{"id":3303,"date":"2025-01-19T01:01:37","date_gmt":"2025-01-19T04:01:37","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3303"},"modified":"2025-11-12T18:01:04","modified_gmt":"2025-11-12T21:01:04","slug":"todas-as-coisas-sao-pequenas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3303","title":{"rendered":"Todas as coisas s\u00e3o pequenas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">MUNDURUKU, Daniel. <em>Todas as coisas s\u00e3o pequenas. <\/em>S\u00e3o Paulo: Arx, 2008. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Giulia Campos<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Th\u00e9o Cris\u00f3stomo<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Todas as coisas s\u00e3o pequenas <\/em>\u00e9 uma narrativa sobre reconex\u00e3o e ressignifica\u00e7\u00f5es existenciais, que descreve e celebra a pot\u00eancia de for\u00e7as ind\u00edgenas ancestrais. A partir das situa\u00e7\u00f5es vividas por Carlos, o protagonista, o leitor \u00e9 guiado numa viagem que fala de quest\u00f5es filos\u00f3ficas e existenciais profundas, que reconfiguram o modo de ver e pensar do protagonista, e, consequentemente, do leitor. O romance \u00e9 um dos mais de 62 livros publicados por Daniel Munduruku (Bel\u00e9m, PA, 1964), tendo sido publicada em 2008, compondo, junto com outras 18 obras, o momento que at\u00e9 agora parece ser o de maior produ\u00e7\u00e3o do autor, de 2006 a 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Munduruku, que tamb\u00e9m \u00e9 ativista da causa ind\u00edgena, ator, professor e fil\u00f3sofo, faz parte do grande movimento de escritores que, integrados ao movimento pela luta dos direitos ind\u00edgenas, comp\u00f5em o que convencionou-se chamar de literatura ind\u00edgena, ou seja, express\u00f5es est\u00e9tico-liter\u00e1rias, pol\u00edticas e de pr\u00e1xis que contribuem para a publiciza\u00e7\u00e3o da luta ind\u00edgena no Brasil (Dorrico, 2018). Entre os seus muitos romances, contos e hist\u00f3rias infantis, Munduruku traz como tema a diversidade cultural ind\u00edgena, com foco nas ramifica\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas das culturas origin\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Munduruku \u00e9 mestre em antropologia social e doutor em educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo e \u00e9 um dos mais influentes pensadores e ativistas ind\u00edgenas da atualidade. Tamb\u00e9m fundou o Instituto Ind\u00edgena Brasileiro para Propriedade Intelectual (INBRAPI) e atualmente \u00e9 diretor-presidente do Instituto Uk\u2019a &#8211; A Casa dos Saberes Ancestrais, uma ONG e tamb\u00e9m selo editorial especializado na tem\u00e1tica ind\u00edgena. \u00c9 um autor premiado no Brasil e no exterior e venceu dois Pr\u00eamios Jabuti e o Pr\u00eamio da Academia Brasileira de Letras de melhor livro infantil, entre muitos outros. Em <em>Todas as coisas s\u00e3o pequenas, <\/em>Munduruku focaliza em especial o tema da desconex\u00e3o e solid\u00e3o do homem ocidental, e da pot\u00eancia filos\u00f3fica e existencial da ancestralidade e filosofia ind\u00edgenas, propondo uma reconex\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em entrevista para a revista <em>Rascunho<\/em>,em 2021, quando perguntado acerca do tema da solid\u00e3o e da desconex\u00e3o do indiv\u00edduo com for\u00e7as coletivas, Munduruku disse acerca da gera\u00e7\u00e3o brasileira criada para ser \u201calgu\u00e9m na vida\u201d: \u201c\u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o sabe mais olhar para tr\u00e1s para buscar sentidos da exist\u00eancia. \u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o