{"id":3003,"date":"2024-10-15T22:22:10","date_gmt":"2024-10-16T01:22:10","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3003"},"modified":"2025-11-12T18:01:30","modified_gmt":"2025-11-12T21:01:30","slug":"a-extincao-das-abelhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=3003","title":{"rendered":"A extin\u00e7\u00e3o das abelhas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">POLESSO, Natalia Borges. <em>A extin\u00e7\u00e3o das abelhas.<\/em> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Bianca Magela Melo<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Isis Gamell<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De uns anos para c\u00e1, a percep\u00e7\u00e3o de um alarme vermelho na rela\u00e7\u00e3o do humano com o restante do planeta extrapolou discuss\u00f5es cient\u00edficas localizadas e, mais fortemente durante e ap\u00f3s a pandemia de Covid-19, ganhou amplitude nas vozes de pensadores(as), l\u00edderes ind\u00edgenas, pesquisadores(as) e escritores(as). Passou a ser tema essencial para refletir acerca da contemporaneidade em toda a sua constitui\u00e7\u00e3o. Ao compor <em>A extin\u00e7\u00e3o das abelhas <\/em>(2021), Natalia Borges Polesso (Bento Gon\u00e7alves, RS, 1981) expressa-se a partir desse cen\u00e1rio de fatos e discursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O total desaparecimento das abelhas \u00e9 o principal indicador do colapso da sociedade futura idealizada pela autora, medido pelo Colaps\u00f4metro, aplicativo que permite a qualquer pessoa da \u00e9poca acompanhar, em tempo real, o curso do desastre. O Brasil transformou-se em territ\u00f3rio dist\u00f3pico com desabastecimento generalizado, lixo t\u00f3xico, bairros desabitados, escassez de comida e cria\u00e7\u00e3o de novos condom\u00ednios para super-ricos. O descaso com os animais, com as plantas e com a terra mostra sua radical coincid\u00eancia com o descaso com determinadas vidas humanas, pois o governo explicitamente vai abandonando \u00e1reas carentes e limpando-as de pessoas e coisas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mulheres figuram como o elo mais fr\u00e1gil da situa\u00e7\u00e3o, expostas \u00e0 regula\u00e7\u00e3o de comportamentos e a viol\u00eancias f\u00edsicas e sexuais, amplificando algo j\u00e1 percebido nos dias de hoje. \u00c9 um livro protagonizado por mulheres. O n\u00facleo principal se organiza em torno de Regina, de 40 anos, n\u00e1ufraga da situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e das rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas: o pai morreu, a m\u00e3e deixou a casa e a filha quando esta tinha oito anos, e Regina n\u00e3o conseguiu firmar-se em nenhuma rela\u00e7\u00e3o afetiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vivendo com muito pouco, ela se vira como tradutora, gar\u00e7onete e, em determinado momento, explorando fantasias sexuais na internet. A protagonista \u00e9 mestra em teoria liter\u00e1ria em uma \u00e9poca em que isso pouco significa para suprir sua sobreviv\u00eancia. Em muitos momentos, sua mente apresenta-se cansada e confusa na tentativa de compreens\u00e3o do pa\u00eds que ela herdou da nossa gera\u00e7\u00e3o. Nat\u00e1lia Borges Polesso n\u00e3o quis construir uma protagonista bem resolvida. Regina tem a fragilidade de quem se sente perdida e alheia em momento de emerg\u00eancia. Apesar de dolorosamente s\u00f3, constantemente lhe surge uma m\u00e3o estendida, sempre feminina: de uma paquera, da fam\u00edlia que cuida dela desde a inf\u00e2ncia (o casal Denise e Eug\u00eania e a filha Aline) ou das revolucion\u00e1rias que ela conhece mais ao fim do livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O protagonismo feminino e a viv\u00eancia l\u00e9sbica s\u00e3o presen\u00e7as aqui e nos outros livros de Polesso, a exemplo de <em>Amora<\/em> (vencedor do Pr\u00eamio Jabuti de 2016), em que todos os contos s\u00e3o protagonizados por mulheres l\u00e9sbicas em diferentes est\u00e1gios da vida. A recorr\u00eancia \u00e9 positiva para as explora\u00e7\u00f5es estil\u00edsticas e tem\u00e1ticas da autora, pois permite que o assunto seja abordado de modo org\u00e2nico e fluido, n\u00e3o representando quest\u00e3o de nenhum modo para a narrativa que se faz de dentro da situa\u00e7\u00e3o. O preconceito e a persegui\u00e7\u00e3o, sempre retratados, v\u00eam \u201cde fora\u201d, dos outros que n\u00e3o est\u00e3o enfocados no primeiro plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A respeito das mulheres, <em>A extin\u00e7\u00e3o das abelhas<\/em> projeta uma pequena utopia na distopia ao sugerir que as redes de apoio, ancestralmente tecidas por elas, tornar-se-iam ilhas de salva\u00e7\u00e3o em meio