{"id":3300,"date":"2025-01-18T12:16:40","date_gmt":"2025-01-18T15:16:40","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3300"},"modified":"2025-11-12T18:02:45","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:45","slug":"sinfonia-em-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3300","title":{"rendered":"Sinfonia em branco"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">LISBOA, Adriana. <em>Sinfonia em branco<\/em>. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Papoula Rubra<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Liana d&#8217;Abreu<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pintura na mem\u00f3ria de Tom\u00e1s, artista de meia-idade frustrado, autoexilado em uma cidade sem nome no interior do Rio de Janeiro, inicia o romance <em>Sinfonia em branco<\/em>. Ele pensa na musa de sua juventude, Maria In\u00eas, e o curso da narrativa poderia ser mais uma escrita sobre um artista ou intelectual desiludido apaixonado por uma mulher imposs\u00edvel. Contudo, os atravessamentos do tempo e do espa\u00e7o pouco a pouco transformam o que seria um clich\u00ea em uma imers\u00e3o hist\u00f3rico-psicol\u00f3gica. Uma narrativa que conjuga passados e presentes, intimidade familiar e contexto social, para dizer da experi\u00eancia de duas mulheres, de duas irm\u00e3s. O que seria um lugar-comum do homem incompreendido e mal-amado \u00e9 substitu\u00eddo pela pergunta que aos poucos se instala, ainda que imprecisa nas palavras, na mente e nos afetos do leitor: qual a dimens\u00e3o dos impactos de um abuso infantil?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fiel ao t\u00edtulo escolhido para sua trama, Adriana Lisboa (Rio de Janeiro, RJ, 1970) promove uma \u00f3pera liter\u00e1ria. <em>Sinfonia em branco<\/em>, vencedor do pr\u00eamio Jos\u00e9 Saramago, \u00e9 o segundo romance da autora, tamb\u00e9m finalista do Prix des Lectrices de Elle (Fran\u00e7a) e PEN Translation Award (EUA), al\u00e9m de traduzido para o ingl\u00eas, alem\u00e3o, \u00e1rabe, italiano, franc\u00eas, romeno, turco, espanhol, croata, polon\u00eas e esloveno (direitos vendidos tamb\u00e9m na China, Alb\u00e2nia, \u00cdndia e Ucr\u00e2nia).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro cap\u00edtulo apresenta as personagens e os contextos. Tom\u00e1s \u00e9 obcecado pela imagem da pintura de Whistler, <em>A garota de branco, ou Sinfonia em branco n\u00ba 1<\/em>. E, apaixonado pela obra de arte que enxerga em Maria In\u00eas, ele pensa em pint\u00e1-la at\u00e9 acabar-se, perdido, desolado numa pintura que come\u00e7ou antes dele, antes do encontro com a mo\u00e7a de branco cujo vestido fora da irm\u00e3 dela, Clarice. Maria In\u00eas era uma menina ousada e tornou-se uma mulher rica. Casou-se com o primo de segundo grau que desde o in\u00edcio de sua apresenta\u00e7\u00e3o no livro est\u00e1 com ela. Na inf\u00e2ncia, plantaram uma \u00e1rvore de dinheiro (parece que deu certo).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 a partir da irm\u00e3 de Maria In\u00eas, a Clarice \u2212 personagem que inicialmente parece coadjuvante \u2212, que a narrativa come\u00e7a a tomar forma. Ela tem marcas no punho, sugerindo uma tentativa de suic\u00eddio, mas isso n\u00e3o \u00e9 dito. \u00c9 divorciada de Xavier, sobre o qual s\u00f3 sabemos ter uma caminhonete vermelha, o que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 dito diretamente. Os sil\u00eancios diante dos tabus s\u00e3o reproduzidos na escrita de Lisboa, ambientando-nos na rela\u00e7\u00e3o familiar de sil\u00eancios opressores e amor an\u00eamico no qual vivem as irm\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio da inf\u00e2ncia de Maria In\u00eas e Clarice sobrevive pela heran\u00e7a. Clarice mora por ali e Tom\u00e1s, sabe-se l\u00e1 a raz\u00e3o, compra parte da terra de sua ex-amada. Tudo parece pairar em torno de Maria In\u00eas, quando ela est\u00e1 presente nas imagens passadas e atuais ou nas mem\u00f3rias daqueles que, isolados no interior, elaboram dela a aus\u00eancia, o afastamento, o magnetismo que exerceu sobre eles. Maria In\u00eas \u00e9 uma inc\u00f3gnita sedutora, trabalhada estrategicamente para levar o leitor, num caminho sem volta, \u00e0s evid\u00eancias expl\u00edcitas da inc\u00f3gnita real, da qual ele, talvez, se soub\u00e9ssemos de cara, fugiria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A escrita da autora n\u00e3o marca di\u00e1logos ou transi\u00e7\u00f5es no tempo. S\u00e3o os personagens em momentos tem\u00e1ticos que demarcam a divis\u00e3o interna do cap\u00edtulo. Quanto ao tempo presente\/mem\u00f3ria e