{"id":2710,"date":"2024-10-15T21:49:03","date_gmt":"2024-10-16T00:49:03","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2710"},"modified":"2026-07-20T10:39:51","modified_gmt":"2026-07-20T13:39:51","slug":"azul-corvo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2710","title":{"rendered":"Azul-corvo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">LISBOA, Adriana. <em>Azul-corvo. <\/em>Rio de Janeiro: Rocco, 2010.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Claudia Miranda da Silva Moura Franco<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Carolina Vigna <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ser humano \u00e9, por assim dizer, povoado de \u201ce se(s)\u201d, um universo de possibilidades que invade a mente nos momentos mais diversos poss\u00edveis. Antonio Candido j\u00e1 dizia que \u00e9 peculiar da natureza humana se entregar ao universo confabulado; seria essa a \u201cmola propulsora\u201d da literatura, esse momento de deslocamento, respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o de uma ideia, a recupera\u00e7\u00e3o de uma recorda\u00e7\u00e3o e o fazer de uma mem\u00f3ria. Poderia ser esse um momento cat\u00e1rtico, abertura para que o inconsciente seja capaz de provocar ru\u00eddos em sil\u00eancios absurdamente gritantes, como no caso de narrativas que se debru\u00e7am sobre o terreno dos regimes totalit\u00e1rios e da repress\u00e3o do Estado, rompendo o sil\u00eancio que, por muito tempo, permaneceu suspenso na falta de mem\u00f3ria social e pol\u00edtica do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 precisamente essa ruptura do sil\u00eancio que realiza a narrativa de Adriana Lisboa (Rio de Janeiro, RJ, 1970), autora de <em>Azul-corvo<\/em> (2010). Adriana \u00e9 tamb\u00e9m poeta, ensa\u00edsta e contista, tendo publicado os romances <em>Sinfonia em branco <\/em>(2001),<em> Um beijo de colombina <\/em>(2015),<em> Rakushisha <\/em>(2014),<em> Han\u00f3i <\/em>(2013)<em> e Todos os santos <\/em>(2019)<em>, <\/em>al\u00e9m dos livros de poesia:<em> Parte da paisagem <\/em>(2014),<em> Pequena m\u00fasica <\/em>(2010),<em> Deriva <\/em>(2019) e <em>O vivo <\/em>(2021). Ela tamb\u00e9m escreveu o ensaio <em>Todo o tempo que existe <\/em>(2022) e o conto <em>Caligrafias de sucesso<\/em> (2009).Muitas de suas obras foram premiadas; entretanto, foi com <em>Azul-corvo<\/em><a> <\/a>que a escritora alcan\u00e7ou os holofotes da cr\u00edtica liter\u00e1ria nacional e internacional.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance foi publicado pela primeira vez em 2010 pela editora Rocco. A hist\u00f3ria est\u00e1 ancorada no per\u00edodo da ditadura militar, com foco na Guerrilha do Araguaia, ocorrida no sudeste do Par\u00e1 e norte de Goi\u00e1s (regi\u00e3o tamb\u00e9m chamada de Bico do Papagaio, hoje estado do Tocantins). Os guerrilheiros come\u00e7aram a chegar \u00e0 regi\u00e3o por volta de 1966, pois a consideravam prop\u00edcia para a luta armada, conforme proposto por \u00c2ngelo Arroyo. Esse guerrilheiro, que foi dirigente do Partido Comunista do Brasil, argumentava que a zona da mata oferecia condi\u00e7\u00f5es de paridade para o combate, pois \u201co inimigo n\u00e3o pode usar tanques, artilharia, bombardeio a\u00e9reo de precis\u00e3o etc. Tem de estar a p\u00e9 como o guerrilheiro\u201d (Arroyo, 1974 <em>apud<\/em> Campos Filho, 2012, p. 108).