voltada para a fic\u00e7\u00e3o chamada futuro. Reconectar-se exige \u2014 como a palavra diz \u2014 uma volta, um retorno, uma inflex\u00e3o\u201d (Saavedra, 2021). \u00c9 a partir dessa perspectiva que somos apresentados ao protagonista, Carlos, no in\u00edcio da narrativa do romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A premissa de <em>Todas as coisas s\u00e3o pequenas <\/em>\u00e9 um acidente de avi\u00e3o na Floresta Amaz\u00f4nica, que funciona como catalisador para descobertas e mudan\u00e7as dr\u00e1sticas na vida de Carlos, o protagonista. Ele se envereda em uma jornada de ressignifica\u00e7\u00e3o de valores e cren\u00e7as, num processo de desconstru\u00e7\u00e3o e reconstru\u00e7\u00e3o de seu pr\u00f3prio ser. Composto por 15 cap\u00edtulos, logo no primeiro, o leitor \u00e9 apresentado \u00e0s reflex\u00f5es existenciais do protagonista, um angustiado empres\u00e1rio brasileiro de sucesso: \u201cCome\u00e7o minhas reflex\u00f5es pensando nos vazios da exist\u00eancia\u201d. Por meio de suas reflex\u00f5es acerca da sociedade brasileira e de suas conclus\u00f5es acerca das pr\u00f3prias viv\u00eancias, ganhamos acesso ao universo de Carlos, com suas cren\u00e7as, sua amargura e suas ang\u00fastias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s anos de trabalho e dedica\u00e7\u00e3o pouco \u00edntegra \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de riquezas, Carlos decide tirar f\u00e9rias e ir para a Gr\u00e9cia, rememorar seus anos de educa\u00e7\u00e3o e deleite filos\u00f3fico e (tentativa em v\u00e3o) divertir-se com a pr\u00f3pria solid\u00e3o. Por\u00e9m, alguns dias antes da viagem, ele recebe um chamado familiar: a morte eminente de sua m\u00e3e. Decide, contrariado, interromper seu itiner\u00e1rio em alguns dias para visitar sua m\u00e3e em seu leito de morte, em sua cidade de origem no Mato Grosso, onde vivem, de maneira bem menos luxuosa, os seus irm\u00e3os. N\u00e3o chega a tempo e envereda-se em uma disputa com seus irm\u00e3os acerca da heran\u00e7a deixada pelos pais. Mesmo a partir da evid\u00eancia de que seus irm\u00e3os precisam da heran\u00e7a para pagar o tratamento de sua falecida m\u00e3e, Carlos opta, de forma ego\u00edsta, por disputar o pouco deixado pelos seus pais e rompe com os irm\u00e3os quando eles n\u00e3o o compreendem, decidindo partir no mesmo dia em seu avi\u00e3o particular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Amargurado, ele adormece e tem um sonho-press\u00e1gio em que seus pais caminham tristes rumo ao infinito. Ao acordar, Carlos se d\u00e1 conta de que o avi\u00e3o est\u00e1 caindo. \u00c9 a partir da queda do avi\u00e3o, no quarto cap\u00edtulo, que a \u201cnova hist\u00f3ria\u201d do protagonista come\u00e7a. Ap\u00f3s sobreviver \u00e0 terr\u00edvel batida e queda de seu avi\u00e3o, Carlos se v\u00ea sozinho na Floresta Amaz\u00f4nica, um organismo vivo que o aterroriza. Com fome, sede e ferido, ele caminha pela floresta em busca de \u00e1gua, sem sucesso: \u201cpassei a imaginar uma forma de conseguir \u00e1gua pot\u00e1vel. J\u00e1 tinha visto em filmes do Tarzan que era poss\u00edvel tirar \u00e1gua de cip\u00f3s existentes na floresta. Mas que cip\u00f3s eram esses? Que floresta era essa?