{"id":3417,"date":"2025-03-13T11:08:00","date_gmt":"2025-03-13T14:08:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3417"},"modified":"2025-11-12T18:01:55","modified_gmt":"2025-11-12T21:01:55","slug":"boca-do-inferno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3417","title":{"rendered":"Boca do Inferno"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">MIRANDA, Ana. <em>Boca do Inferno<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Marina Maximiano Ferreira de Souza<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Marcio Vaccari<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ana Miranda (Fortaleza, CE, 1951) \u00e9 uma multifacetada artista brasileira, conhecida tanto por seus trabalhos como atriz quanto por sua carreira liter\u00e1ria como romancista, cronista e poeta. Ela estreou no cen\u00e1rio liter\u00e1rio com a colet\u00e2nea de poemas <em>Anjos e dem\u00f4nios<\/em> (1978), mas seu reconhecimento se deve principalmente aos romances. Seu primeiro romance, <em>Boca do Inferno<\/em> (1989), permanece como sua obra mais celebrada, tendo sido traduzida para diversos idiomas e lhe rendido o Pr\u00eamio Jabuti na categoria Revela\u00e7\u00e3o, em 1990. Miranda consolidou-se no g\u00eanero da fic\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com obras que dialogam com a hist\u00f3ria brasileira, como <em>Desmundo<\/em> (1996); e com obras que ficcionalizam os escritores do c\u00e2none nacional, como o romance <em>Boca do Inferno<\/em> (1989), cujo t\u00edtulo se refere \u00e0 alcunha de Greg\u00f3rio de Matos, e como o romance <em>A \u00faltima quimera<\/em> (1995), cujo t\u00edtulo se refere a um dos versos do poema \u201cVersos \u00edntimos\u201d, de Augusto dos Anjos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro<em> Boca do Inferno<\/em> se passa na Bahia do s\u00e9culo XVII, durante o per\u00edodo barroco, e tem como protagonistas o poeta Greg\u00f3rio de Matos e o jesu\u00edta Ant\u00f3nio Vieira. Os personagens se veem envolvidos em uma trama de assassinato e disputa pol\u00edtica. A narrativa \u00e9 estruturada em seis partes: \u201cA cidade\u201d, \u201cO crime\u201d, \u201cA vingan\u00e7a\u201d, \u201cA devassa\u201d, \u201cA queda\u201d e \u201cO destino\u201d. Cada parte come\u00e7a com um texto introdut\u00f3rio e \u00e9 dividida por cap\u00edtulos ou subcap\u00edtulos, com exce\u00e7\u00e3o da \u00faltima, um \u201cep\u00edlogo\u201d, narrada em um \u00fanico bloco e separada apenas por asteriscos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de iniciar a primeira parte, h\u00e1 uma dedicat\u00f3ria: \u201cpara Rubem Fonseca\u201d. Em entrevista concedida a Susana Souto Silva, \u201cPelos caminhos da fic\u00e7\u00e3o e da Hist\u00f3ria: entrevista com Ana Miranda\u201d, a autora revela que trabalhou durante dez anos nos originais, sempre com o apoio de Fonseca, que acompanhou de perto a elabora\u00e7\u00e3o do livro. Tamb\u00e9m a obra <em>Dias &amp; Dias<\/em> (2002) \u00e9 inspirada no escritor. Segundo Miranda, o t\u00edtulo desse romance est\u00e1 relacionado com um poema in\u00e9dito de Rubem Fonseca, intitulado \u201cDias ap\u00f3s dias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira parte, intitulada \u201cA cidade\u201d, transporta o leitor para a Bahia de 1683, quase trinta anos ap\u00f3s a expuls\u00e3o dos holandeses. A autora, por meio de um narrador onisciente na terceira pessoa, combina a paisagem paradis\u00edaca com \u201crios l\u00edmpidos, de c\u00e9u sempre azul, terras f\u00e9rteis, florestas de \u00e1rvores frondosas\u201d, com a presen\u00e7a de dem\u00f4nios que \u201caliciavam almas para povoar o Inferno\u201d. Em meio a esse contraste, s\u00e3o apresentados dois personagens da trama: o poeta barroco Greg\u00f3rio de Matos e o antagonista Ant\u00f4nio de Souza de Menezes, o \u201cBra\u00e7o de Prata\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda parte, intitulada \u201cO crime\u201d, narra o assassinato do alcaide-mor de Salvador por seus opositores, introduzindo-se, portanto, novos personagens \u00e0 