di\u00e1logos, est\u00e3o no meio do texto, numa fluidez de correnteza que n\u00e3o autoriza o dispersar da leitura. Lisboa, bacharel em m\u00fasica, especialista em flauta transversa, mestre e doutora em literatura, tamb\u00e9m sabe pintar, e \u00e9 o que faz a partir desta narrativa. Furtiva e sorrateira, tal as estradas de terra oscilantes no clima entre a poeira e a lama, <em>Sinfonia em branco<\/em> confronta o leitor e sua inesperada ingenuidade, lembrando-o repetidamente de que nem tudo o que parece \u00e9 e, aquilo que \u00e9, pode ser insuport\u00e1vel ao ponto de s\u00f3 aceitarmos sua exist\u00eancia como a ilus\u00e3o de um pesadelo. Ciente de nossa fragilidade diante de realidades hostis, a autora mostra o inadmiss\u00edvel, utilizando-se da artimanha de pinceladas de romance e drama, s\u00f3 para nos levar a olhar o que nos recusar\u00edamos a ver se soub\u00e9ssemos antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No terceiro plano, uma pedreira na paisagem de fundo terminando num abismo onde borboletas coloridas vertiginosas se lan\u00e7am nele. Em segundo plano, uma casa de colonos indigna do t\u00edtulo, apenas um banheiro, simples, quadrada, quase morta tais as cores past\u00e9is da obra que se revela, pouco a pouco, lentamente, alcan\u00e7ando o primeiro plano, que encerra uma fam\u00edlia nuclear interiorana: um pai silencioso e mirrado; uma m\u00e3e delgada, com todos os atributos para ser bela sem s\u00ea-lo; duas crian\u00e7as, duas meninas, duas irm\u00e3s, futuras mulheres feitas de \u00e1gua e sal; cozinheiras-empregadas que fazem parte da fam\u00edlia sem nada ganhar dela para al\u00e9m da obriga\u00e7\u00e3o. A pobreza do entorno, convivendo impass\u00edvel, banal, como uma crian\u00e7a sem pernas que consegue segurar a fralda; uma fam\u00edlia na rua; uma irm\u00e3 no sinal pedindo dinheiro, vendendo chiclete, no Rio de Janeiro \u2013 territ\u00f3rio transit\u00f3rio que corta o espa\u00e7o-tempo de <em>Sinfonia em branco<\/em>. Menos que banal, o lugar ignoraria o regime militar acontecendo, alheio a tudo, afinal, era uma fazenda em uma cidade fora do mapa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pintura surpreende melodiosa, revela ardilosamente n\u00e3o ter molduras e sequer ser \u00f3leo sobre tela, comp\u00f5e o cen\u00e1rio opaco de uma \u00f3pera melanc\u00f3lica, dura, triste, jamais melodram\u00e1tica. \u00c9 proibido o extremo das emo\u00e7\u00f5es. Proibido, um refr\u00e3o. A sinfonia ocasionalmente se manifesta explicitamente por meio de trilhas sonoras mencionadas pela autora, n\u00e3o autoriza desgrudar os ouvidos dos olhos, m\u00fasica erudita chiclete revelando clich\u00eas deformados nos tempos tramados sem pudor, uma trama quase cruel que captura a pessoa leitora naquele cen\u00e1rio, o mesmo que engoliu Tom\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que quer essa \u00f3pera sufocada por cheiros de tinta, formalidades, abandonos e viol\u00eancias negligenciadas? Sadismo da autora impelir seus leitores, instalando-lhes a vertigem das borboletas abismais, a n\u00e1usea viajante entre tempos-trauma a olhar pela porta entreaberta junto \u00e0 Maria In\u00eas, nos levando a macular o branco ing\u00eanuo das fantasias sociais? O romance pinta, canta, toca, dan\u00e7a, sem paix\u00e3o, fulgor ou emo\u00e7\u00f5es exacerbadas (proibidas), entre longos sil\u00eancios absolutos ou ruidosos, um realismo cru, belo por sua composi\u00e7\u00e3o, em que n\u00e3o se poderia imaginar beleza alguma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Situa o eco das consequ\u00eancias de uma viol\u00eancia em vidas que a ultrapassam, que jamais se pensariam afetadas por ela, a aus\u00eancia de remorso do agressor sustentado em uma cultura de pudor hip\u00f3crita e na infantiliza\u00e7\u00e3o do masculino \u2013 respons\u00e1vel por nada, exceto, em certas conjunturas, por prover. Seriam as borboletas diante do abismo, recorrentes na narrativa, o refr\u00e3o que, entre os outros presentes no romance, expressam esse eco? Uma men\u00e7\u00e3o ao efeito borboleta?