{"id":3489,"date":"2025-03-28T16:24:55","date_gmt":"2025-03-28T19:24:55","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3489"},"modified":"2025-12-15T13:06:36","modified_gmt":"2025-12-15T16:06:36","slug":"nao-fossem-as-silabas-do-sabado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3489","title":{"rendered":"N\u00e3o fossem as s\u00edlabas do s\u00e1bado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">CARRARA, Mariana Salom\u00e3o. <em>N\u00e3o fossem as s\u00edlabas do s\u00e1bado. <\/em>S\u00e3o Paulo: Todavia. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Ludimila Moreira Menezes<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Catalina Chervin<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escritora e defensora p\u00fablica paulistana Mariana Salom\u00e3o Carrara (S\u00e3o Paulo, SP, 1986) conta com uma extensa e premiada produ\u00e7\u00e3o ficcional em sua biografia. Al\u00e9m de um livro de contos, h\u00e1 romances, como <em>Se deus me chamar n\u00e3o vou<\/em> (Editora N\u00f3s, 2019), <em>\u00c9 sempre a hora da nossa morte am\u00e9m<\/em> (Editora N\u00f3s, 2021, finalista do Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo 2022 e entre os 10 indicados ao Jabuti 2022), <em>N\u00e3o fossem as s\u00edlabas do s\u00e1bado<\/em> (Todavia, 2022, Vencedor do Pr\u00eamio S\u00e3o Paulo 2023 de Melhor Romance do Ano) e <em>A \u00e1rvore mais sozinha do mundo<\/em> (2024). Recebeu pelo roteiro do longa-metragem <em>\u00c9 l\u00e1 que eu quero morar<\/em> o segundo lugar no Pr\u00eamio Gui\u00f5es (Portugal, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas obras de Mariana Salom\u00e3o Carrara, a morte figura-se como for\u00e7a motriz de fic\u00e7\u00f5es que acionam uma voz narrativa feminina em primeira pessoa. Outro estilema dos romances dessa escritora s\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es de amizade entre personagens femininas que deflagram em seus microcosmos dom\u00e9sticos e subjetivos tens\u00f5es que perpassam a intimidade de crian\u00e7as, adolescentes, mulheres adultas e idosas. Al\u00e9m da perspectiva feminina ser o recurso estil\u00edstico para explorar temas como mem\u00f3ria, puberdade, tens\u00f5es raciais, doen\u00e7as; ela tamb\u00e9m entrega dic\u00e7\u00f5es e constru\u00e7\u00f5es espaciais que focalizam experi\u00eancias, dilemas e elabora\u00e7\u00f5es subjetivas de um universo feminino \u00e0s voltas com conflitos familiares, aus\u00eancias, sofrimentos ps\u00edquicos e mortes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra marca dos universos ficcionais de Carrara s\u00e3o os t\u00edtulos longos de <em>Se deus me chamar n\u00e3o vou<\/em> (2019) e <em>\u00c9 sempre a hora da nossa morte am\u00e9m<\/em> (2021), que evocam uma fratura ou chiste com o universo religioso. Mesmo em <em>N\u00e3o fossem as s\u00edlabas do s\u00e1bado <\/em>h\u00e1 algo de lit\u00fargico, e a constru\u00e7\u00e3o frasal escalonada al\u00e9m de aglutinar ritmo vertiginoso e lirismo ainda se vale de reminisc\u00eancias que temos com a can\u00e7\u00e3o Constru\u00e7\u00e3o de Chico Buarque\u00a0 \u201cmorreu na contram\u00e3o atrapalhando o s\u00e1bado\u201d. Desse entrecruzamento de rastros mnem\u00f4nicos, de um lirismo de puls\u00e3o dram\u00e1tica e de um apelo ao tr\u00e1gico, os t\u00edtulos indiciam os enredos, seus personagens e a temporalidade ag\u00f4nica que forjam os romances.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se tempo e a mem\u00f3ria s\u00e3o balizadores metaf\u00edsicos nos romances de 2019 e 2021, em<em> N\u00e3o fossem as s\u00edlabas do s\u00e1bado<\/em>, luto e sororidade catalisam a transvalora\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia e amizade e impulsionam reflex\u00f5es sobre os efeitos da solid\u00e3o em duas mulheres que se descobrem vizinhas e vi\u00favas logo no in\u00edcio da trama. Uma fic\u00e7\u00e3o calcada em uma voz l\u00edrica de uma mulher, vi\u00fava e m\u00e3e que transforma os efeitos do evento tr\u00e1gico de sua vida em uma linguagem que excede o trabalho de luto, em uma hist\u00f3ria sobre uma poss\u00edvel amizade feminina absoluta e outras configura\u00e7\u00f5es de parentalidade desde a presen\u00e7a de uma crian\u00e7a \u00f3rf\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maternidade solo, suic\u00eddio, dois homens mortos em uma trama que explora o tempo estagnado do luto e a incompreens\u00e3o, ainda que velada, do suic\u00eddio. A cidade de S\u00e3o Paulo e o pr\u00e9dio de um bairro de classe m\u00e9dia paulistana despontam para al\u00e9m de cen\u00e1rios e se investem ao longo da