{"id":3423,"date":"2025-03-13T09:27:23","date_gmt":"2025-03-13T12:27:23","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3423"},"modified":"2025-11-12T17:59:05","modified_gmt":"2025-11-12T20:59:05","slug":"cidade-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3423","title":{"rendered":"Cidade livre"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">ALMINO, Jo\u00e3o. <em>Cidade livre<\/em>. Rio de Janeiro: Record, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Sophia Beal<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Nina Nunes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando Bras\u00edlia foi inaugurada, em 1960, j\u00e1 possu\u00eda uma identidade art\u00edstica pr\u00f3pria: pr\u00e9dios, esculturas e azulejos exibiam a est\u00e9tica modernista do Plano Piloto, enquanto a xilografia, o repente e o cordel anunciavam a forte influ\u00eancia nordestina nas periferias. A identidade art\u00edstica da capital continuou evoluindo. O Distrito Federal foi um n\u00facleo da poesia marginal dos anos 1970 e do rock nacional nos anos 1980. No entanto, demorou para a capital ser associada a romances, tanto a fim de a urbe ser representada criativamente em formato de livro impresso, quanto de ser vista como um lugar onde romances premiados s\u00e3o escritos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0Foi apenas com o surgimento do Quinteto de Bras\u00edlia, uma s\u00e9rie de romances do escritor e diplomata Jo\u00e3o Almino (Mossor\u00f3, RN, 1950) publicada pela editora Record, que a capital ganhou um \u201cromancista de Bras\u00edlia\u201d (Couto, 2010). O Quinteto come\u00e7a com <em>Ideias para onde passar o fim do mundo<\/em> (1987), seguido por <em>Samba-enredo<\/em> (1994), <em>As cinco esta\u00e7\u00f5es do amor<\/em> (2001), <em>O livro das emo\u00e7\u00f5es<\/em> (2008) e, finalmente, <em>Cidade livre <\/em>(2010). A s\u00e9rie retrata uma Bras\u00edlia socialmente segregada e violenta em cenas ambientadas desde os anos 1950 at\u00e9 cerca de 2080, quando o autor inventa um futuro para o Distrito Federal. Membro da Academia Brasileira de Letras desde 2017, Almino \u00e9 autor de oito romances e tem livros traduzidos para espanhol, franc\u00eas, holand\u00eas, ingl\u00eas e italiano. Ele \u00e9 mais conhecido por seus romances ambientados na capital do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0Nos quatro primeiros romances do Quinteto, a artificialidade da capital funciona metaforicamente para refletir a superficialidade das personagens, mas, em <em>Cidade livre<\/em>, a cidade ganha maior protagonismo. Nesse livro, o narrador, Jo\u00e3o, \u00e9 um jornalista da Bras\u00edlia contempor\u00e2nea que relembra a experi\u00eancia de crescer no acampamento oper\u00e1rio Cidade livre, surgido em 1957 durante a constru\u00e7\u00e3o do Distrito Federal. Embora devesse ter sido desfeita ap\u00f3s a inaugura\u00e7\u00e3o da capital, a Cidade livre nunca foi destru\u00edda, e agora \u00e9 a regi\u00e3o administrativa N\u00facleo Bandeirante. O narrador est\u00e1 tentando compreender a morte e o prov\u00e1vel assassinato do oper\u00e1rio Valdivino, um amigo da fam\u00edlia. Jo\u00e3o entrevista seu j\u00e1 idoso pai adotivo, Moacyr Ribeiro, que est\u00e1 preso. Os temas de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e corrup\u00e7\u00e3o nesse setor surgem atrav\u00e9s desse personagem, que fez fortuna negociando arrendamentos tempor\u00e1rios de lotes na Cidade livre, erguendo moradias e se envolvendo em projetos de constru\u00e7\u00e3o corruptos da \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o da capital. O grande sucesso de Moacyr durou pouco, e ele acabou na pris\u00e3o por causa de seus neg\u00f3cios fraudulentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Valdivino e Moacyr ocupavam posi\u00e7\u00f5es equivalentes em termos de vidas rom\u00e2nticas, pois ambos estavam apaixonados pela mesma mulher: Lucr\u00e9cia. No entanto, economicamente suas situa\u00e7\u00f5es divergiam, porque Moacyr se tornava pr\u00f3spero, ao passo que Valdivino nem tinha moradia fixa, em parte porque vivia fugindo da d\u00edvida com o homem que arranjou sua viagem do Nordeste ao Planalto Central. Alegoricamente, Valdivino passa a representar a luta das classes