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Sinfonia em branco<\/em>, no olho da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria contempor\u00e2nea, aproxima-se da obra de arte modernista que a tia Berenice, abandonada pelo noivo, m\u00fasico argentino, n\u00e3o apreciava, mas engoliu por ele. As mulheres ali engoliram segredos mais devassos por um \u201cele\u201d e de outro Ele invis\u00edvel, na figura do pai, do filho e do esp\u00edrito santo, tamb\u00e9m. Cada uma teve um destino, uma rea\u00e7\u00e3o, um posicionamento no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As palavras armadas pela narradora, sem muitas infer\u00eancias pol\u00edticas diretas, centradas na trama, nas personagens, na hist\u00f3ria, na estil\u00edstica do texto-pintura-m\u00fasica, enfim \u00f3pera, encenam mulheres diante de suas condi\u00e7\u00f5es desafortunadas no plural, deslocadas da condi\u00e7\u00e3o un\u00edvoca Mulher, confundindo essa percep\u00e7\u00e3o residual que invisibiliza exist\u00eancias femininas ante as trajet\u00f3rias \u00fanicas das personagens. Devastadoras que sejam suas trilhas, s\u00e3o constru\u00eddas por elas, ao menos a partir de algum momento ou que seja por um m\u00edsero instante \u201cDo tamanho de um gesto de perfume que uma mulher largasse no ar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">F\u00c9LIX, Regina R. (2011). Tom, volume e arranjo no chiaroscuro da mem\u00f3ria: <em>Sinfonia em branco<\/em>, de Adriana Lisboa. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Bras\u00edlia, n. 37, janeiro-junho, p. 93-103. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/9732\/8595\">https:\/\/periodicos.unb.br\/index.php\/estudos\/article\/view\/9732\/8595<\/a>. Acesso em: 20 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GUIZZO, Antonio Rediver; MELO, Milena Karoline de Moura; FERREIRA, Marcela da Fonseca (2020). Quem \u00e9 Lina? O apagamento da viol\u00eancia contra a mulher negra como den\u00fancia social em <em>Sinfonia em branco<\/em> de Adriana Lisboa. <em>Memorare<\/em>, Tubar\u00e3o, v. 7, n. 1, jan.\/jun., p. 223-238. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/341555826_Quem_e_Lina_O_apagamento_da_violencia_contra_a_mulher_negra_como_denuncia_social_em_sinfonia_em_branco_de_Adriana_Lisboa.\">https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/341555826_Quem_e_Lina_O_apagamento_da_violencia_contra_a_mulher_negra_como_denuncia_social_em_sinfonia_em_branco_de_Adriana_Lisboa.<\/a> Acesso em: 20 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LOUSA, Pilar Lago e (2019). Rompendo sil\u00eancios: quest\u00f5es de g\u00eanero e mem\u00f3ria em <em>Sinfonia em branco<\/em>, de Adriana Lisboa. <em>Revista de Estudos Liter\u00e1rios da UEMS<\/em>, Campo Grande, [S. l.], v. 3, n. 20, p. 30-51. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicosonline.uems.br\/index.php\/REV\/article\/view\/3156\">https:\/\/periodicosonline.uems.br\/index.php\/REV\/article\/view\/3156<\/a>. Acesso em: 20 maio 2024. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SANTOS, Deivis Nascimento; AFONSO NETO, Jo\u00e3o Paulo (2014). Sinfonia n\u00e3o-reconciliada: o tempo ai\u00f4nico no romance <em>Sinfonia em branco<\/em> de Adriana Lisboa. <em>Revista de Estudos de Literatura, Cultura e Alteridade<\/em>, Igarap\u00e9, v. 3, n. 2, p. 289-305. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unir.br\/index.php\/igarape\/article\/view\/867\">https:\/\/periodicos.unir.br\/index.php\/igarape\/article\/view\/867<\/a>. Acesso em: 20 maio 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3398.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3398\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Rocco-2001.webp\" data-caption-title=\"Rocco, 2001\" data-attachment-id=\"3399\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Rocco, 2001\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Rocco-2001\/1470381388.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Rocco, 2001<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Circulo-de-leitores-2004.webp\" data-caption-title=\"C\u00edrculo de leitores, 2004\" data-attachment-id=\"3400\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"C\u00edrculo de leitores, 2004\" width=\"250\" height=\"398\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Circulo-de-leitores-2004\/3024243158.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22398%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20398%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">C\u00edrculo de leitores, 2004<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Alfaguara-2013.webp\" data-caption-title=\"Alfaguara, 2013\" data-attachment-id=\"3401\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Alfaguara, 2013\" width=\"250\" height=\"391\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Alfaguara-2013\/994281965.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22391%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20391%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Alfaguara, 2013<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LISBOA, Adriana. 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