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das caracter\u00edsticas da fic\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea no Brasil tem sido o resgate e o papel interpretativo de epis\u00f3dios pol\u00edticos do pa\u00eds, e o romance <em>Azul-corvo<\/em> realiza o trabalho de recorda\u00e7\u00e3o da Guerrilha do Araguaia, acionando um efeito imediato: \u201cas molas do passado na mem\u00f3ria e toda a engrenagem do reconhecimento\u201d. A obra tamb\u00e9m recorda outras hist\u00f3rias e acontecimentos mi\u00fados, como o apagamento da participa\u00e7\u00e3o dos negros e das mulheres, al\u00e9m de quest\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a e at\u00e9 mesmo mesti\u00e7agem e imigra\u00e7\u00e3o. Esses temas oferecem reflex\u00f5es de car\u00e1ter universal: \u201cvoc\u00ea \u00e9 algo h\u00edbrido e impuro\u201d, espa\u00e7o para discuss\u00e3o sobre o ser negro\/mesti\u00e7o naquela \u00e9poca e atualmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Azul-corvo <\/em>\u00e9 uma hist\u00f3ria de perdas e buscas, mas tamb\u00e9m de reencontro, atravessada por epis\u00f3dios com in\u00fameras conflu\u00eancias discursivas que possibilitam observar a representa\u00e7\u00e3o ficcional de fatos hist\u00f3ricos. Como uma inst\u00e2ncia intertextual de dupla natureza est\u00e9tica, a obra se alimenta do factual para a cria\u00e7\u00e3o ficcional, na qual a constru\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria mobiliza modos de narrar tradicionais interseccionados por modalidades contempor\u00e2neas. Desse modo, sua est\u00e9tica se aproxima do proposto por Ranci\u00e8re, para quem a est\u00e9tica \u201cdesigna um modo de pensamento que se desenvolve sobre as coisas da arte e que procura dizer em que elas consistem enquanto coisas do pensamento\u201d (Ranci\u00e8re, 2009, p. 11-12).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hist\u00f3ria de Evangeline, a Vanja, aproxima-se da hist\u00f3ria de muitos filhos e filhas durante o per\u00edodo da ditadura militar no Brasil, crian\u00e7as que n\u00e3o se sabem, que desconhecem muito de si e, mais ainda, muito ou quase tudo sobre seus pais guerrilheiros. Estes foram aqueles que desceram do muro, assumiram um lado da hist\u00f3ria e perderam suas vidas por acreditarem em um ideal encapsulado na letra de <em>Me and Bobby McGee<\/em>: \u201c<em>Freedom\u2019s just another word for nothin\u2019 left to lose. <\/em><em>Nothing don\u2019t mean nothing honey if ain\u2019t free, now now.<\/em>\u201d (\u201cLiberdade \u00e9 apenas uma outra palavra para nada mais a perder. Nada significa nada, meu bem, se n\u00e3o for livre\u201d). Assim \u00e9 apresentada Suzana, m\u00e3e de Vanja, uma mulher de esp\u00edrito livre (admiradora de Janis Joplin), que se apaixona por Fernando, um ex-combatente da Guerrilha do Araguaia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s a morte da m\u00e3e, Vanja, ent\u00e3o com treze anos, sentindo-se perdida, \u201cem meio a lugar nenhum\u201d, inicia uma jornada em busca de suas pr\u00f3prias ra\u00edzes. Para tanto, \u00e9 preciso mergulhar de cabe\u00e7a na hist\u00f3ria de sua m\u00e3e e de dois homens que tiveram um papel importante em suas escolhas. A travessia da escrita vai do Rio de Janeiro at\u00e9 Lakewood, Colorado (EUA), e S\u00e3o Jo\u00e3o do Araguaia (Par\u00e1), sugerindo esses espa\u00e7os fronteiri\u00e7os como met\u00e1foras de um tr\u00e2nsito entre passado, presente e futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Genette (1979) aborda os aspectos de frequ\u00eancia no ato de narrar como meios de escrita que homologam a hist\u00f3ria. Nesse caso, a repeti\u00e7\u00e3o \u201cconcha azul-corvo\u201d torna-se o elemento que condensa muito da personalidade de Vanja. A concha, como moradia, busca a identifica\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o que lhe desperte pertencimento; a cor azul, a mais imaterial das cores, sugere vazio pela sensa\u00e7\u00e3o de infinito que