{"id":3425,"date":"2025-02-05T15:31:41","date_gmt":"2025-02-05T18:31:41","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3425"},"modified":"2026-07-15T07:18:24","modified_gmt":"2026-07-15T10:18:24","slug":"de-gados-e-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3425","title":{"rendered":"De gados e homens"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">MAIA, Ana Paula. <em>De gados e homens. <\/em>Rio de Janeiro: Record, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Juliana Florentino Hampel<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Moreno Lago<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ana Paula Maia (Nova Igua\u00e7u, RJ, 1977) \u00e9 escritora e roteirista. Estreou na cena liter\u00e1ria com a obra <em>O habitante das falhas subterr\u00e2neas <\/em>(2003), editada pela 7 Letras. Em 2007, publicou seu segundo romance, <em>A guerra dos bastardos<\/em>, no qual surge pela primeira vez a figura de Edgar Wilson, trabalhador r\u00fastico que passa a fazer parte do cen\u00e1rio violento e desolador de suas pr\u00f3ximas hist\u00f3rias. <em>Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos<\/em> e <em>O trabalho sujo dos outros<\/em> s\u00e3o duas novelas publicadas em conjunto pela Record no ano de 2009 nas quais se destacam caracter\u00edsticas marcantes de sua escrita, como a narra\u00e7\u00e3o que mais se assemelha a uma s\u00e9rie televisiva, com um discurso pautado pela a\u00e7\u00e3o e pelo movimento. Com <em>Carv\u00e3o animal <\/em>(2011), a autora encerra o ciclo \u201cA saga dos brutos\u201d, trilogia marcada pelo texto enxuto e direto que tem como tema central a morte abordada \u201ccom uma est\u00e9tica pungente centrada nos restos e nas ru\u00ednas\u201d (Nevez e Zolin, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>De gados e homens<\/em> \u00e9 seu quinto romance, lan\u00e7ado em 2013, e tem Edgar Wilson atuando como um \u201catordoador\u201d de bois numa fazenda de abate bovino. De acordo com a pr\u00f3pria autora, a ideia da obra surgiu de sua observa\u00e7\u00e3o pessoal do funcionamento de um a\u00e7ougue pr\u00f3ximo a sua casa, ao presenciar o descarregamento di\u00e1rio de animais mortos e o consumo desenfreado de carne por parte das pessoas. Para escrever sobre o assunto, Ana Paula Maia diz ter visitado centros de abate de animais em cidades pequenas do interior, na busca de observar e compreender o trabalho realizado nesses locais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O espa\u00e7o da trama \u00e9 o matadouro \u201cTouro do Milo\u201d, localizado no Vale dos Ruminantes, situado em algum rinc\u00e3o rural. Nesse lugar, Edgar Wilson convive com Bronco Gil, capataz da fazenda e que tamb\u00e9m aparece nos demais livros da escritora. Seu dia a dia consiste em abater o maior n\u00famero de animais poss\u00edvel, porque, no matadouro, \u201co trabalho \u00e9 intermin\u00e1vel [e] enquanto tiver uma vaca neste mundo, l\u00e1 estar\u00e1 um sujeito disposto a mat\u00e1-la. E outro disposto a com\u00ea-la\u201d. Contudo, h\u00e1 um diferencial em sua t\u00e9cnica de preparar o animal para a morte, pois ele acredita que n\u00e3o lhe cause sofrimento, porque antes cumpre uma esp\u00e9cie de ritual. Na verdade, o que ele faz \u00e9 \u201cencomendar a alma de cada animal antes de ser degolado\u201d. Em tal processo, ele acredita ser o mais competente, por ser detentor de \u201cum golpe preciso, um talento raro que carrega em si uma ci\u00eancia oculta em lidar com os ruminantes\u201d. N\u00e3o se sente orgulhoso do trabalho que realiza, \u201cmas se algu\u00e9m tem que faz\u00ea-lo, que seja ele, que tem piedade dos irracionais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Do ponto de vista da narra\u00e7\u00e3o, a hist\u00f3ria \u00e9 contada com uma frieza t\u00e9cnica proveniente do foco no detalhe descritivo da mec\u00e2nica de funcionamento de um abatedouro. O aspecto imag\u00e9tico da obra visa explorar o real em sua m\u00e1xima express\u00e3o, atingindo \u201co n\u00facleo