ao colapso. S\u00e3o espa\u00e7os em que seria poss\u00edvel viver sem a normatividade padr\u00e3o dos nossos tempos: masculina, heterossexual e violenta. Pietra, uma das mulheres que Regina encontra na busca de alternativas de vida, explica: \u201cquero fazer parte de uma nova configura\u00e7\u00e3o de mundo. Um mundo em que eu possa existir, um mundo de que eu possa gostar. N\u00e3o aquele em que viv\u00edamos, Regina, aquela inven\u00e7\u00e3o velha de mundo que colapsou em nossa cabe\u00e7a\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autora maneja um grande n\u00famero de pautas em <em>A extin\u00e7\u00e3o das abelhas<\/em>: o amor entre mulheres e ainda a situa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rico-social do Brasil, a trag\u00e9dia do uso de agrot\u00f3xicos, a necropol\u00edtica de exterm\u00ednio, a consci\u00eancia p\u00f3s-pandemia de Covid, a acad\u00eamica que vive precariamente, a utopia de uma comunidade feminina, para citar algumas. Elas s\u00e3o quase sempre bem orquestradas. A d\u00favida aqui \u00e9 Guadalupe, ou Lupe, m\u00e3e da protagonista, cujas experi\u00eancias com uma trupe de circo s\u00e3o narradas de modo entrecortado ao enredo que foca em Regina. A ferida nomeada como m\u00e3e est\u00e1 l\u00e1 representada para al\u00e9m do sentimento e da proje\u00e7\u00e3o da filha. Sabemos de fatos ocorridos a Lupe depois que saiu da casa familiar, mas apenas como acontecimentos remotos com saltos no tempo, resultando em pouco engajamento. E quando, ap\u00f3s uma vida separada, h\u00e1 insinua\u00e7\u00e3o de um encontro entre as duas realidades, \u00e9 fr\u00e1gil e quase dispens\u00e1vel: o acerto de contas diante da morte, cartas redigidas e n\u00e3o enviadas, uma geografia em vias de ser compartilhada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 preciso salientar, contudo, o qu\u00e3o criativo em termos estil\u00edsticos \u00e9 o modo de conex\u00e3o entre os relatos sobre Regina e Lupe na primeira parte do livro. Em vez de finaliza\u00e7\u00e3o e ponto final, cada cap\u00edtulo \u00e9 encerrado abruptamente at\u00e9 descobrirmos que a palavra que faltava foi inserida como t\u00edtulo do pr\u00f3ximo, em uma bonita costura. Os procedimentos narrativos em geral s\u00e3o de uma escrita fragmentada que experimenta se direcionar pelo que os temas tratados sugerem. Natalia dividiu o romance em tr\u00eas partes. A primeira mostra o presente de Regina (futuro para n\u00f3s) antes do grande colapso simultaneamente ao passado de sua m\u00e3e. A segunda \u00e9 uma colagem de retratos da situa\u00e7\u00e3o de mundo: trechos de notici\u00e1rio e relatos cient\u00edficos em que prevalece o tom ensa\u00edstico e reflexivo. O fluxo narrativo se quebra para preparar o terreno, afinal, \u00e0 terceira parte, que \u00e9 o relato de como funciona a vida depois do colapso consumado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Merece destaque a segunda se\u00e7\u00e3o do livro pela suspens\u00e3o que promove com a linearidade. Pequenos cap\u00edtulos trazem not\u00edcias do colapso, sem narrador definido, apresentadas pelo ca\u00f3tico e impessoal dispositivo de selecionar e divulgar informa\u00e7\u00f5es \u2013 mais ou menos como nos acostumamos a ver. Elas v\u00eam como <em>d\u00e9j\u00e0 vu<\/em> do que conhecemos ou ouvimos dizer como not\u00edcias que rolamos descompromissadamente: os desastres da mineradora Vale ou o nome real de agrot\u00f3xicos proibidos no mundo e liberados no Brasil. Ou ainda a imensid\u00e3o de mais de 1,6 milh\u00e3o de quil\u00f4metros quadrados da maior ilha de lixo pl\u00e1stico do mundo, mapeada em 2015, em expedi\u00e7\u00e3o de cientistas que navegaram um trecho do oceano Pac\u00edfico entre o Hava\u00ed e a Calif\u00f3rnia. \u201cTemos sede. H\u00e1 mais pl\u00e1stico do que peixes no mar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Selecionados e inseridos na fic\u00e7\u00e3o, os fatos ganham concretude como causas das consequ\u00eancias que vemos no mundo habitado pelas personagens. O drama da exist\u00eancia de Regina e de Guadalupe coincide e tem peso t\u00e3o significativo quanto o drama da agonia do planeta, provocada pela a\u00e7\u00e3o humana. Essa perspectiva do colapso instigado pelo descompromisso social tamb\u00e9m \u00e9 retratada pela autora em <em>Corpos secos<\/em> (Alfaguara, 2020), obra coletiva (em conjunto com Luisa Geisler, Marcelo Ferroni e Samir Machado de Machado) a respeito de uma enfermidade acachapante, a doen\u00e7a do corpo seco, causada pelo uso descontrolado de agrot\u00f3xicos no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apresentando <em>A extin\u00e7\u00e3o das abelhas <\/em>(em seu Instagram), a autora, tamb\u00e9m