o leitor acompanha a hist\u00f3ria de resist\u00eancia do casal, desde a primeira pris\u00e3o de \u00d3ssip, passando pelo ex\u00edlio e pela segunda pris\u00e3o, que culmina em sua morte no campo de trabalhos for\u00e7ados, at\u00e9 a jornada de Nadejda como sobrevivente durante os anos r\u00edgidos do stalinismo e tamb\u00e9m mais tarde.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem grande apego \u00e0 linearidade do tempo narrativo ou aos fatos concretos, marcas de um romance hist\u00f3rico ou biogr\u00e1fico cl\u00e1ssico, Jaffe d\u00e1 mais import\u00e2ncia \u00e0 experi\u00eancia e aos afetos da vida sob o totalitarismo na perspectiva de seus opositores, que se tornam \u201cduros como o diabo\u201d. A pobreza, o ex\u00edlio, a paranoia, o cansa\u00e7o, a humilha\u00e7\u00e3o, o desespero, a solidariedade, a tenta\u00e7\u00e3o de ser cooptado pelo regime em troca do poder conquistado pela obedi\u00eancia s\u00e3o alguns dos temas sobre os quais Nadejda se debru\u00e7a como pretexto para refletir sobre a mem\u00f3ria, o tempo, a linguagem, o papel da arte e dos intelectuais diante das consequ\u00eancias de uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A import\u00e2ncia da comunidade \u00e9 um aspecto marcante do enredo. A resist\u00eancia silenciosa n\u00e3o \u00e9 uma prerrogativa apenas de Nadejda: \u201cA R\u00fassia inteira sussurra. Mulheres sussurram poemas e cartas; velhos sussurram prov\u00e9rbios antigos e can\u00e7\u00f5es; trabalhadores do campo entoam rezas secretas; ex-espi\u00f5es arrependidos murmuram pedidos de perd\u00e3o\u201d. &nbsp;\u00c9 tamb\u00e9m pelo apoio da comunidade que o casal sobrevive ao ex\u00edlio e que Nadejda encontra for\u00e7as para reconstruir a vida e trabalhar ap\u00f3s a morte do marido. \u00c9 durante o expediente em uma f\u00e1brica que a narradora se dedica ao seu trabalho mais importante, o de sussurrar os poemas de \u00d3ssip e carreg\u00e1-los atrav\u00e9s do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sussurro \u00e9, sobretudo, uma estrat\u00e9gia das mulheres que sobrevivem e preservam a mem\u00f3ria de seus maridos perseguidos e mortos: \u201cN\u00f3s mesmas n\u00e3o nos conhecemos, mas nossos sussurros sim, eles se cruzam todas as noites, cumprimentam-se e \u00e0s vezes se confundem, [&#8230;] formando livros feitos de ar e poeira, espalham e criam liga\u00e7\u00f5es secretas entre as mulheres que est\u00e3o salvando a R\u00fassia do esquecimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como mulher, Nadejda tem consci\u00eancia de seu papel subalterno e o descreve com sensatez e sem vitimismo. Antes de conhecer \u00d3ssip, ela estudava para se tornar pintora e, em certo ponto, afirma que poderia ter tido sucesso como artista se n\u00e3o fosse por ele. Embora se vinculasse a uma gera\u00e7\u00e3o que abominava o casamento, j\u00e1 uma influ\u00eancia do feminismo, Nadejda optou por se submeter \u00e0 autoridade do marido n\u00e3o \u201ccomo um cabritinho medroso\u201d, mas por acreditar na import\u00e2ncia que ele teria como poeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa decis\u00e3o a levou a dedicar sua vida a \u00d3ssip mesmo depois de sua morte, como reposit\u00f3rio vivo de seus poemas. Nadejda sustenta com lucidez a escolha de viver um caminho duro, repleto de priva\u00e7\u00f5es, e assim reflete: \u201cn\u00e3o vou me dedicar a julgar minhas atitudes, se estou em paz com o que fiz. N\u00e3o ligo para saber se estou certa [&#8230;]. S\u00f3 sei que, vivendo perseguidos e \u00d3ssip sendo quem era, foi isso que pude fazer e, naquele momento, poder fazer e querer fazer era a mesma coisa. Se eu pude, era tamb\u00e9m o que queria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de sua submiss\u00e3o volunt\u00e1ria, Nadejda carrega um imenso poder. N\u00e3o s\u00f3 porque foi por for\u00e7a de sua mem\u00f3ria que os poemas de \u00d3ssip se preservaram e puderam ser publicados posteriormente, mas tamb\u00e9m porque \u00e9 ela quem pode falar no romance. Um interessante recurso narrativo \u00e9 que, por mais importante que \u00d3ssip viesse a se tornar na literatura russa, suas palavras s\u00e3o reduzidas a uma esp\u00e9cie de ep\u00edgrafe que separa alguns dos cap\u00edtulos, enquanto a voz que realmente