duro e aut\u00eantico dos acontecimentos\u201d (Neves e Zolin, 2021), fazendo uso do presente, pr\u00f3prio dos roteiros de cinema, e criando a percep\u00e7\u00e3o de um discurso f\u00edlmico em que cenas obscenamente violentas s\u00e3o mostradas com uma visualidade cient\u00edfica (Aguiar, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>De gados e homens<\/em>, o tema da bestializa\u00e7\u00e3o dos homens em contraposi\u00e7\u00e3o \u00e0 humaniza\u00e7\u00e3o dos animais \u00e9 apresentado por meio de cenas em que o assassinato de uma pessoa pode ser realizado com a mesma t\u00e9cnica de abate de animais e, contraditoriamente, com maior crueldade. \u00c9 desse modo que Edgar Wilson elimina o companheiro de trabalho Zeca, por acreditar que ele sente prazer em presenciar o sofrimento dos bois mortos na fazenda \u201ccom a mesma limpeza de seu trabalho, [por\u00e9m] sem a compaix\u00e3o dispensada ao gado\u201d (Coelho, 2022).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O contato com os restos, aquilo que n\u00e3o \u00e9 mais \u00fatil \u00e0 sociedade, e com as ru\u00ednas, representadas pela decrepitude de um mundo no qual tudo est\u00e1 podre e estragado, denuncia os espa\u00e7os e corpos deteriorados presentes em um enredo que mostra ao leitor um mundo brutalizado no qual reina a explora\u00e7\u00e3o laboral e que revela a l\u00f3gica produtivista de mercado em a\u00e7\u00e3o. Essa realidade \u00e9 representada atrav\u00e9s de uma linguagem crua que beira o realismo\/naturalismo, em um hibridismo de forma que remete ao g\u00eanero romance criminal, uma vez que o mal apresentado \u00e9 cotidiano, e a viol\u00eancia est\u00e1 presente na pr\u00f3pria ordem do trabalho, na vida pr\u00e1tica e no lazer das personagens: \u201cO homem prende a respira\u00e7\u00e3o e mergulha num tonel de \u00e1gua. Os outros ao redor [&#8230;] Riem. Quando passa um minuto, silenciam gradativamente [&#8230;] dois minutos. Dezenove segundos depois, Burunga suspende a cabe\u00e7a, roxo pela falta de ar\u201d. Ele faz isso porque \u201ctem urg\u00eancia em arranjar dinheiro para os olhos deficientes da filha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, a criminalidade exposta na trama est\u00e1 associada \u00e0 inefici\u00eancia do Estado em garantir a seguran\u00e7a de seus cidad\u00e3os, que forjam suas identidades de forma brutalizada com base nessa inefic\u00e1cia da seguran\u00e7a p\u00fablica que opera por um sistema de camaradagem e descaso, no qual reina o sil\u00eancio de algozes e testemunhas diante de uma pol\u00edcia ineficiente e desinteressada (Kill e Guizo, 2020). Conforme afirma Andr\u00e9 Aguiar (2022), \u201ca viol\u00eancia \u00e9 tema e o abjeto \u00e9 forma\u201d na produ\u00e7\u00e3o de Ana Paula Maia. Trata-se de uma viol\u00eancia gerada pelo pr\u00f3prio sistema ao qual est\u00e3o submetidos esses homens explorados, abandonados \u00e0 pr\u00f3pria sorte e que precisam criar suas regras de sobreviv\u00eancia, expondo um mundo de rela\u00e7\u00f5es agressivas mediadas pela faca ou arma de fogo muito mais do que pela palavra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em raz\u00e3o disso, \u00e9 feita uma aproxima\u00e7\u00e3o tanto do comportamento quanto do espa\u00e7o partilhado por homens e animais. O alojamento onde mora Edgar Wilson e os demais trabalhadores do Touro do Milo que n\u00e3o tem familiares \u00e9 semelhante ao curral reservado ao gado: \u201cAmbos confinamentos, de gado e de homens, est\u00e3o lado a lado, e o cheiro, por vezes, os assemelham. Somente as vozes de um lado e os mugidos do outro \u00e9 que distinguem homens e ruminantes\u201d. Um universo barbarizado em que as alteridades \u201canimal e humana s\u00e3o usurpadas pelas tecnologias biopol\u00edticas de separa\u00e7\u00e3o, conten\u00e7\u00e3o e capitaliza\u00e7\u00e3o\u201d (Neves e Zolin, 2021) e no qual se oferece uma experi\u00eancia do real que \u00e9 expl\u00edcita e obscena, destacando os processos de objetifica\u00e7\u00e3o humana e