proporciona; e o corvo pode ser interpretado por meio da simbologia de solid\u00e3o que o permeia, primeiro como s\u00edmbolo de isolamento volunt\u00e1rio e, em segundo plano, pela esperan\u00e7a de um amanh\u00e3, pois suas caracter\u00edsticas demi\u00fargicas permitem atrelar seu signo a aspectos divinos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A men\u00e7\u00e3o ao poema de Marianne Moore <em>The Fish<\/em>, que diz: \u201c<em>through black jade. <\/em><em>Of the crow-blue mussel-shells, one keeps\/adjusting the ash-heaps<\/em>\u201d (\u201cAtrav\u00e9s do jade preto. Das conchas do mexilh\u00e3o azul-corvo, algu\u00e9m continua\/ajustando os montes de cinzas\u201d), fortalece a ideia de meandros e daquilo que permanece oculto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Luigi Pareyson (1950), ao tratar do veross\u00edmil na po\u00e9tica de Arist\u00f3teles, trabalha a ideia do acontec\u00edvel e do poss\u00edvel, estabelecendo uma ponte entre Hist\u00f3ria (acontecido) e Poesia (o poss\u00edvel). A literatura se vale desse entrelugar, para fazer emergir o todo poss\u00edvel, acontec\u00edvel, acontecido ou n\u00e3o. Nesse caso, embora o tecido historiogr\u00e1fico contribua para a identifica\u00e7\u00e3o das quest\u00f5es hist\u00f3ricas durante o per\u00edodo da ditadura militar e as guerrilhas ocorridas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, a fic\u00e7\u00e3o se ancora nas narrativas daqueles que desconhecem sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. A personagem Vanja \u00e9 a ficcionaliza\u00e7\u00e3o da realidade de muitos filhos, filhas e familiares que vivem e morrem todos os dias, no imagin\u00e1rio do n\u00e3o saber sobre o paradeiro do corpo dos seus entes queridos assassinados na ditadura. A verossimilhan\u00e7a est\u00e1 ancorada justamente nesse n\u00e3o saber.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa dialoga tamb\u00e9m com outro tipo de desaparecimento: o da hist\u00f3ria pol\u00edtica do Brasil, uma na\u00e7\u00e3o que insiste em repassar o passado de forma reelaborada e frequentemente violenta. A imbrica\u00e7\u00e3o entre passado e presente \u00e9 a via por onde transita o leitor, refletindo sobre os impactos do ontem. A falta de informa\u00e7\u00f5es e a necessidade de construir mem\u00f3rias fazem da narrativa um ato de justi\u00e7a, pois, conforme j\u00e1 afirmou Ricoeur (2007, p. 101), \u201co dever de fazer justi\u00e7a, pela lembran\u00e7a, a um outro que n\u00e3o o si\u201d, pode se ancorar no efeito do esquecimento como agente detonador da mem\u00f3ria e da hist\u00f3ria. Assim, pela lembran\u00e7a, a literatura pode ser o ve\u00edculo pelo qual a mem\u00f3ria social se reaviva, revelando o horror e a viol\u00eancia desse per\u00edodo como experi\u00eancia est\u00e9tica. Vanja e o ex-marido de sua m\u00e3e, Fernando, ex-guerrilheiro combatente no Araguaia, experienciam a \u201csombra potencial do passado\u201d e, em suas pr\u00f3prias viv\u00eancias, os deslocamentos entre o tempo de suas hist\u00f3rias pessoais, o conhecimento de fatos at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidos para Vanja, e a certeza de que \u201cnada ser\u00e1 como antes\u201d. O conhecimento tem dessas coisas: proporcionar mergulhos em abismos imensos e descobrir a pr\u00f3pria hist\u00f3ria na hist\u00f3ria do outro. Provocar ru\u00eddos no sil\u00eancio hist\u00f3rico do desconhecimento da hist\u00f3ria pol\u00edtica do pa\u00eds \u00e9 recuperar a mem\u00f3ria desse per\u00edodo e questionar a falta de respostas e o sil\u00eancio quanto aos in\u00fameros corpos ainda desaparecidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seria, ent\u00e3o, a falta de