trama: a fam\u00edlia Rascavo Vieira, os irm\u00e3os Brito, a dama de companhia Maria Berco, Luiz Bonicho e Donato Serotino. Essa parte tamb\u00e9m oferece uma descri\u00e7\u00e3o detalhada de Greg\u00f3rio de Matos, retratado com \u201ccabelos tonsurados\u201d, \u201celegante e limpo\u201d, com um \u201crosto muito branco, testa espa\u00e7osa, sobrancelhas arqueadas, m\u00e3os gesticulando e p\u00e9s delicados arrastando-se no ch\u00e3o como vassouras\u201d. Ele ainda \u00e9 descrito usando \u201cum colete de pelica de \u00e2mbar\u201d. A escritora utiliza a intertextualidade para inserir fragmentos da poesia de Greg\u00f3rio de Matos na narrativa, al\u00e9m de express\u00f5es latinas de autores cl\u00e1ssicos como Virg\u00edlio e S\u00eaneca, enriquecendo a trama com essas refer\u00eancias liter\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A terceira parte do romance concentra-se na vingan\u00e7a da fam\u00edlia Menezes em resposta ao assassinato do alcaide. Enquanto na segunda parte destaca-se a figura do poeta barroco Greg\u00f3rio de Matos, nessa parte, a narrativa desloca seu foco para o jesu\u00edta Ant\u00f3nio Vieira, explorando aspectos da personalidade do padre, como sua avers\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia: \u201cPadre Vieira n\u00e3o toma parte pessoalmente em qualquer viol\u00eancia, talvez nunca tenha matado uma mosca\u201d. A hist\u00f3ria de Ant\u00f3nio Vieira, narrada nessa terceira parte do romance, \u00e9 marcada pelo retorno de Portugal, onde o padre enfrentara um processo inquisitorial por acusa\u00e7\u00f5es de juda\u00edsmo e supersti\u00e7\u00f5es. Ao voltar de Portugal para a Bahia, ele se recolhe no convento dos jesu\u00edtas, afastando-se da pol\u00edtica, levando uma vida de fil\u00f3sofo e ocupando seus dias reescrevendo serm\u00f5es. Nas partes seguintes do romance, intituladas \u201cA devassa\u201d e \u201cA queda\u201d, o foco principal volta-se para a resolu\u00e7\u00e3o da intriga.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00faltima parte, \u201cO destino\u201d, apresenta os desfechos de alguns personagens centrais envolvidos na trama, incluindo Greg\u00f3rio de Matos, Ant\u00f3nio Vieira, Bernardo Ravasco, Ant\u00f4nio de Souza de Menezes, Ant\u00f4nio de Brito e Maria Berco. A narrativa encerra-se de forma circular, uma vez que, tal como na parte de abertura do romance, a cidade da Bahia \u00e9 o foco principal. A alus\u00e3o \u00e0 cidade, no \u00faltimo par\u00e1grafo desse \u201cep\u00edlogo\u201d, fecha a narrativa e retoma o seu in\u00edcio: \u201cA CIDADE DA BAHIA cresceu, modificou-se. Mas haveria de ser para sempre um cen\u00e1rio de prazer e pecado, que encantava todos os que nela viviam ou a visitavam, fossem seres humanos, anjos ou dem\u00f4nios. N\u00e3o deixaria de ser, nunca, a cidade onde viveu o Boca do Inferno\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>Boca do Inferno<\/em>, Miranda usa uma combina\u00e7\u00e3o de narrador heterodieg\u00e9tico com a perspectiva de personagens, em particular com a de Greg\u00f3rio de Matos, criando a impress\u00e3o de que o poeta possui voz narrativa. Esse recurso \u00e9 evidenciado nos mon\u00f3logos, nos di\u00e1logos e no uso do discurso indireto livre, nos quais Greg\u00f3rio de Matos expressa opini\u00f5es e cr\u00edticas sobre quest\u00f5es pol\u00edticas, sociais e religiosas. Por exemplo, em determinado mon\u00f3logo, ele exclama: \u201cO que ou\u00e7o? Ro\u00e7agares de saias? Ah, mulheres, minhas pretas\u201d. Nos di\u00e1logos entre Greg\u00f3rio de Matos e outros personagens, a impress\u00e3o que o texto passa ao leitor \u00e9 a de que o poeta assume a voz narrativa: \u201cL\u00e1 vai o frade fodinch\u00e3o, disse Greg\u00f3rio de Matos. Frade descal\u00e7o pregando de meia. S\u00e3o uns velhacos. [&#8230;]\u201d. Al\u00e9m disso, o uso do discurso indireto livre mescla as ideias do narrador com as do poeta barroco, ocultando a presen\u00e7a autoral do primeiro e criando a ilus\u00e3o de que o segundo est\u00e1 no controle da narra\u00e7\u00e3o: \u201cEsta cidade