importa \u00e9 a dela. \u00c9 ela que sobrevive para contar a hist\u00f3ria, embora n\u00e3o se vanglorie dessa posi\u00e7\u00e3o: \u201cSou, agora, a mesma de sempre: Nadejda Mandelstam, ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora o enredo se desenrole em um tempo e um espa\u00e7o distantes do Brasil contempor\u00e2neo, a R\u00fassia stalinista, n\u00e3o se pode dizer que os temas abordados passem totalmente ao largo da experi\u00eancia dos leitores brasileiros. Para al\u00e9m dos anos de chumbo que marcaram de forma t\u00e3o profunda o Brasil do s\u00e9culo XX, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar a escolha de Jaffe por publicar um romance que fale da vida cotidiana durante um regime autocr\u00e1tico, que censurava express\u00f5es art\u00edsticas e perseguia opositores pol\u00edticos, justamente no in\u00edcio de 2020, o segundo ano de um governo que flertava com o autoritarismo e cujas repercuss\u00f5es em termos de mentalidade e cultura ainda se fazem presentes no momento da escrita desta resenha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os sussurros de Nadejda\u00a0n\u00e3o s\u00e3o apenas um testemunho do poder das palavras \u2212 mesmo sem alarde, pois \u201c\u00e0s vezes o sussurro pode ser mais alto que o grito\u201d \u2212 como totem de resili\u00eancia \u00e0 opress\u00e3o. S\u00e3o tamb\u00e9m um lembrete, \u00e0queles que n\u00e3o est\u00e3o submetidos ao autoritarismo, da m\u00e1xima, tantas vezes repetida quando se fala da ditadura militar brasileira, de que \u00e9 preciso recordar para n\u00e3o esquecer, para que os horrores nunca mais se repitam. \u00c9 nesse sentido que a comovente hist\u00f3ria da vi\u00fava de um poeta russo v\u00edtima do Grande Expurgo ganha relev\u00e2ncia para os leitores do Brasil contempor\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">JAFFE, Noemi (2021). \u201cFeminismo n\u00e3o \u00e9 um \u00fanico jeito de existir, de se afirmar\u201d, diz Noemi Jaffe. Entrevista a Julia Fatio Vasconcelos, Renata Conde e Bruno Conde. <em>Russia Beyond<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/br.rbth.com\/cultura\/84898-feminismo-nao-e-um-unico-jeito-noemi-jaffe\">https:\/\/br.rbth.com\/cultura\/84898-feminismo-nao-e-um-unico-jeito-noemi-jaffe<\/a>. Acesso em: 12 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00c1ZARO DA SILVA, Paula M\u00e1rcia; RABELO, Ana Paula (2024). Nadejdas, V\u00e2nias e Marias: entrela\u00e7ando mem\u00f3rias, can\u00e7\u00f5es e poesias.&nbsp;<em>Revista de Literatura, Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria<\/em>,&nbsp; v. 19, n. 34, p. 229-241. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/e-revista.unioeste.br\/index.php\/rlhm\/article\/view\/30852\">https:\/\/e-revista.unioeste.br\/index.php\/rlhm\/article\/view\/30852<\/a>. Acesso em: 6 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEITE, Ilka Boaventura (2020). Pequeno ensaio sobre o cansa\u00e7o. <em>Boletim Anpocs<\/em>, n. 57. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/anpocs.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Boletim_n57.pdf.\">https:\/\/anpocs.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/06\/Boletim_n57.pdf.<\/a> Acesso em: 6 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MALZYNER, Mirian (2024). Um sussurro de esperan\u00e7a: literatura e psican\u00e1lise em di\u00e1logo.\u00a0<em>Berggasse<\/em>, v. 13, n. 2, 31-40. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/berggasse19.emnuvens.com.br\/revista\/article\/view\/105\/84\">https:\/\/berggasse19.emnuvens.com.br\/revista\/article\/view\/105\/84<\/a>. Acesso em: 6 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3555.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3555\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Companhia-das-Letras-2020.webp\" data-caption-title=\"Companhia das Letras, 2020\" data-attachment-id=\"3556\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Companhia das Letras, 2020\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Companhia-das-Letras-2020\/3472705536.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Companhia das Letras, 2020<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JAFFE, Noemi. 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