{"id":3497,"date":"2025-02-06T15:15:02","date_gmt":"2025-02-06T18:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3497"},"modified":"2026-07-15T12:43:26","modified_gmt":"2026-07-15T15:43:26","slug":"o-ceu-para-os-bastardos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3497","title":{"rendered":"O c\u00e9u para os bastardos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">GUERRA, Lilia. <em>O c\u00e9u para os bastardos<\/em>. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Juliana Berlim<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: <em>Catalina Chervin<\/em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance <em>O c\u00e9u para os bastardos<\/em>, de Lilia Guerra (S\u00e3o Paulo, SP, 1976), teve sua primeira edi\u00e7\u00e3o publicada pela editora paulistana Todavia, no segundo semestre de 2023, em torno de agosto e setembro. Em seu coment\u00e1rio cr\u00edtico publicado na <em>S\u00e3o Paulo Review<\/em>, Bruno In\u00e1cio (s.d.) assinala: \u201c<em>O c\u00e9u para os bastardos<\/em>\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 marcado por uma t\u00e9cnica liter\u00e1ria bastante madura, capaz de construir di\u00e1logos marcantes, cenas memor\u00e1veis e personagens que se tornam amigos e c\u00famplices de quem l\u00ea a obra\u201d. E continua sua aprecia\u00e7\u00e3o acerca dos personagens do romance: \u201cAlguns deles, inclusive, j\u00e1 apareceram em excelentes trabalhos anteriores da autora, publicados pela Editora Patu\u00e1. A protagonista S\u00e1 Narinha, por exemplo, forneceu um depoimento no romance\u00a0<em>Rua do larguinho e outros descaminhos<\/em>, de 2018\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maturidade t\u00e9cnica da obra \u00e9 um dos aspectos que mais chamam a aten\u00e7\u00e3o do leitor. A polifonia se estabelece logo na primeira cena, com um jogral de meninas conversando entre si sobre trivialidades. N\u00e3o se sabe ao certo quem s\u00e3o essas personagens apresentadas em <em>flashback<\/em>, mas di\u00e1logos semelhantes entre as mo\u00e7as se repetir\u00e3o, marcando um movimento circular de constru\u00e7\u00e3o de mem\u00f3ria afetiva que se estabelece entre o leitor e as personagens Bigu, Cassiana e Regina, a Regininha. As tr\u00eas representam a conex\u00e3o com o cotidiano da gera\u00e7\u00e3o posterior \u00e0 da protagonista, Maria Expedicion\u00e1ria, mais conhecida em sua comunidade como S\u00e1 Narinha, ou at\u00e9 mesmo como Xisp\u00ea, como a chama seu pequeno patr\u00e3o no trabalho como empregada dom\u00e9stica. Essas m\u00faltiplas mulheres viventes em S\u00e1 Narinha, a <em>persona<\/em> prevalente e nossa narradora principal, s\u00e3o conduzidas e apresentadas ao leitor pelo fio da mem\u00f3ria. Mem\u00f3ria individual e, metonimicamente, mem\u00f3ria coletiva. Mem\u00f3ria do bairro Fim-do-Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escolha lexical Fim-do-Mundo indica uma condi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica recorrente no \u00e2mbito das megal\u00f3poles brasileiras: a dist\u00e2ncia entre o centro das grandes cidades e os bairros residenciais onde habita a maioria da classe trabalhadora do pa\u00eds. Em vez de localizar a narrativa explicitamente na cidade de S\u00e3o Paulo e seus arredores (deduz-se tratar-se de S\u00e3o Paulo, em especial, devido aos tipos humanos do italiano e dos japoneses que, como personagens secund\u00e1rios, emergem na trama), a autora expande seu alcance narrativo, permitindo ao leitor, sobretudo ao leitor habitante dos grandes centros, perceber a similitude entre o espa\u00e7o ficcional e o desenho urbano brasileiro. A rigor, n\u00e3o h\u00e1 outras men\u00e7\u00f5es topon\u00edmicas em todo o livro, porque o romance pretende, acima de tudo, relatar a vida cotidiana no <em>locus<\/em> emocional habitado pela narradora S\u00e1 Narinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Percebe-se, conforme Bruno In\u00e1cio (s.d.) aponta, que o projeto liter\u00e1rio de Guerra \u00e9 voltado para a constru\u00e7\u00e3o de um retrato afetivo da periferia brasileira, tomando por base, como referido, a megal\u00f3pole paulistana. Para aqueles que cresceram ou frequentaram bairros perif\u00e9ricos ou suburbanos, as personagens soam muito familiares. Por exemplo: s\u00e3o apresentados ao leitor os retratos da