{"id":3281,"date":"2025-03-13T11:48:58","date_gmt":"2025-03-13T14:48:58","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3281"},"modified":"2025-11-12T17:59:05","modified_gmt":"2025-11-12T20:59:05","slug":"os-dias-do-demonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3281","title":{"rendered":"Os dias do dem\u00f4nio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">GOMES, Roberto. <em>Os dias do dem\u00f4nio<\/em>. S\u00e3o Carlos: EdUFSCAR, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Samara Lima<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Gra\u00e7a Craidy<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><br>\u00c9 sabido que muitos pesquisadores j\u00e1 buscaram investigar a rela\u00e7\u00e3o entre os estudos liter\u00e1rios e os estudos historiogr\u00e1ficos. \u00c9 isso que Beatriz Sarlo faz, por exemplo, em sua confer\u00eancia \u201cLiteratura y Historia\u201d (1990), ao comentar sobre a utiliza\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria hist\u00f3rica como tema de uma obra ficcional e os servi\u00e7os que a literatura, enquanto um lugar privilegiado de produ\u00e7\u00e3o de discurso, pode prestar a essa disciplina. Do argumento da autora, o que nos interessa \u00e9 sua afirma\u00e7\u00e3o sobre a maneira como a obra liter\u00e1ria, mais que oferecer uma representa\u00e7\u00e3o direta do mundo social, pode se revelar um espa\u00e7o f\u00e9rtil para que possamos refletir sobre essa mesma realidade. E isso n\u00e3o pelo que o texto nos mostra em termos de conte\u00fado, mas pela forma como ele articula e cria novos sentidos para aquilo que representa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cinco anos depois da apresenta\u00e7\u00e3o de Sarlo, o escritor, professor aposentado da Universidade Federal do Paran\u00e1, eleito para a Academia Paranaense de Letras, Roberto Gomes &nbsp;(Blumenau, 1944), publica seu quarto romance, <em>Os dias do dem\u00f4nio<\/em>, uma narrativa que imbrica fatos hist\u00f3ricos e fic\u00e7\u00e3o para lan\u00e7ar um novo olhar para um dos maiores conflitos agr\u00e1rios armados do pa\u00eds: a Revolta dos Posseiros do Sudoeste do Paran\u00e1, que teve como objetivo expulsar as companhias de terra que afirmavam serem donas da regi\u00e3o, contratando jagun\u00e7os para afastar os colonos de suas propriedades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trama de <em>Os dias do dem\u00f4nio <\/em>est\u00e1 centrada nos \u00faltimos meses do levante, no ano de 1957. A regi\u00e3o na qual se passam os acontecimentos da narrativa \u00e9 delineada com precis\u00e3o. Nomes de munic\u00edpios e distritos com suas respectivas cidades e vilas (Beltr\u00e3o, Pato Branco, Ver\u00ea, Barrac\u00e3o e Santo Ant\u00f4nio) fazem um contraponto com a capital do Paran\u00e1 e outras do pa\u00eds, retratadas como lugares distantes. Essa dicotomia evidencia a maneira como os centros, enquanto fontes das decis\u00f5es pol\u00edticas, est\u00e3o afastados dos acontecimentos do resto do pa\u00eds e, no caso da narrativa, dos eventos cruciais que comp\u00f5em o conflito no interior do Paran\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro \u00e9 dividido em quatro partes, \u201cO para\u00edso\u201d, \u201cA guerra \u00e9 sempre\u201d, \u201cDe ferro e fogo\u201d e \u201cAs portas do inferno\u201d, compostas por pequenos cap\u00edtulos com diferentes hist\u00f3rias de vida de personagens, muitos deles indiv\u00edduos reais, que v\u00e3o aos poucos se cruzando, formando os tr\u00eas grandes conjuntos do enredo e os tr\u00eas acontecimentos explosivos que culminaram no levante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Centrado nas perspectivas dos colonos e suas fam\u00edlias, pequenos comerciantes e profissionais liberais, logo no in\u00edcio, em \u201cO para\u00edso\u201d, acompanha-se a chegada dos colonos no sudoeste do Paran\u00e1 em uma realidade ainda informe, bruta, quando tudo era mato, alimentando a ideia de que a regi\u00e3o era a terra prometida. Assim, entra-se em contato com a hist\u00f3ria de Elp\u00eddio Bello, que diante das dificuldades no Rio Grande do Sul e instigado pelas