{"id":2707,"date":"2024-10-15T21:42:12","date_gmt":"2024-10-16T00:42:12","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2707"},"modified":"2025-09-15T09:46:54","modified_gmt":"2025-09-15T12:46:54","slug":"a-casca-da-serpente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2707","title":{"rendered":"A casca da serpente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">VEIGA, Jos\u00e9 J. <em>A casca da serpente<\/em>. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1989.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Renan Henrique Messias de Paulo<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Esp\u00edrito Objeto<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre 7 de novembro de 1896 e 5 de outubro de 1897, foi registrado no sert\u00e3o da Bahia um conflito que marcou a hist\u00f3ria do Brasil. A Guerra de Canudos, como assim foi chamada, evidenciou o massacre do ex\u00e9rcito republicano em um Brasil que passava pela transi\u00e7\u00e3o do seu sistema de governo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1902, o jornalista e escritor Euclides da Cunha (Catal\u00e3o, RJ, 1866 \u2013 Piedade, RJ, 1909), ap\u00f3s um intenso estudo de campo em Canudos, publicou a obra <em>Os sert\u00f5es<\/em>, sendo a primeira contribui\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria, hist\u00f3rica e jornal\u00edstica sobre o conflito. Dividido em tr\u00eas partes, a obra tece um importante estudo sobre a Guerra de Canudos e, sobretudo, sobre a figura de Ant\u00f4nio Conselheiro, o l\u00edder religioso que conduziu a popula\u00e7\u00e3o de Canudos durante a resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s 92 anos do fim da Guerra de Canudos e 87 anos da primeira publica\u00e7\u00e3o de Euclides da Cunha, o goiano Jos\u00e9 J. Veiga (Corumb\u00e1, GO, 1915 \u2013 Rio de Janeiro, RJ, 1999), j\u00e1 consolidado no mercado editorial brasileiro, publicou <em>A casca da serpente<\/em>, em 1989.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 J. Veiga foi um importante escritor brasileiro do s\u00e9culo XX. Sua estreia na carreira liter\u00e1ria se deu com a publica\u00e7\u00e3o de <em>Os cavalinhos de platiplanto<\/em> (1959), e ele rapidamente conquistou relev\u00e2ncia no cen\u00e1rio nacional. Veiga acompanhou diversas transforma\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas no Brasil, e sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria foi profundamente influenciada por esses contextos, especialmente durante a Ditadura Militar (1964-1985), per\u00edodo marcado pela censura e persegui\u00e7\u00e3o que ditavam o modo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar da atmosfera pesada e conturbada no per\u00edodo de 1964 a 1985, Jos\u00e9 J. Veiga n\u00e3o deixou de escrever e publicar seus trabalhos. Diante de um mundo perigoso, o autor utilizou o pano de fundo do contexto social e pol\u00edtico em que vivia e elaborou romances e contos que dialogavam com o tempo presente. <em>Sombras de reis<\/em> <em>barbudos<\/em> \u00e9 um exemplo disso. Publicado em 1972, o romance narra a cria\u00e7\u00e3o da Companhia de Melhoramentos de Taitara, que, de forma tir\u00e2nica, imp\u00f5e uma s\u00e9rie de regras que impedem a liberdade das personagens. Esse romance \u00e9 uma cr\u00edtica velada \u00e0 ditadura e d\u00e1 a ver como, durante o regime de exce\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 J. Veiga formalizou em suas obras uma alegoria e cr\u00edtica \u00e0 opress\u00e3o e \u00e0 censura, utilizando o surreal para ilustrar as realidades pol\u00edticas sombrias e a falta de liberdade no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o t\u00e9rmino da ditadura, Jos\u00e9 J. Veiga n\u00e3o abandonou os elementos fant\u00e1sticos em suas obras. No entanto, com a publica\u00e7\u00e3o de <em>A casca da serpente<\/em>, h\u00e1 um enfoque diferente, em que a revisita\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica \u00e9 a principal tem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Publicado em 1989 pela editora Bertrand Brasil, <em>A casca da serpente<\/em> apresenta uma hist\u00f3ria ficcionalizada sobre a Guerra de Canudos. O romance retrata o final da guerra, mas n\u00e3o a morte do l\u00edder religioso Ant\u00f4nio Conselheiro. Fingindo que ele havia sido derrotado pelas tropas republicanas, Conselheiro e seus seguidores t\u00eam a miss\u00e3o de construir uma nova Canudos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance \u00e9 dividido em cinco partes, que reconstroem desde o final da guerra e a farsa da morte de Conselheiro at\u00e9 o retiro dos sobreviventes para a constru\u00e7\u00e3o de um novo espa\u00e7o de resist\u00eancia. Ant\u00f4nio Conselheiro era o l\u00edder religioso daqueles que o seguiam, e seu