verdureira, do dono de bar, do jogador cotidiano de sinuca, do apontador de jogo do bicho, da vendedora de porta em porta de cosm\u00e9ticos, dos religiosos de todos os matizes, gente do povo, personagens \u00e0s quais o leitor se afei\u00e7oa, porque s\u00e3o constru\u00eddas como figuras emp\u00e1ticas, a despeito de quaisquer falhas morais apresentadas. A rigor, as personagens das camadas populares, a grande gama do manancial de figuras humanas apresentado pela autora, n\u00e3o s\u00e3o propriamente m\u00e1s; pelo contr\u00e1rio, apresentam-se como seres com certa superioridade moral, no geral. Salvo poucos casos de sujeitos confirmadamente criminosos, boa parte das personagens apresentadas s\u00e3o pessoas com pequenos desvios, <em>tricksters<\/em> da cidade grande que as abandona e as devora como cidad\u00e3os de segunda classe de um pa\u00eds com uma das maiores desigualdades na distribui\u00e7\u00e3o de renda do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A empregada dom\u00e9stica \u00e9 a ep\u00edtome das rela\u00e7\u00f5es sociais coloniais que n\u00e3o foram superadas no per\u00edodo da Rep\u00fablica. Como poderia ser, se as rela\u00e7\u00f5es patronais no espa\u00e7o domiciliar nacional s\u00e3o pautadas pelo \u201cafeto\u201d? \u00c0 \u00e9poca da discuss\u00e3o sobre a PEC das Empregadas, o debate girou em torno das rela\u00e7\u00f5es de cordialidade entre patr\u00f5es e empregados dom\u00e9sticos, que inclu\u00edam, como ainda incluem, a imagem da empregada como \u201cmembro da fam\u00edlia\u201d: a servidora n\u00e3o precisa de sal\u00e1rio digno (ou aumento de sal\u00e1rio), FGTS, f\u00e9rias remuneradas, dias de folga, direito a aus\u00eancias avulsas, carteira assinada e tantas conquistas s\u00f3lidas dos trabalhadores do s\u00e9culo XX por ser \u201cda fam\u00edlia\u201d. Uma pessoa da fam\u00edlia que, como se sabe, \u00e9 tratada como falsa, ladra, mentirosa, manipuladora, vilipendiadora e toda sorte de adjetivos pejorativos. No romance de Guerra, um cl\u00e1ssico das rela\u00e7\u00f5es entre patroa e empregada dom\u00e9stica opera como mote para apresentar tanto a fragilidade deste cons\u00f3rcio quanto a personalidade vil da patroa: o roubo das joias da fam\u00edlia. Os brincos da av\u00f3 sumiram e, por d\u00e9cadas, as empregadas dom\u00e9sticas foram acusadas do furto, apelidadas de \u201cratazanas\u201d aos gritos. O imbr\u00f3glio \u00e9 resolvido, como tantas outras tramas do romance, mais pr\u00f3ximo ao t\u00e9rmino da narrativa, com uma revela\u00e7\u00e3o surpreendente, na contram\u00e3o da expectativa criada por d. Gerda, a patroa de S\u00e1 Narinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, ainda que com muito mais sutileza, a disparidade social entre a protagonista e seus patr\u00f5es de classe m\u00e9dia alta se manifesta com a entrada em cena do patr\u00e3o escritor. S\u00e1 Narinha come\u00e7a a bisbilhotar a biblioteca do intelectual, que reconhece nela o impulso leitor e libera o acesso aos seus livros. No \u00edmpeto da intimidade entre leitores que a funcion\u00e1ria acreditou ter sido estabelecida entre os dois, Maria Expedicion\u00e1ria confessa o sonho de ser escritora (a hist\u00f3ria que o leitor acompanha resulta das anota\u00e7\u00f5es em um caderninho, que est\u00e1 com a hero\u00edna em todo lugar). O homem, atento, ouve e, bastante condescendente, procura demover com delicadeza a funcion\u00e1ria de seu objetivo, porque, nas palavras dele, havia muitos escritores med\u00edocres no mundo, mas poucas pessoas que passavam uma camisa t\u00e3o bem quanto S\u00e1 Narinha conseguia fazer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Expl\u00edcito ou velado, o preconceito contra as empregadas dom\u00e9sticas e o desest\u00edmulo a seu exerc\u00edcio de atividades fora do \u00e2mbito das fun\u00e7\u00f5es dom\u00e9sticas \u00e9 t\u00e3o percept\u00edvel para a protagonista (por extens\u00e3o, para o leitor), que ela desfaz a impress\u00e3o positiva que tinha nutrido at\u00e9 ent\u00e3o por seu patr\u00e3o. Come\u00e7a ent\u00e3o a detest\u00e1-lo, como a servi\u00e7al do romance <em>A boa terra<\/em>, de Pearl S. Buck (1981), cujo enredo \u00e9 apresentado em parte ap\u00f3s a cena desse di\u00e1logo acima descrito. T\u00edpica estereotipa\u00e7\u00e3o e uma vis\u00e3o de mundo bastante