animal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que o leitor vai encontrar ao ler <em>De gados e homens<\/em> s\u00e3o as vias de explora\u00e7\u00e3o cont\u00ednuas do humano e do animal em uma racionalidade econ\u00f4mica que os prepara para serem for\u00e7a de trabalho e mercadoria. Assim, viver e morrer s\u00e3o ocorr\u00eancias que n\u00e3o interrompem a linha de produ\u00e7\u00e3o da transforma\u00e7\u00e3o de corpos: \u201cDuas semanas depois da morte de Burunga, \u00e9 como se ele nunca tivesse estado ali. Em sua fun\u00e7\u00e3o foi colocado um dos funcion\u00e1rios da bucharia e [l\u00e1] o trabalho foi [novamente] dividido. Assim como o gado assemelha-se entre si [&#8230;] com os homens parece ocorrer o mesmo. A linha do tempo \u00e9 como a linha da morte: n\u00e3o pode ser interrompida\u201d. Burunga morre eletrocutado por uma enguia que havia sido colocada no tonel de \u00e1gua em que ele prendia a respira\u00e7\u00e3o durante as apostas. Um acidente provocado pelo novo atordoador, Santiago, que \u201cs\u00f3 queria criar a enguia, era de estima\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cl\u00edmax da narrativa, ato que suspende momentaneamente a rotina maquinal do abatedouro, se d\u00e1 quando, por alguma raz\u00e3o desconhecida, as vacas come\u00e7am a se suicidar. Em tr\u00eas diferentes epis\u00f3dios, os ruminantes rompem as cercas do curral e saem em disparada na dire\u00e7\u00e3o de um precip\u00edcio, atirando-se e caindo \u00e0s margens do Rio das Moscas. Edgar Wilson pondera que \u201cem lugares onde o sangue se mistura ao solo e \u00e0 \u00e1gua \u00e9 dif\u00edcil fazer qualquer tipo de distin\u00e7\u00e3o entre o humano e o animal\u201d. Os bois passam a tomar decis\u00f5es que n\u00e3o correspondem \u00e0s de seres irracionais, como s\u00e3o reconhecidos pelos trabalhadores. No entanto, o romance apresenta o epis\u00f3dio sem que haja maiores questionamentos por parte do narrador ou das personagens, estando estas resignadas e impossibilitadas de alterar a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A morte, dessa maneira, \u00e9 apresentada em suas mais variadas formas, e, de modo especial, como alimento para os miser\u00e1veis que vivem nas cercanias dos matadouros, e para os pr\u00f3prios trabalhadores, que, em certas ocasi\u00f5es, conseguem consumir os hamb\u00fargueres produzidos pela f\u00e1brica que \u00e9 abastecida pelos abatedouros. \u201cQuase uma hora depois, Tonho despeja um saco gordo com peda\u00e7os de vaca aos p\u00e9s das mulheres, que precisam disputar como uma matilha de c\u00e3es famintos\u201d. Em outra cena, Edgar Wilson come um hamb\u00farguer pela primeira vez com seus colegas, um alimento que \u201cassim, redondo e temperado, nem parece ter sido um boi. N\u00e3o se pode vislumbrar o horror desmedido que h\u00e1 por tr\u00e1s de algo t\u00e3o saboroso e delicado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que a prosa de Ana Paula Maia deixa ao leitor \u00e9 a vis\u00e3o de um universo degradado pelo capitalismo, no qual vida e morte se confundem porque s\u00e3o pe\u00e7as do sistema que se complementam e que permitem seu pleno funcionamento. A morte est\u00e1 em tudo, na natureza ao redor, que tem flores mais vermelhas por se alimentar do sangue do Rio das Moscas, na mis\u00e9ria da regi\u00e3o, que traz a fome e animaliza as pessoas e nas condi\u00e7\u00f5es degradantes dos trabalhadores, que ganham centavos por cada cabe\u00e7a de gado abatida. Em <em>De gados e homens<\/em>, fica evidente que o pr\u00f3prio capitalismo polui tudo, da natureza \u00e0s rela\u00e7\u00f5es humanas e animais, e que h\u00e1 que se olhar para esse movimento pelo menos com alguma desconfian\u00e7a, j\u00e1 que parece n\u00e3o haver sa\u00eddas, ou ao menos elas n\u00e3o s\u00e3o sugeridas pela narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AGUIAR, Andr\u00e9 Luiz Godinho (2022). <em>Paisagens, animais e homens em Ana Paula Maia<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Universidade Federal de Vi\u00e7osa, Vi\u00e7osa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COELHO, Paulo V\u00edtor (2022). A agonia de gados e homens e o real saturado em um romance de Ana Paula Maia. In: LIMA, Gabriel dos Santos (Org.) <em>Estudos do Romance Brasileiro no S\u00e9culo XXI. <\/em>Porto Alegre, RS: Editora Fi, p. 98-120.