discurso religioso era sempre o mais importante e presente. No entanto, ele tamb\u00e9m criticava a pol\u00edtica, especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es recentes no Brasil republicano. Segundo Conselheiro, a Rep\u00fablica significava a vinda do anticristo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale destacar o tom autorreflexivo do romance. Ao reconstruir os eventos do final do s\u00e9culo XIX com um olhar do s\u00e9culo XX, o narrador permite que os leitores compreendam a hist\u00f3ria sob a perspectiva de uma \u00e9poca posterior. Assim, as conclus\u00f5es sobre a guerra s\u00e3o suscet\u00edveis aos ju\u00edzos de valores do tempo presente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro ponto interessante \u00e9 a humaniza\u00e7\u00e3o da figura de Ant\u00f4nio Conselheiro. Durante a guerra e na forma\u00e7\u00e3o de Canudos, o l\u00edder n\u00e3o era uma personagem aberta ao di\u00e1logo; suas ordens, pedidos e orienta\u00e7\u00f5es eram seguidos sem resist\u00eancia, seja por sua import\u00e2ncia para a comunidade, seja por ser uma figura messi\u00e2nica que todos seguiam na esperan\u00e7a de ele ser realmente o salvador, ou pela destreza de sua articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Em <em>A casca da serpente<\/em>, Conselheiro muda e, de forma coletiva, tenta reconstruir Canudos, ouvindo a todos, inclusive a primeira personagem feminina a se reunir com o grupo na trama, Dona Marigarda, uma sobrinha distante de Conselheiro que, antes da guerra, jamais pensaria em se aproximar dele, apesar de o estimar muito, assim como todos no arraial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conselheiro muda: sua casca de serpente cai, assim como Canudos. No romance de Veiga, o l\u00edder da comunidade abdica das barbas grandes e mal cuidadas para assumir uma imagem mais jovial e sem as amarras do passado. Agora, n\u00e3o h\u00e1 mais o exagero de tentar pregar palavras sempre com o aux\u00edlio da B\u00edblia. O trauma da guerra transformou aquele personagem que, embora novo, ainda se mantinha na posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a do grupo, mas com uma nova lideran\u00e7a, como o exemplo de conversar com mulheres: \u201cEm Canudos, nunca ningu\u00e9m viu o conselheiro conversar com mulher frente a frente, e parece que ele considerava essas criaturas como portadoras de malef\u00edcios para os homens\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A casca da serpente \u00e9 jogada fora, e um novo Ant\u00f4nio Conselheiro surge para contar uma nova hist\u00f3ria: \u201cDesde que tirara a barba e jogara fora o camisol\u00e3o de penitente, que parecia que ele andara fazendo uma limpeza tamb\u00e9m nas ideias: deixara o exagero das rezas e a mania de entender tudo pelo compasso da B\u00edblia e do fanatismo religioso\u201d. Ele n\u00e3o era mais visto como o Conselheiro: agora era chamado de Tio Ant\u00f4nio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A reconstru\u00e7\u00e3o dos eventos hist\u00f3ricos que Veiga faz em <em>A casca da serpente<\/em> tamb\u00e9m d\u00e1 protagonismo aos sujeitos exc\u00eantricos. No romance de Veiga, os sertanejos permanecem vivos, resistentes \u00e0 ofensiva violenta dos militares que tentaram destruir suas vidas. Ao reinserir os sertanejos na hist\u00f3ria, Veiga subverte os acontecimentos reais da hist\u00f3ria, mas, ao mesmo tempo, permite que esse ponto de vista seja contado e d\u00e1 visibilidade aos personagens marginalizados pela pr\u00f3pria hist\u00f3ria pol\u00edtica do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A reconstru\u00e7\u00e3o de Canudos \u00e9 feita no arraial de Itatimund\u00e9, uma localiza\u00e7\u00e3o fict\u00edcia centralizada no sert\u00e3o nordestino. A reprodu\u00e7\u00e3o do modo de vida daquela sociedade \u00e9 regida pela forte presen\u00e7a da guerra, que dizimou muitas vidas e fez com que aquelas personagens lidassem com a nova realidade. Por\u00e9m, o trauma da guerra n\u00e3o os impediu de ter autonomia e buscar for\u00e7a para reconstruir uma nova Canudos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diversos personagens s\u00e3o intrigantes, especialmente Marigarda, a sobrinha que ganha voz de lideran\u00e7a diante de tantos homens que estavam acostumados apenas a se ouvir; Dasdor, um garoto que aprende a se tornar um sertanejo muito inteligente; e o russo anarquista Pedro, que divide vis\u00f5es de constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade com Tio Ant\u00f4nio. Ambos trocam muitas conversas e escrevem o que seria o mundo ideal para eles: \u201cD\u00aa Marigarda um dia perguntou se eles estavam a fim de passar o mundo a limpo. Quem respondeu foi o tio. \u2018O mundo n\u00e3o. S\u00f3 este nosso peda\u00e7o de