populares no Distrito Federal para encontrar moradia e fazer suas vozes serem ouvidas. O assassinato misterioso aumenta a sensa\u00e7\u00e3o de que os oper\u00e1rios s\u00e3o tratados como descart\u00e1veis. Apesar de essa cr\u00edtica estar presente nos quatro primeiros romances do Quinteto, ela \u00e9 mais pronunciada em <em>Cidade livre<\/em>, livro em que uma personagem socialmente marginalizada tem um papel mais central. A profetisa Lucr\u00e9cia, tamb\u00e9m conhecida como \u00cdris Quelem\u00e9m, figura em todos os livros do Quinteto e no romance <em>Enigmas da primavera <\/em>(2015), de Almino. A presen\u00e7a dela vincula a fic\u00e7\u00e3o de Almino \u00e0 forte tradi\u00e7\u00e3o de comunidades religiosas do Cerrado, em particular ao Vale do Amanhecer e \u00e0 Cidade Ecl\u00e9tica. Tia Neiva e Mestre Yokaanam, m\u00e9diuns dessas comunidades, eram, supostamente, mentores de Lucr\u00e9cia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de contar a hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, <em>Cidade livre<\/em> chama a aten\u00e7\u00e3o para as injusti\u00e7as em rela\u00e7\u00e3o a quem pode representar e interpretar o Distrito Federal na escrita, seja fic\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o. Aludindo aos pr\u00f3logos de romances de Machado de Assis \u2013 assinados pelo autor, mas com autoria atribu\u00edda aos narradores \u2013 a introdu\u00e7\u00e3o de <em>Cidade livre<\/em> \u00e9 assinada por JA, mas escrita por um narrador-jornalista chamado Jo\u00e3o, que agradece a Jo\u00e3o Almino pelas revis\u00f5es. O questionamento da autoridade em <em>Cidade livre <\/em>procura examinar como autores e cr\u00edticos policiam o significado. O romance abrange o contraste entre as interpreta\u00e7\u00f5es de Bras\u00edlia divulgadas por figuras p\u00fablicas, que influenciaram a opini\u00e3o geral sobre a cidade, e as interpreta\u00e7\u00f5es das classes populares sobre a capital, que muitas vezes n\u00e3o foram publicadas. Embora o conte\u00fado de <em>Cidade livre<\/em> seja associado ao romance hist\u00f3rico, o estilo o afasta dos fatos, o que convida \u00e0 cr\u00edtica social. O fato de os leitores terem em m\u00e3os um livro publicado, ao passo que o narrador diz que est\u00e3o lendo um blog coletivo de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o acentua a literalidade (falsidade, inven\u00e7\u00e3o) do romance. A desconex\u00e3o torna o leitor mais consciente dos la\u00e7os hist\u00f3ricos dos romances com o controle cultural e ideol\u00f3gico elitista (Beal, 2021).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todos os romances de Almino combinam elementos associados \u00e0 fic\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna (como metafic\u00e7\u00e3o, fragmenta\u00e7\u00e3o, interrup\u00e7\u00e3o narrativa, narradores n\u00e3o confi\u00e1veis, pastiche e alus\u00e3o liter\u00e1ria) com componentes de romances policiais (como assassinatos, prostitui\u00e7\u00e3o, drogas, lasc\u00edvia, di\u00e1logos contundentes e incesto). Essa mistura provoca estranhamento porque o leitor fica perdido entre os registros: ele nunca pode se entregar totalmente \u00e0 fantasia do enredo e nunca sabe exatamente como abordar o livro. Tal tensionamento na fic\u00e7\u00e3o questiona como uma elite liter\u00e1ria dominante estabeleceu falsos limites em rela\u00e7\u00e3o ao que considera \u201calta\u201d e \u201cbaixa\u201d cultura para manter seu <em>status<\/em> e exercer controle ideol\u00f3gico. Ao fazer essa mistura em um romance que discute a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria elitista, Almino estabelece uma rela\u00e7\u00e3o entre o controle que as classes dominantes t\u00eam sobre a distribui\u00e7\u00e3o de terras no Brasil e o controle que elas exercem sobre a distribui\u00e7\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o das obras de arte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00a0Ao longo do romance, o leitor fica ciente de que a seguran\u00e7a habitacional e a possibilidade de divulga\u00e7\u00e3o de ideias s\u00e3o privil\u00e9gios sociais. Valdivino, na medida em que representa as classes populares no Distrito Federal, vive uma vida marcada justamente pela falta da garantia de moradia e pelo silenciamento