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KILL, Diego; GUIZZO, Ant\u00f4nio Rediver (2020). O abatedouro e os abatidos de Ana Paula Maia: um estudo das representa\u00e7\u00f5es da viol\u00eancia em <em>De gados e homens.<\/em> <em>Olho d\u2019\u00e1gua<\/em>, S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto, 12(2), p. 201-214, jun-dez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NEVES, L. de A.; ZOLIN, L. O (2021). Ana Paula Maia e a literatura de autoria feminina: mulheres no seu (in)devido lugar.&nbsp;<em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, (62), p. 1-13. &nbsp;Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/37471\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/37471<\/a>. Acesso em:&nbsp; 28 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">OLIVEIRA, Andria da Silva (2020) O olhar que transcende os olhos: <em>De gados e homens<\/em>, de Ana Paula Maia. <em>Revista Alere<\/em>, ano 14, vol. 22, n. 2, jul, p. 55-69.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3475.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3475\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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data-caption-title=\"Record, 2013\" data-attachment-id=\"3476\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Record, 2013\" width=\"250\" height=\"385\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Record-2013\/3243647205.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22385%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20385%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 2013<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Argentina-Eterna-Cadencia-2015.webp\" data-caption-title=\"Argentina, Eterna Cadencia, 2015\" data-attachment-id=\"3477\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Argentina, Eterna Cadencia, 2015\" width=\"250\" height=\"393\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Argentina-Eterna-Cadencia-2015\/950358402.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22393%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20393%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Argentina, Eterna Cadencia, 2015<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Franca-Anacaona-2015.webp\" data-caption-title=\"Fran\u00e7a, Anacaona, 2015\" data-attachment-id=\"3478\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Fran\u00e7a, Anacaona, 2015\" width=\"250\" height=\"409\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Franca-Anacaona-2015\/3771088427.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22409%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20409%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Fran\u00e7a, Anacaona, 2015<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Italia-Nuova-Frontiera-2016.webp\" data-caption-title=\"It\u00e1lia, Nuova Frontiera, 2016\" data-attachment-id=\"3479\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"It\u00e1lia, Nuova Frontiera, 2016\" width=\"250\" height=\"371\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Italia-Nuova-Frontiera-2016\/2961625292.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22371%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20371%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption 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De gados e homens. Rio de Janeiro: Record, 2013. Juliana Florentino HampelIlustra\u00e7\u00e3o: Moreno Lago Ana Paula Maia (Nova Igua\u00e7u, RJ, 1977) \u00e9 escritora e roteirista. Estreou na cena liter\u00e1ria com a obra O habitante das falhas subterr\u00e2neas (2003), editada pela 7 Letras. 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