not\u00edcias de que o sudoeste do Paran\u00e1 cont\u00e9m \u201cmuita terra, terra borra, dinheiro, trabalho\u201d, abandona sua cidade natal junto com a esposa, Laura. Pode-se acompanhar tamb\u00e9m a sa\u00edda de Seu Joanin de Santa Catarina para Beltr\u00e3o, incentivado pela companhia colonizadora do governo, e como aos poucos foi se estabilizando e construindo sua fam\u00edlia na regi\u00e3o. O narrador descreve objetivamente todo o processo de deslocamento dos imigrantes, evidenciando as inseguran\u00e7as dos personagens diante do desconhecido, os dilemas familiares e as adversidades enfrentadas durante a viagem, a partir de uma linguagem pr\u00f3xima \u00e0 dos sujeitos retratados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, \u00e9 nessa primeira parte do livro que o leitor j\u00e1 tem not\u00edcia do crescimento do banditismo de \u201cadvogado e pol\u00edtico\u201d e jagun\u00e7os na regi\u00e3o, como tamb\u00e9m se depara com a primeira morte significativa da narrativa: o assassinato de Pedro Jos\u00e9 da Silva, o vereador do distrito de Ver\u00ea, mais conhecido como Pedrinho Barbeiro. Pedrinho foi morto por dois jagun\u00e7os na frente dos filhos e da esposa enquanto consertava o rancho onde vivia com a fam\u00edlia. Ele era um dos l\u00edderes da resist\u00eancia que ajudava os colonos menos instru\u00eddos a driblar as press\u00f5es das companhias e estava arrecadando assinaturas para um abaixo-assinado a fim de levar ao Presidente da Rep\u00fablica e resolver as quest\u00f5es das terras. \u00c9 interessante notar que \u00e9 a morte do jovem que abre o universo ficcional, ela \u00e9 o acontecimento que d\u00e1 in\u00edcio \u00e0s a\u00e7\u00f5es dos colonos contra as companhias, no mundo hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cabe ressaltar que os jagun\u00e7os s\u00e3o vistos pelos colonos como \u201cbicho do dem\u00f4nio\u201d, que deixam \u201ccomo rastro o cheiro do enxofre\u201d. Ent\u00e3o, o t\u00edtulo n\u00e3o s\u00f3 faz refer\u00eancia aos dias dos jagun\u00e7os na regi\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e0 mudan\u00e7a de perspectiva em rela\u00e7\u00e3o ao sudoeste do Paran\u00e1 que, se antes era visto como o para\u00edso e o lugar das oportunidades, diante da \u201cmortandade organizada, com endere\u00e7o certo\u201d, tornou-se a encarna\u00e7\u00e3o do inferno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo plano do livro \u00e9 constitu\u00eddo pelo ponto de vista dos funcion\u00e1rios da CITLA (Clevel\u00e2ndia Industrial e Territorial Ltda.) ou da Comercial (Companhia Comercial Agr\u00edcola), com seus advogados, jagun\u00e7os e corretores, que apenas tinham como projeto \u201cexplorar r\u00e1pido as terras, transformar as florestas em madeira, vender, devastar, se fartar\u201d. \u00c9 em \u201cA guerra \u00e9 sempre\u201d, por exemplo, onde se acompanham as discuss\u00f5es sobre o processo de coloniza\u00e7\u00e3o por parte dos pol\u00edticos e a organiza\u00e7\u00e3o dos grupos de jagun\u00e7os, como o grupo de Z\u00e9 Lara, que escapou da pris\u00e3o com a ajuda dos deputados, os quais queriam algu\u00e9m que soubesse \u201clidar com os colonos\u201d e \u201cque ele comandasse na regi\u00e3o do sudoeste\u201d. Tamb\u00e9m \u00e9 nessa parte onde se encena a segunda morte significativa da narrativa: a morte de um cidad\u00e3o com v\u00e1rias rajadas de metralhadora, enrolado na bandeira do Brasil, enquanto sa\u00eda em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 companhia de terra, onde os jagun\u00e7os estavam reunidos em protesto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 o \u00faltimo conjunto se volta para o universo da pol\u00edtica, como o mundo dos delegados, os ju\u00edzes, a pol\u00edcia e os deputados, e \u00e9 o momento em que os leitores podem reconhecer a completa omiss\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es: \u201ca justi\u00e7a era representada na regi\u00e3o por alguns delegados n\u00e3o muito corretos e por alguns ju\u00edzes que ficavam do lado das companhias\u201d. Tendo de lidar com tantos ataques sofridos e com uma \u201cjusti\u00e7a injusta\u201d, a