mem\u00f3ria, ou o n\u00e3o enxergar do per\u00edodo, o maior respons\u00e1vel pela falta de percep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica pessoal e social da ditadura? Na perspectiva est\u00e9tica, observa-se que, para Merleau-Ponty (2013), \u201ca arte \u00e9 uma apercep\u00e7\u00e3o pessoal. Coloco esta apercep\u00e7\u00e3o na sensa\u00e7\u00e3o e pe\u00e7o \u00e0 intelig\u00eancia organiz\u00e1-la em obra\u201d (p. 116). Significaria essa falta de vis\u00e3o a respons\u00e1vel pela invisibilidade da morte e viol\u00eancia praticada nesse per\u00edodo, assim, arte como \u201copera\u00e7\u00e3o de express\u00e3o\u201d (p. 119), pode tornar acess\u00edvel \u201caos mais \u2018humanos\u2019 dos homens o espet\u00e1culo de que participam sem perceber\u201d (p. 120). A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 um movimento de busca; Merleau Ponty aponta que \u201ca profundidade \u00e9 sempre nova, exige que a busquem, n\u00e3o \u201cuma vez na vida sen\u00e3o por uma vida toda\u201d (p. 293). Quanto mais imersas na busca pelo acontecimento hist\u00f3rico e seus desdobramentos, mais pr\u00f3ximas as pessoas estar\u00e3o das descobertas dos \u201cvazios\u201d de sua espacialidade memorial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BRAUCKS, Noraci Cristiane Michel; BARZOTTO, Leon\u00e9 Astride (2016). Mobilidades culturais em <em>Azul-corvo<\/em>, de Adriana Lisboa. <em>Ra\u00eddo<\/em>, v. 9, n. 20, p. 191-201.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CAMPOS FILHO, Romualdo Pessoa (1997). <em>Guerrilha do Araguaia \u2013 Esquerda em Armas<\/em>. Goi\u00e2nia: Universidade Federal de Goi\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GENETTE, G\u00e9rard (1979). <em>Discurso da narrativa<\/em>: ensaio de m\u00e9todo. Tradu\u00e7\u00e3o de Fernando Cabral Martins. Lisboa: Arc\u00e1dia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MERLEAU-PONTY, Maurice (2013). A d\u00favida de C\u00e9zanne. <em>In<\/em>: <em>O olho e o esp\u00edrito<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo Neves e Maria Ermantina Galv\u00e3o G. Pereira. S\u00e3o Paulo: Cosac &amp; Naify.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PAREYSON, Luigi (1989). <em>Os problemas da est\u00e9tica<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PIZZUTTI, Geovana Turella (2023). <em>A mem\u00f3ria coletiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 protagonista na obra <\/em>Azul-corvo<em>, de Adriana Lisboa<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, Campo Grande.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RANCI\u00c8RE, Jacques (2009). <em>O inconsciente est\u00e9tico<\/em>. S\u00e3o Paulo: 34.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">REIS, Marina (2015). <em>Identidade e pertencimento em <\/em>Azul-corvo<em> de Adriana Lisboa<\/em>. Monografia (Bacharelado em Portugu\u00eas) \u2013 Stockholms Universet, Estocolmo. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.divaportal.org\/smash\/get\/diva2:848981\/FULLTEXT01.pdf\">https:\/\/www.divaportal.org\/smash\/get\/diva2:848981\/FULLTEXT01.pdf<\/a>. Acesso: 05 mar. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RIC\u0152UR, Paul (2007). <em>A mem\u00f3ria, a hist\u00f3ria, o esquecimento<\/em>. Campinas: Editora da Unicamp.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4434.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4434\" data-foogallery=\"{&quot;panel&quot;:{&quot;buttons&quot;:{&quot;download&quot;:false}},&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false,&quot;download&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; 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