doutora em teoria da literatura, afirmou que sua escrita foi impactada por leituras te\u00f3ricas de Donna Haraway (fil\u00f3sofa e zo\u00f3loga norte-americana), Timothy Morton (fil\u00f3sofo e cr\u00edtico liter\u00e1rio ingl\u00eas) e Ailton Krenak (escritor, pensador e l\u00edder ind\u00edgena brasileiro), todos(as) pensadores(as) que podem ser agrupados(as) no termo \u201cecocr\u00edtica\u201d. A princ\u00edpio, Polesso relatou, o plano era escrever um romance sobre o futuro: \u201cmas a certa altura percebi que era sobre o presente. Por isso digo que \u00e9 realismo especulativo. Tudo j\u00e1 est\u00e1, e nos alcan\u00e7a cedo ou tarde\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao resenhar o livro, Enio Vieira (2021) refletiu acerca do quanto narrar sentimentos como o do iminente colapso exigiria outras formas de contar hist\u00f3rias: \u201cAcho que surgiu em 2020 uma nova sensibilidade brasileira para imaginar o futuro. O primeiro passo \u00e9, sem d\u00favida, reconhecer o desmoronamento do presente\u201d. Ao lado de Polesso, ele lista como empenhados no mesmo esfor\u00e7o Jos\u00e9 Falero, Jeferson Ten\u00f3rio, Edimilson de Almeida Pereira, Bernardo Carvalho, Ana Paula Maia, Daniel Galera e Michel Laub.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para esses nomes (ou para a maioria) mencionados por Vieira, pode-se afirmar que h\u00e1 pelo menos uma coincid\u00eancia de procedimento: o tom ensa\u00edstico \u00e0s vezes aparecendo diretamente, \u00e0s vezes como reflex\u00e3o das personagens. Quando Regina cruza por terra a fronteira do Brasil com a Argentina, vem-lhe, simultaneamente, a consci\u00eancia do ambiente e o equ\u00edvoco da humanidade em sua \u00e9poca, uma boa ilustra\u00e7\u00e3o do sopro ensa\u00edstico eventual do texto de Natalia Borges Polesso: \u201cRegina se perguntou o que determinava quando ou onde as coisas tinham in\u00edcio ou fim. O qu\u00ea? Quem? (&#8230;) Desejou n\u00e3o saber nada sobre horizontes e expectativas, desejou a ignor\u00e2ncia em parte conquistada, em parte ilus\u00f3ria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 de Theodor Adorno, no texto cl\u00e1ssico \u201cO ensaio como forma\u201d, a opini\u00e3o de que o ensaio \u201cn\u00e3o quer captar o eterno nem destil\u00e1-lo do transit\u00f3rio; prefere perenizar o transit\u00f3rio\u201d. E talvez a fotografia que essas fic\u00e7\u00f5es v\u00eam fazendo do transit\u00f3rio \u2013 n\u00f3s, humanos?; um certo modo de ser em vias de sucumbir? \u2013 seja mesmo uma boa conex\u00e3o entre os(as) autores(as). Novo e simultaneamente velho procedimento que salienta tamb\u00e9m a pertin\u00eancia de falar, ainda hoje, em realismos como o fez Polesso \u2013 agora no plural, pois para al\u00e9m de um movimento liter\u00e1rio, ele aponta para aspectos reconhec\u00edveis de nossa din\u00e2mica social e de pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LEITE, Karoline Alves; OLIVEIRA, Rita Barbosa de (2019). Amor entre Amoras: a viv\u00eancia l\u00e9sbica nos contos de Natalia Borges Polesso. <em>Trama<\/em>, Marechal C\u00e2ndido Rondon, v. 15, n. 34, p. 101-109.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">POLESSO, Natalia Borges (2020). Sobre literatura l\u00e9sbica e ocupa\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, (61), 1\u201314. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1590\/2316-4018611\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1590\/2316-4018611<\/a>. Acesso em: 17 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">VIEIRA, Enio. (2021). \u201cEm \u2018A extin\u00e7\u00e3o das abelhas\u2019, Natalia Borges Polesso pensa a vida ap\u00f3s o colapso\u201d. <em>Revista Bula<\/em>, dez.2021. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.revistabula.com\/46742-em-a-extincao-das-abelhas-natalia-borges-polesso-pensa-a-vida-apos-o-colapso\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/www.revistabula.com \/46742-em-a-extincao-das-abelhas-natalia-borges-polesso-pensa-a-vida-apos-o-colapso\/<\/a>. Acesso em: 18 fev. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4430.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4430\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Companhia-das-Letras-2021.webp\" data-caption-title=\"Companhia das Letras, 2021\" data-attachment-id=\"3005\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Companhia das Letras, 2021\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/10\/Companhia-das-Letras-2021\/956176695.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Companhia das Letras, 2021<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>POLESSO, Natalia Borges. 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