de suas convic\u00e7\u00f5es (Beal, 2021). Em compara\u00e7\u00e3o, os comentaristas do blog em <em>Cidade livre<\/em> ficam t\u00e3o envolvidos com pequenos detalhes da funda\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia que n\u00e3o conseguem ver o quadro geral que seus relatos evocam: uma hist\u00f3ria de especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, desigualdade e viol\u00eancia n\u00e3o regulamentada que assombra a capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Concebido como um livro que reflete sobre quem tem o direito de representar a capital por escrito, <em>Cidade livre <\/em>antecipa a literatura que ganhou destaque no Distrito Federal nas d\u00e9cadas ap\u00f3s o lan\u00e7amento do romance. Muitas vezes empoderados na \u00e9tica coletiva de saraus, <em>slams<\/em>, pequenas editoras e centros comunit\u00e1rios, escritores com identidades marginalizadas \u2013 especialmente mulheres, negros, pessoas LGBTQIAP+, residentes da periferia e autores com m\u00faltiplas dessas identidades \u2013 come\u00e7aram a publicar livros de poesia e prosa com muito mais frequ\u00eancia, assim ampliando a representa\u00e7\u00e3o da capital e insistindo em ocupar e criar a cidade liter\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SARAIVA, Juracy Assman; M\u00dcGGE, Ernani (2016). <em>Cidade livre<\/em>: reflex\u00e3o metaficcional. <em>Letras<\/em>, Santa Maria, v. 26, n. 53, p. 199-214. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufsm.br\/letras\/article\/view\/25090\/0\">https:\/\/periodicos.ufsm.br\/letras\/article\/view\/25090\/0<\/a>. Acesso em: 17 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BEAL, Sophia (2021). Jo\u00e3o Almino e o direito criativo \u00e0 cidade. In<em>: <\/em>BEAL, Sophia. <em>A arte de Bras\u00edlia<\/em>: 2000-2019. Tradu\u00e7\u00e3o de Larissa Satico Ribeiro Higa. Minneapolis: University of Minnesota Libraries Publishing. p. 71-90. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/umnlibraries.manifoldapp.org\/read\/a-arte-de-brasilia-2000-2019\/section\/11019d10-5e7f-4574-b33d-055a7f2c6f9c\">https:\/\/umnlibraries.manifoldapp.org\/read\/a-arte-de-brasilia-2000-2019\/section\/11019d10-5e7f-4574-b33d-055a7f2c6f9c<\/a>. Acesso em: 17 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COUTO, Ronaldo Costa (2010). Livro recria o in\u00edcio doido de Bras\u00edlia. <em>Folha de S\u00e3o Paulo<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/joaoalmino.com\/livro-recria-o-inicio-doido-de-brasilia-cidade-livre\">https:\/\/joaoalmino.com\/livro-recria-o-inicio-doido-de-brasilia-cidade-livre<\/a>. Acesso em: 17 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MONTEIRO, Pedro Meira (2010). Todo instante: a fic\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Almino. <em>Luso-Brazilian Review<\/em>, Madison, v. 27, n. 1, p. 61-70. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/lbr.uwpress.org\/content\/47\/1\/61\">https:\/\/lbr.uwpress.org\/content\/47\/1\/61<\/a>. Acesso em: 17 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3471.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3471\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Record-2013.webp\" data-caption-title=\"Record, 2013\" data-attachment-id=\"3472\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Record, 2013\" width=\"250\" height=\"385\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Record-2013\/3015643150.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22385%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20385%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 2013<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Estados-Unidos-Dalkey-2013.webp\" data-caption-title=\"EUA, Dalkey, 2013\" data-attachment-id=\"3473\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"EUA, Dalkey, 2013\" width=\"250\" height=\"392\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Estados-Unidos-Dalkey-2013\/1408664970.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22392%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20392%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">EUA, Dalkey, 2013<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALMINO, Jo\u00e3o. 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