\u201d Ap\u00f3s caminhar por horas sem encontrar \u00e1gua, Carlos se v\u00ea perdido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ludibriado pelos sons da floresta que mudam a todo momento, aterrorizando-o, ele trope\u00e7a e cai de um barranco de muitos metros. Ao acordar, Carlos se encontra em uma rede, com as pernas imobilizadas e uma touca de barro. Est\u00e1 sendo cuidado por um velho ind\u00edgena. Esse personagem, chamado primeiro de \u201chomem vermelho\u201d e depois de paj\u00e9, \u00e9 figura-chave na jornada de transforma\u00e7\u00e3o que Carlos inicia. Nos di\u00e1logos com esse paj\u00e9 que salva a sua vida e com as li\u00e7\u00f5es que ele, pacientemente, tenta lhe ensinar, Carlos passa a rever suas cren\u00e7as e a refletir sobre seus pr\u00f3prios caminhos no mundo e os caminhos da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O paj\u00e9 renomeia Carlos, chamando-o de Irihi, que significa \u201cteimoso\u201d, e ap\u00f3s algum tempo de di\u00e1logos e aprendizados juntos, anuncia a jornada que Irihi percorrer\u00e1: \u201cIrihi vai ter que limpar o corpo e a mente para enxergar a verdade que mora dentro das pedras, dentro das folhas, dentro de cada ser vivo, nas cavidades das montanhas e nas profundezas dos rios. Depois, Irihi ganha nome e volta para a cidade\u201d. O leitor \u00e9 levado junto com Carlos a esse processo de ressignifica\u00e7\u00e3o de valores e cren\u00e7as, que se convertem em reflex\u00f5es cr\u00edticas sobre o modo de vida ocidental, e prop\u00f5em, na mesma medida, uma nova valoriza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica da cosmovis\u00e3o ind\u00edgena que \u00e9 apresentada pelo paj\u00e9 e por sua comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a fortuna cr\u00edtica acerca da obra de Munduruku seja extensa, especialmente dentro da seara te\u00f3rica acerca da literatura ind\u00edgena contempor\u00e2nea, poucos s\u00e3o os trabalhos que se dedicam \u00e0 an\u00e1lise de <em>Todas as coisas s\u00e3o pequenas. <\/em>A tese de doutorado <em>Daniel Munduruku<\/em>: o autor-\u00edndio na aldeia-global, de Marco Aur\u00e9lio Navarro (2014), \u00e9 um exemplo. Navarro descreve a novela como uma evid\u00eancia da habilidade de Munduruku de promover, a partir de um enredo, uma cr\u00edtica aos tempos p\u00f3s-modernos, definidos por Navarro como \u201ctempos l\u00edquidos\u201d em uma refer\u00eancia \u00e0 teoria do fil\u00f3sofo polon\u00eas Zygmunt Bauman. Navarro tamb\u00e9m fala sobre como o narrador estabelece a ideia da floresta como \u201coutro <em>locus<\/em> da narrativa\u201d, que serve n\u00e3o para romantizar a forma de vida ind\u00edgena, mas para apresentar sua cosmovis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, outra an\u00e1lise que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a de Eur\u00eddice Figueiredo, no artigo \u201cEliane Potiguara e Daniel Munduruku: por uma cosmovis\u00e3o amer\u00edndia\u201d, em que a cr\u00edtica liter\u00e1ria analisa as descri\u00e7\u00f5es da filosofia do mundo ind\u00edgena, ornamentosamente escritas por Munduruku em sua narrativa: \u201cDaniel Munduruku faz uma revis\u00e3o da hist\u00f3ria e da filosofia ocidental para apontar que os \u00edndios n\u00e3o s\u00e3o nem selvagens nem primitivos, que as verdades s\u00e3o muitas\u201d. Talvez Figueiredo tenha apontado aqui a maior qualidade de <em>Todas as coisas s\u00e3o pequenas<\/em>, a forma como a novela contrap\u00f5e a filosofia ocidental e a ind\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por meio da jornada de Carlos, ou Irihi \u2212 que \u00e9 renomeado ainda uma outra vez dentro da narrativa \u2212, Munduruku apresenta, via personagem do paj\u00e9, um percurso de ressignifica\u00e7\u00f5es: partir de uma realidade materialista e capitalista \u2212 definida como \u201csociedade envolvente\u201d por Eliane Potiguara em <em>Metade cara, metade m\u00e1scara<\/em> \u2212 para chegar a uma \u201cnova\u201d perspectiva que na verdade \u00e9 antiqu\u00edssima. Conjugando o imagin\u00e1rio e o l\u00fadico, Daniel Munduruku prop\u00f5e, nas 159 p\u00e1ginas de <em>Todas as coisas s\u00e3o pequenas<\/em>, novas realidades n\u00e3o apenas para os povos ind\u00edgenas, mas para toda a humanidade, com uma narrativa que envolve e transforma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<br><\/strong>BEZERRA, Ligia (2022). \u201cThe City and the Forest: Lessons on Consumption in Daniel Munduruku\u2019s <em>Todas as coisas s\u00e3o pequenas<\/em>.