acabou-se [&#8230;] N\u00e3o \u00e9 mais a Bahia. Antigamente, havia muito respeito. Hoje, at\u00e9 dentro da pra\u00e7a, nas barbas da infantaria, nas bochechas dos granachas, na frente da forca, fazem assaltos \u00e0 vista\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Miranda demonstra uma habilidade not\u00e1vel ao explorar os pontos de contato entre fic\u00e7\u00e3o e hist\u00f3ria, utilizando uma linguagem rica e uma narrativa \u00e1gil. O romance mescla elementos hist\u00f3ricos oficiais com fic\u00e7\u00e3o, incorporando cita\u00e7\u00f5es em latim e express\u00f5es da \u00e9poca, como \u201cEst\u00e1s sentindo meu lampre\u00e3o?\u201d e \u201cO que pretende vossenhor fazer, dom Antonio?\u201d, contribuindo para uma ambienta\u00e7\u00e3o veross\u00edmil. As descri\u00e7\u00f5es detalhadas dos locais, da \u00e9poca e dos costumes s\u00e3o marcas distintivas da obra, destacando-se a recria\u00e7\u00e3o minuciosa da cidade e seus arredores, assim como a constru\u00e7\u00e3o aut\u00eantica de personagens hist\u00f3ricos e fict\u00edcios. Para alcan\u00e7ar essa autenticidade, a autora recorreu a uma grande quantidade de documentos hist\u00f3ricos e livros que foram fundamentais para a pesquisa do romance. A fus\u00e3o de dados hist\u00f3ricos com a imagina\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria resulta em uma narrativa que proporciona ao leitor uma imers\u00e3o profunda no contexto hist\u00f3rico do Brasil colonial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance \u00e9 centrado no ano de 1683, durante o governo de Ant\u00f4nio de Souza de Menezes (1682-1684), e a a\u00e7\u00e3o se passa na Bahia, que, \u00e0quela \u00e9poca, tinha Salvador como capital da col\u00f4nia brasileira. A Bahia \u00e9 apresentada como um personagem em si, com descri\u00e7\u00f5es detalhadas que capturam a vida cotidiana, a arquitetura e as paisagens da \u00e9poca. A figura de Ant\u00f4nio de Souza, personagem retratado como um sujeito cruel e opressor, refor\u00e7a a autenticidade hist\u00f3rica da narrativa, enquanto a inclus\u00e3o de not\u00edcias de Portugal amplia o horizonte do romance. Cr\u00edticas ao clero, dificuldades enfrentadas pelos engenhos, problemas relacionados aos escravos e quest\u00f5es envolvendo a Coroa portuguesa permeiam a narrativa, proporcionando uma vis\u00e3o cr\u00edtica e aprofundada das complexidades sociais e econ\u00f4micas da \u00e9poca. <em>Boca do Inferno<\/em> revisita um per\u00edodo marcado por governantes corruptos e resist\u00eancia popular, oferecendo aos leitores uma jornada enriquecedora pelo passado do pa\u00eds. Com uma narrativa detalhada e uma linguagem cuidadosamente constru\u00edda, a escritora Miranda revela aspectos pouco conhecidos, e at\u00e9 desconhecidos, da hist\u00f3ria. A obra lan\u00e7a luz sobre o contexto hist\u00f3rico da \u00e9poca e convida os leitores a refletirem sobre as situa\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais do Brasil colonial, transformando a leitura em uma experi\u00eancia profunda de descoberta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARTINS, Denis Pereira (2015). <em>Boca do Inferno<\/em>. Literatura x hist\u00f3ria: uma interpreta\u00e7\u00e3o do processo de cria\u00e7\u00e3o de Ana Miranda.&nbsp;<em>Revista Relegens Thr\u00e9skeia<\/em>,&nbsp;v. 4, n. 2, p. 168-179.&nbsp;Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revistas.ufpr.br\/relegens\/article\/view\/43550\">https:\/\/revistas.ufpr.br\/relegens\/article\/view\/43550<\/a>. Acesso em: 27 mai. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MIRANDA, Ana (2013). Pelos caminhos da fic\u00e7\u00e3o e da hist\u00f3ria: entrevista com Ana Miranda. [Entrevista concedida a] Susana Souto Silva.&nbsp;<em>Revista Leitura<\/em>,&nbsp;[S. l.], v. 1, n. 49, n.p. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.seer.ufal.br\/index.php\/revistaleitura\/article\/view\/958\">https:\/\/www.seer.ufal.br\/index.php\/revistaleitura\/article\/view\/958<\/a>. Acesso em: 15 jun. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ZANDANEL, Mar\u00eda Antonia (2000). <em>Boca do Inferno<\/em>, de Ana Miranda: hist\u00f3ria e fic\u00e7\u00e3o, a lenda de um poeta maldito na Bahia colonial.\u00a0<em>Revista de Literatura, Hist\u00f3ria e Mem\u00f3ria<\/em>,\u00a0 Cascavel, v. 7, n. 9, p. 63-77. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/e-revista.unioeste.br\/index.php\/rlhm\/article\/view\/5835\">https:\/\/e-revista.unioeste.br\/index.php\/rlhm\/article\/view\/5835<\/a>. Acesso em: 27 mai. 2024. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3446.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3446\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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data-caption-title=\"Companhia das Letras, 1990\" data-attachment-id=\"3447\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Companhia das Letras, 1990\" width=\"250\" height=\"371\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Companhia-das-Letras-1990\/726213234.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22371%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20371%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Companhia das Letras, 1990<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Lisboa-Publicacoes-Dom-Quixote-1990.webp\" data-caption-title=\"Lisboa, Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote, 1990\" data-attachment-id=\"3448\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Lisboa, Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote, 1990\" width=\"250\" height=\"371\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Lisboa-Publicacoes-Dom-Quixote-1990\/2903793717.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22371%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20371%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Lisboa, Publica\u00e7\u00f5es Dom Quixote, 1990<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Noruega-Gyldendal-Norsk-Forlag-1990.webp\" data-caption-title=\"Noruega, Gyldendal Norsk Forlag, 1990\" data-attachment-id=\"3449\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Noruega, Gyldendal Norsk Forlag, 1990\" width=\"250\" height=\"403\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Noruega-Gyldendal-Norsk-Forlag-1990\/3829721155.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22403%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20403%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Noruega, Gyldendal Norsk Forlag, 1990<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Italia-Rizzoli-1991.webp\" data-caption-title=\"It\u00e1lia, Rizzoli, 1991\" data-attachment-id=\"3450\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"It\u00e1lia, Rizzoli, 1991\" width=\"250\" height=\"333\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Italia-Rizzoli-1991\/3918156066.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22333%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20333%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" 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Julliard, 1992<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Alemanha-Kiepenheuer-Witsch-1992.webp\" data-caption-title=\"Alemanha, Kiepenheuer &amp;amp; Witsch, 1992\" data-attachment-id=\"3457\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Alemanha, Kiepenheuer &amp; Witsch, 1992\" width=\"250\" height=\"362\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Alemanha-Kiepenheuer-Witsch-1992\/3159058723.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22362%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20362%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span 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Boca do Inferno. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1989. Marina Maximiano Ferreira de SouzaIlustra\u00e7\u00e3o: Marcio Vaccari Ana Miranda (Fortaleza, CE, 1951) \u00e9 uma multifacetada artista brasileira, conhecida tanto por seus trabalhos como atriz quanto por sua carreira liter\u00e1ria como romancista, cronista e poeta. 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