narrativa de uma concretude sensorial desatadora de ensimesmamentos e afetos negativos como culpa e raiva. A narradora Ana, de 28 anos, ao se descobrir gr\u00e1vida, decide enquadrar um p\u00f4ster de um filme caro ao casal e, no retorno para casa, solicita ajuda ao marido para carreg\u00e1-lo. O marido demora. Ao sair do pr\u00e9dio, Andr\u00e9 \u00e9 atingido e morto por Miguel e, em um compasso de sincronicidade e fatalidade, essa queda afetar\u00e1 para sempre a vida das duas vi\u00favas, Ana e Madalena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vinga em <em>N\u00e3o fossem as s\u00edlabas do s\u00e1bad<\/em>o uma espessura traum\u00e1tica, a voz confessional da narradora Ana forja uma possess\u00e3o de solid\u00e3o, dor e uma esp\u00e9cie de anomia social diante da morte tr\u00e1gica de seu marido Andr\u00e9 na manh\u00e3 que ela revelaria a gravidez. Uma morte dupla desorbitando a no\u00e7\u00e3o de destino ideal, de uma parentalidade em simbiose: o vizinho do d\u00e9cimo andar, Miguel, que despenca em uma queda suicida, coloca inicialmente a esposa Madalena como estrangeira e intrusa nessa nova configura\u00e7\u00e3o de fam\u00edlia em escombros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Culpa e luto como entes peregrinos se instalam em uma cin\u00e9tica dom\u00e9stica de digress\u00f5es, memorab\u00edlias, tentativas fracassadas de cartografar os passos que antecederam o evento catacl\u00edsmico por parte de Ana; a Madalena \u00e9 entregue como fatura do evento, o interdito sobre o marido, Miguel, que paira fantasm\u00e1tico nas especula\u00e7\u00f5es de Ana. Por meio de uma narrativa atenta \u00e0s min\u00facias da arquitetura do pr\u00e9dio, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da mob\u00edlia do apartamento, aos gestos de sil\u00eancio e raiva de Ana e aos detalhes dessa amizade paradoxal com Madalena, o romance aposta em fluxos de tempos bifurcados, um tempo da escrita (algo entre o di\u00e1rio e o testemunho) e outro da narra\u00e7\u00e3o (misto de relato mais distanciado) que lida com a transforma\u00e7\u00e3o dos personagens diante de suas dores, mem\u00f3rias e desejos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance \u00e9 constru\u00eddo desde uma linguagem melanc\u00f3lica e um controle narrativo que, al\u00e9m de evidenciar uma plasticidade estagnada do apartamento diante do luto, do medo, da raiva, da culpa, tamb\u00e9m consegue fundir o substrato das recorda\u00e7\u00f5es do passado (o medo de esquecer o marido morto) e a dolorosa ambival\u00eancia de uma amizade imposs\u00edvel em cenas que&nbsp; esculpem temporalidades e intimidades de uma d\u00e9cada. Fluxo de consci\u00eancia e uma sobreposi\u00e7\u00e3o de tempo presente e passado nos conduzem pela subjetividade hipervigilante de Ana que reverbera sensibilidade e consci\u00eancia de classe ao se debru\u00e7ar sobre a din\u00e2mica dom\u00e9stica em um ciclo narrativo de 10 anos, nesses densos fotogramas, o inc\u00f4modo e o al\u00edvio suscitados pela presen\u00e7a da bab\u00e1 delineiam uma trama que se espirala entre dor, autocr\u00edtica, vazio existencial, maternidade e a jornada de crescimento de Catarina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante de uma cidade que se constitui por uma sintaxe de barulhos, de corpos e ve\u00edculos em tr\u00e2nsito, a narradora, que \u00e9 arquiteta, se v\u00ea destitu\u00edda da espacialidade e viv\u00eancia familiar conhecidas, do manejo de um controle interior e exterior e, aturdida com a promessa da chegada de um beb\u00ea, a filha Catarina v\u00ea no contato com Madalena uma fagulha de alteridade. Nessa outra espacialidade do corpo e de si, Ana se v\u00ea diante de um p\u00e9riplo-pesadelo que envolve IML, delegacia e um retorno epif\u00e2nico e tr\u00e1gico \u00e0 nova casa, agora atravessada pela aus\u00eancia de Andr\u00e9, a dor de se ver sozinha, o medo de criar uma crian\u00e7a sozinha e raiva do vizinho suicida. Raiva que ser\u00e1 vetorizada \u00e0 vizinha, esposa de Miguel, a professora de portugu\u00eas e vizinha Madalena. Mesmo que a hist\u00f3ria ganhe tra\u00e7\u00e3o pelas percep\u00e7\u00f5es e \u00e2nimos de Ana, os efeitos de presen\u00e7a de Madalena nos chegam para al\u00e9m da aparente figura\u00e7\u00e3o intrusiva inicialmente constru\u00edda pela narradora. Madalena acende o rastilho de alteridade em um campo minado pela depress\u00e3o e solid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda que Madalena seja a pessoa que reconvoque queda e morte e atice uma puls\u00e3o pela culpabiliza\u00e7\u00e3o por parte de Ana, a personagem, vista