gota d\u2019\u00e1gua vem com o espancamento de tr\u00eas crian\u00e7as pelos jagun\u00e7os. A partir da\u00ed, os colonos de diversas partes da regi\u00e3o se organizam para expulsar os jagun\u00e7os e as companhias de terra, como acompanhamos detalhadamente na \u00faltima parte do livro, \u201cAs portas do inferno\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora seja necess\u00e1rio reconstruir certa linearidade da narrativa para fins de resenha do romance, cumpre assinalar que os breves cap\u00edtulos que comp\u00f5em as quatro partes da trama s\u00e3o escritos, muitas vezes, recorrendo a uma desorganiza\u00e7\u00e3o da ordem causal dos acontecimentos. Isso quer dizer que, \u00e0 medida que o leitor avan\u00e7a na leitura, ele \u00e9 convidado a ir conectando as mortes, as tens\u00f5es pol\u00edticas e as disputas entre colonos e a companhia de terras. Se a obra como um todo se organiza em torno dos tr\u00eas conjuntos apresentados, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que eles se intercalam, se corrigem e se completam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\">Ao final da leitura, o que fica evidente \u00e9 que Roberto Gomes oferece a quem l\u00ea seu romance uma compreens\u00e3o mais ampla e sens\u00edvel do conflito, promovendo um olhar cr\u00edtico sobre a hist\u00f3ria de todos e, assim como muitos autores engajados em resgatar a mem\u00f3ria do passado, colabora para que a mem\u00f3ria de tantas lutas n\u00e3o caia no esquecimento. Nesse sentido, o problema abordado na trama ressoa em obras mais recentes como, por exemplo, <em>Torto Arado<\/em> (2020), de Itamar Vieira J\u00fanior, que, por meio da hist\u00f3ria de vida das protagonistas Belon\u00edsia e Bibiana, exp\u00f5e o passado escravagista que perdura no territ\u00f3rio brasileiro e as rela\u00e7\u00f5es de um grupo social com a terra. Contudo, talvez o mais importante seja o fato como <em>Os dias do dem\u00f4nio<\/em> torna coletivo o conflito romanesco que representa. A partir do momento em que aborda m\u00faltiplas hist\u00f3rias de personagens que se entrela\u00e7am, ela d\u00e1 forma a uma exist\u00eancia coletiva, permitindo ao leitor entrever sujeitos unidos pelo desejo de vingan\u00e7a, mas, principalmente, pela amizade, pelo direito \u00e0 propriedade, pelo trabalho e pela liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\">F\u00dcHR, Tatiane Cristina (2017). Hist\u00f3ria, fic\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria em <em>Os dias do dem\u00f4nio,<\/em> de Roberto Gomes, e 1957:<strong> <\/strong>a revolta dos posseiros de Iria Gomes. TCC (Gradua\u00e7\u00e3o em Letras Portugu\u00eas e Espanhol) \u2013 Universidade Federal da Fronteira Sul, Realeza.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3406.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3406\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/EdUFSCar-e-Mercado-Aberto-1995.webp\" data-caption-title=\"EdUFSCar, 1995\" data-attachment-id=\"3407\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"EdUFSCar, 1995\" width=\"250\" height=\"381\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/EdUFSCar-e-Mercado-Aberto-1995\/2985602982.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22381%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20381%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">EdUFSCar, 1995<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/Criar-Edicoes-2001.webp\" data-caption-title=\"Criar Edi\u00e7\u00f5es, 2001\" data-attachment-id=\"3408\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Criar Edi\u00e7\u00f5es, 2001\" width=\"250\" height=\"380\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2025\/01\/Criar-Edicoes-2001\/1644167719.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22380%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20380%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Criar Edi\u00e7\u00f5es, 2001<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>\n\n\n<p class=\"has-text-align-left wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GOMES, Roberto. 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