\u201d <em>Contemporary Brazilian Cities, Culture, and Resistance. <\/em>Ed. Sophia Beal and Gustavo Teixeira Prieto. <em>Hispanic Issues On Line <\/em>28: 184\u2013204. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/conservancy.umn.edu\/server\/api\/core\/bitstreams\/fecdd944-d631-48a1-bf08-fb3aa03eb695\/content\">https:\/\/conservancy.umn.edu\/server\/api\/core\/bitstreams\/fecdd944-d631-48a1-bf08-fb3aa03eb695\/content<\/a>. Acesso em: 6 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DORRICO, Julie.; DANNER, Leno. Francisco.; CORREIA, Heloisa Helena Siqueira; DANNER, Fernando. (Orgs.) (2018). <em>Literatura ind\u00edgena brasileira contempor\u00e2nea<\/em>: cria\u00e7\u00e3o, cr\u00edtica e recep\u00e7\u00e3o. Porto Alegre, RS: Editora Fi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SAAVEDRA, C. (2021). Olhar pra tr\u00e1s para saber quem somos. Rascunho, o <em>Jornal de Literatura do Brasil<\/em>, no. 251. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/rascunho.com.br\/liberado\/olhar-para-tras-para-saber-quem-somos\/\">https:\/\/rascunho.com.br\/liberado\/olhar-para-tras-para-saber-quem-somos\/<\/a>. Acesso em: 6 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">NAVARRO, Marco Aur\u00e9lio. (2014). <em>Daniel Munduruku<\/em>: o \u00edndio-autor na Aldeia-Global. Tese (Doutorado em Letras) \u2212 Universidade Presbiteriana Mackenzie, S\u00e3o Paulo. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/adelpha-api.mackenzie.br\/server\/api\/core\/bitstreams\/8f7b988e-a967-4f70-8aa1-fd0caf867db6\/content\">https:\/\/adelpha-api.mackenzie.br\/server\/api\/core\/bitstreams\/8f7b988e-a967-4f70-8aa1-fd0caf867db6\/content<\/a>. Acesso em: 6 de jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FIGUEIREDO, Eur\u00eddice (2018). Eliane Potiguara e Daniel Munduruku, por uma cosmovis\u00e3o amer\u00edndia. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, n. 53, p. 291-304, jan.\/abr. 2018. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/10345\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/10345<\/a>. Acesso em: 6 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">POLASTRINI, Leandro Faustino (2019). <em>Transcultura\u00e7\u00e3o e identidades na obra de Daniel Munduruku<\/em>. Porto Alegre, RS: Editora Fi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">POTIGUARA, Eliane. (2019). <em>Metade cara, metade m\u00e1scara<\/em>. 3. ed. Rio de Janeiro: Grumim Edi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3403.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3403\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Caramelo-2013.webp\" data-caption-title=\"Caramelo, 2013\" data-attachment-id=\"3404\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Caramelo, 2013\" width=\"250\" height=\"379\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Caramelo-2013\/1541671054.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22379%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20379%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Caramelo, 2013<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MUNDURUKU, Daniel. 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