limitada para um indiv\u00edduo de alta escolaridade e inserido na realidade do mundo hiperconectado e letrado, como o do capitalismo tardio do s\u00e9culo XXI. Infelizmente, essa \u00e9 a aprecia\u00e7\u00e3o frequente que se faz de pessoas negras, desqualificadas pelo simples fato de serem negras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Toni Morrison (2016) n\u00e3o precisa avisar que seus protagonistas em <em>Voltar para casa<\/em> s\u00e3o negros, gra\u00e7as \u00e0 ambienta\u00e7\u00e3o que elabora em sua obra. Da mesma maneira, Lilia Guerra n\u00e3o informa ao leitor o dado \u00e9tnico-racial relativo \u00e0s suas personagens, mas se sabe, pela experi\u00eancia brasileira, que Fim-do-Mundo se constitui, em sua grande maioria, de moradores negros e pardos. A grande massa humana mesti\u00e7a e subempregada \u00e9 a continuidade laboral de seus antepassados, muitos escravizados e trabalhadores das esferas inferiores da sociedade brasileira de antanho. O romance ainda n\u00e3o aponta as renova\u00e7\u00f5es dos quadros sociais nas regi\u00f5es perif\u00e9ricas, especialmente depois das pol\u00edticas p\u00fablicas dos anos 1990 e 2000, que buscaram a inser\u00e7\u00e3o dessa camada da popula\u00e7\u00e3o em espa\u00e7os de escolaridade formal antes pouco ocupados por eles. Por isso mesmo, o recorte de realidade de Guerra \u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de um mundo em transi\u00e7\u00e3o, que come\u00e7a a morrer aos poucos \u2014 o signo da morte perpassa toda a narrativa, como met\u00e1fora de uma paisagem humana, sobretudo, que agoniza aos poucos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse mundo, como o samba, agoniza, mas n\u00e3o morre. Reinventa-se, sob novas ordens, novos ares. Novas formas de ser e existir, novos aquilombamentos, um novo mundo em que uma crian\u00e7a n\u00e3o seja recha\u00e7ada do conv\u00edvio social por n\u00e3o ter o nome paterno no registro (uma parcela significativa da sociedade brasileira n\u00e3o tem pai reconhecido na certid\u00e3o de nascimento, o que aponta o elitismo da sociedade brasileira e de suas grandes institui\u00e7\u00f5es e aparelhos ideol\u00f3gicos, como a Igreja Cat\u00f3lica). Um mundo em que n\u00e3o se precise ir para o c\u00e9u para desfrutar das del\u00edcias, um mundo em que uma pessoa n\u00e3o seja mais rotulada como bastarda. Este mundo, na verdade, est\u00e1 mais pr\u00f3ximo do que distante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BUCK, Pearl S. (1981). <em>A boa terra<\/em>. Trad. de Oscar Mendes. S\u00e3o Paulo: Abril Cultural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">IN\u00c1CIO, Bruno (s.d.). \u201cO c\u00e9u para os bastardos\u201d, de Lilia Guerra: as muitas viv\u00eancias do Fim-do-Mundo. <em>S\u00e3o Paulo Review<\/em>, S\u00e3o Paulo, n.p. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/saopauloreview.com.br\/o-ceu-para-os-bastardos-de-lilia-guerra-as-muitas-vivencias-do-fim-do-mundo\">http:\/\/saopauloreview.com.br\/o-ceu-para-os-bastardos-de-lilia-guerra-as-muitas-vivencias-do-fim-do-mundo<\/a>\/. Acesso em: 26 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MORRISON, Toni (2016). <em>Voltar para casa<\/em>. Trad. de Jos\u00e9 Rubens Siqueira. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3547.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3547\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Todavia-2023.webp\" data-caption-title=\"Todavia, 2023\" data-attachment-id=\"3548\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Todavia, 2023\" width=\"250\" height=\"379\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Todavia-2023\/2577587433.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22379%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20379%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Todavia, 2023<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GUERRA, Lilia. O c\u00e9u para os bastardos. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2023. Juliana BerlimIlustra\u00e7\u00e3o: Catalina Chervin O romance O c\u00e9u para os bastardos, de Lilia Guerra (S\u00e3o Paulo, SP, 1976), teve sua primeira edi\u00e7\u00e3o publicada pela editora paulistana Todavia, no segundo semestre de 2023, em torno de agosto e setembro. 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