inicialmente como for\u00e7a intrusiva, torna-se aquela em partilha extrema dos desdobramentos dom\u00e9sticos, ps\u00edquicos e afetivos da narradora gestante. Desde um luto simbi\u00f3tico e uma hostilidade difusa e ambivalente, que ora faz Ana se sentir uma vi\u00fava melhor que a vizinha ora v\u00ea nessas trocas circunstanciais com Madalena elo de cuidado e promessa de acolhimento, o romance redimensiona essa amizade paradoxal, repleta de sil\u00eancios e fases distintas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nascimento de Catarina torna as visitas de Madalena, antes contingenciais, em presen\u00e7a&nbsp; desejada, ainda que inconscientemente. Nesse novo microcosmo dom\u00e9stico que envolve puerp\u00e9rio, a chegada de uma bab\u00e1 e a for\u00e7a de Madalena como uma esp\u00e9cie de cicerone dessa nova jornada, consolida-se o rastilho deixado pela ep\u00edgrafe de Lygia Fagundes Telles \u201cSe \u00e9 dif\u00edcil carregar a solid\u00e3o, mais dif\u00edcil ainda \u00e9 carregar uma companhia\u201d. A primazia do gestual pelas outras mulheres (colo, limpeza, preparo da comida) faz eco sobre a linguagem deprimida de Ana, \u00e0s voltas com um corpo fragmentado e que quase se dilui pelo medo do devir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O arco dram\u00e1tico do romance se forja tanto pelos sintomas do sofrimento ps\u00edquico de Ana quanto pela complexidade de um conv\u00edvio que aglutina atritos, luto e confian\u00e7a. A solid\u00e3o de Ana e o distanciamento dos amigos retroalimenta o pacto t\u00e1cito entre as vizinhas de uni\u00e3o e comunh\u00e3o. Uma uni\u00e3o abrupta, longe daquelas do familismo tradicional ou das redes de apoio advindas de consanguinidade, mas que se perfaz sob o signo do desamparo e da mobiliza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as amorosas para a cria\u00e7\u00e3o de uma crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance de Mariana Salom\u00e3o Carrara, ainda que invista em um apelo realista inegoci\u00e1vel sobre a morte, o pranto, e o luto, traz a reboque uma imag\u00edstica quase t\u00e1til e sonora, por isso, po\u00e9tica, da maternagem em sua exaust\u00e3o, em seus c\u00e1lculos ag\u00f4nicos de futuro, do corpo que se dilui em leite, sono, letargia e medo. A experi\u00eancia limite do corpo gr\u00e1vido, da subjetividade de uma pu\u00e9rpera, de uma crian\u00e7a que cresce tendo a morte como fam\u00edlia, de duas vi\u00favas que esculpem, entre dana\u00e7\u00f5es de um processo judicial e partilhas generosas acossadas pelas aus\u00eancias, de uma amizade permitem a ascens\u00e3o de um lirismo embotado que n\u00e3o se presta \u00e0 catarse, n\u00eania. Toda a linguagem ali tem um fluxo de remetimento a um outro (relembramentos, queixas, melancolia), muito mais pela urg\u00eancia da escuta, de uma partilha incessante de si, das dores de se continuar viva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PROEN\u00c7A, Giovana (2022). N\u00e3o fossem as s\u00edlabas do s\u00e1bado: fic\u00e7\u00e3o de afetos marcada pela trag\u00e9dia. <em>Pensar-Estado de Minas<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/pensar\/2022\/12\/09\/interna_pensar,1431299\/nao-fossem-as-silabas-do-sabado-ficcao-de-afetos-marcada-pela-tragedia.shtml\">https:\/\/www.em.com.br\/app\/noticia\/pensar\/2022\/12\/09\/interna_pensar,1431299\/nao-fossem-as-silabas-do-sabado-ficcao-de-afetos-marcada-pela-tragedia.shtml<\/a>. Acesso em: 28 mar. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ARA\u00daJO, Cynthia Pereira de (2022). \u00c9 sempre a hora da nossa morte. <em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/morte-sem-tabu\/2022\/06\/e-sempre-a-hora-da-nossa-morte.shtml\">https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/blogs\/morte-sem-tabu\/2022\/06\/e-sempre-a-hora-da-nossa-morte.shtml<\/a>. Acesso em: 28 mar. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3531.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3531\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Todavia-2022.webp\" data-caption-title=\"Todavia, 2022\" data-attachment-id=\"3532\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Todavia, 2022\" width=\"250\" height=\"379\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Todavia-2022\/500503162.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22379%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20379%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Todavia, 2022<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARRARA, Mariana Salom\u00e3o. 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