sert\u00e3o. N\u00e3o \u00e9, Sr. Pedro? Por enquanto. Quando tivermos arrumado o sert\u00e3o, vamos cuidar do pa\u00eds. Depois atacaremos o mundo\u2019\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance conta com um narrador onisciente em terceira pessoa e, dessa forma, consegue-se perceber as rea\u00e7\u00f5es das diversas personagens a respeito da vida cotidiana no novo arraial. A reconstru\u00e7\u00e3o segue um modelo menos autorit\u00e1rio e mais colaborativo, alinhado com a l\u00f3gica de um mundo ideal e mais social, segundo Ant\u00f4nio Conselheiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>A casca da serpente<\/em> \u00e9 um romance que subverte a no\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria ao recriar de maneira metaficcional o que seria o p\u00f3s-Guerra de Canudos. Jos\u00e9 J. Veiga constr\u00f3i uma narrativa que permite aos leitores tecer novos olhares sobre a figura hist\u00f3rica. Al\u00e9m disso, a humaniza\u00e7\u00e3o da personagem faz com que ela se aproxime ainda mais de um lugar de afeto, despertando a empatia e o carinho do leitor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra traz \u00e0 tona importantes debates para a sociedade n\u00e3o apenas de sua \u00e9poca de lan\u00e7amento, mas tamb\u00e9m dos dias atuais. Entre esses debates, est\u00e3o quest\u00f5es como os movimentos sociais, a desigualdade e a luta pela terra, os movimentos de resist\u00eancia, o messianismo, al\u00e9m de provoca\u00e7\u00f5es sobre a cria\u00e7\u00e3o de um mundo menos desigual, violento e injusto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARVALHO, Maria Luiza Ferreira Laboissi\u00e8re; CABRAL, Maria Wellitania de Oliveira (2008). Hist\u00f3ria e metafic\u00e7\u00e3o na novela <em>A casca da serpente<\/em>, de Jos\u00e9 J. Veiga. <em>In<\/em>: CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABRALIC \u2013 Tessituras, Intera\u00e7\u00f5es, Converg\u00eancias, 11., 13 a 17 de julho de 2008, Universidade de S\u00e3o Paulo. <em>Anais\u2026<\/em> Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.abralic.org.br\/Cong2008\/AnaisOnline\/Simp\u00f3sio\/pdf\/42\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.abralic.org.br\/Cong2008\/AnaisOnline\/Simp\u00f3sio\/pdf\/42<\/a>. Acesso em: 21 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CUNHA, Euclides (2016). <em>Os sert\u00f5es<\/em>. S\u00e3o Paulo: Martin Claret.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GUEDES, Rebeca Santos de Amorim (2010). <em>Os<\/em> <em>sert\u00f5es<\/em> e<em> A casca da serpente<\/em>: a reescritura como ressignifica\u00e7\u00e3o. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Letras) \u2013 Universidade Federal de Pernambuco, Recife.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PAULO, Renan Henrique Messias de (2023). <em>Reler as ditaduras no Brasil e Portugal<\/em>: o realismo m\u00e1gico em <em>Sombras de reis barbudos<\/em>, de Jos\u00e9 J. Veiga, e <em>O dia dos prod\u00edgios<\/em>, de L\u00eddia Jorge. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Estudos de Literatura) \u2013 Universidade Federal de S\u00e3o Carlos, S\u00e3o Carlos. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/repositorio.ufscar.br\/handle\/ufscar\/19082\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/repositorio.ufscar.br\/handle\/ufscar\/19082<\/a>. Acesso em: 21 jul. 2024.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\"><\/figure>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4436.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4436\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Bertrand-Brasil1989.webp\" data-caption-title=\"Bertrand Brasil,1989\" data-attachment-id=\"2993\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Bertrand Brasil,1989\" width=\"250\" height=\"348.68421052632\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Bertrand-Brasil1989.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22348.68421052632%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20348.68421052632%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Bertrand Brasil,1989<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Bertrand-Brasil-1989.webp\" data-caption-title=\"Bertrand Brasil, 1989\" data-attachment-id=\"2992\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Bertrand Brasil, 1989\" width=\"250\" height=\"383.97790055249\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Bertrand-Brasil-1989.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22383.97790055249%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20383.97790055249%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Bertrand Brasil, 1989<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VEIGA, Jos\u00e9 J. 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