{"id":2672,"date":"2024-10-03T01:26:06","date_gmt":"2024-10-03T04:26:06","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2672"},"modified":"2025-11-12T18:02:45","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:45","slug":"o-antigo-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2672","title":{"rendered":"O antigo futuro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">RUFFATO, Luiz. <em>O antigo futuro.<\/em> S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Carlos Wender Sousa Silva<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Carolina Vigna<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance <em>O antigo futuro<\/em> (2022), do escritor mineiro Luiz Ruffato (Cataguases,&nbsp;MG, 1961), foi publicado em 2022. Em 2001, o autor publicou <em>Eles eram muitos cavalos<\/em>, seu romance de estreia, com o qual recebeu os pr\u00eamios APCA e Machado de Assis, tamb\u00e9m editado em v\u00e1rios pa\u00edses. O jornal <em>O Globo<\/em> elegeu essa obra um dos dez melhores livros de fic\u00e7\u00e3o da d\u00e9cada. Ruffato tamb\u00e9m \u00e9 autor de <em>De mim j\u00e1 nem se lembra<\/em> (2007), <em>Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea<\/em> (2009) e <em>Flores artificiais<\/em> (2014). Sua produ\u00e7\u00e3o foi ainda reconhecida com o pr\u00eamio Jabuti, em 2007, pelo romance <em>Vista parcial da noite<\/em> (2006) e, em 2015, na categoria infantil, pela obra <em>A hist\u00f3ria verdadeira do sapo Luiz<\/em> (2015). Em 2016, recebeu o pr\u00eamio internacional Hermann Hesse, na Alemanha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto liter\u00e1rio de Ruffato \u00e9 marcado pela associa\u00e7\u00e3o entre elementos est\u00e9ticos e pol\u00edticos que subsidiam suas narrativas ficcionais. Seus personagens s\u00e3o marcadamente da classe m\u00e9dia baixa brasileira, com todas as suas implica\u00e7\u00f5es e desdobramentos na sociedade como um todo. O texto ficcional do escritor se destaca pela pluralidade de vozes narrativas, fragmenta\u00e7\u00e3o da narrativa, n\u00e3o linearidade e tantos outros recursos estil\u00edsticos e de linguagem que lhe d\u00e3o uma caracter\u00edstica liter\u00e1ria pr\u00f3pria. A cidade natal do autor, no interior mineiro, \u00e9 utilizada como recurso liter\u00e1rio para pensar o espa\u00e7o urbano para al\u00e9m das grandes metr\u00f3poles. Os elementos prec\u00e1rios e inst\u00e1veis que constituem as rela\u00e7\u00f5es sociais, as ru\u00ednas e rupturas que emergem dos conflitos dentro de uma comunidade pol\u00edtica  s\u00e3o instrumentos da produ\u00e7\u00e3o do escritor. Ruffato explora as contradi\u00e7\u00f5es da sociedade brasileira como desigualdade <em>versus <\/em>modernidade, contempor\u00e2neo <em>versus <\/em>conservador, progresso <em>versus <\/em>reacion\u00e1rio, centro <em>versus <\/em>interior-margem.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>O antigo futuro<\/em>, desenha-se a hist\u00f3ria dos desafios pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais impostos a uma fam\u00edlia do in\u00edcio do s\u00e9culo XX at\u00e9 os dias atuais, passando por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es. O romance \u00e9 dividido em cem breves cap\u00edtulos, em quatro partes, que, de forma regressiva, adentram a hist\u00f3ria de Alex, um imigrante nos Estados Unidos. A narrativa percorre as transforma\u00e7\u00f5es da vida desse personagem, de seus familiares e ascendentes. A fam\u00edlia est\u00e1 submetida a disputas e embates que revelam, na verdade, n\u00e3o uma hist\u00f3ria familiar, mas a de todo um pa\u00eds. A desigualdade social, a viol\u00eancia e a marginaliza\u00e7\u00e3o que atravessam essa fam\u00edlia, em diferentes momentos espa\u00e7o-temporais, representam boa parte daquilo que a sociedade brasileira construiu ao longo do tempo e vai deixando de heran\u00e7a aos seus descendentes. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim como em <em>Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea<\/em>, <em>O antigo futuro<\/em> se desenvolve em torno da ilus\u00e3o de prosperidade possibilitada pela emigra\u00e7\u00e3o. O romance de 2009 \u00e9 narrado em primeira pessoa e tem como protagonista Serginho, um brasileiro que emigra para Lisboa em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida no pa\u00eds europeu. A narrativa \u00e9 contada a partir da perspectiva de um imigrante ilegal. Em <em>O antigo futuro<\/em>, por sua vez, Alex vai para os Estados Unidos pensando em trabalhar e retornar ao Brasil em breve com mais dinheiro. E todos os que iam com esse desejo e esperan\u00e7a, no decorrer do tempo, percebiam que esse ideal n\u00e3o passava de uma ilus\u00e3o constru\u00edda pelas estruturas de poder. Pouco a pouco o corpo do personagem foi se adaptando \u00e0s mudan\u00e7as de esta\u00e7\u00e3o e se conformando \u00e0 vida de subservi\u00eancia que lhe era imposta. Trabalhava at\u00e9 onze horas por dia, al\u00e9m do tempo despendido no transporte p\u00fablico. Trocava de emprego algumas vezes, ocupando sempre subempregos. Pouco a pouco percebia que nunca mais conseguiria retornar ao Brasil, um sonho mais e mais distante. No Brasil, tinha deixado o pai acamado, a irm\u00e3 Jaqueline com uma depress\u00e3o avassaladora, a cunhada Riv\u00e2nia cuidando de todos com o dinheiro contado e a mem\u00f3ria do irm\u00e3o Bruno e do cunhado V\u00e2nderson, ambos assassinados pela viol\u00eancia das ruas de S\u00e3o Paulo. Alex enviava algum dinheiro \u00e0 fam\u00edlia para ajudar e guardava para si apenas o necess\u00e1rio para as despesas essenciais como aluguel, comida e transporte. Lazer, acesso aos bens materiais e imateriais que aquele pa\u00eds de \u201cprimeiro mundo\u201d produzia ininterruptamente, qualidade de vida, nada disso estava incluso no pacote.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo da narrativa, v\u00e3o reunindo-se fragmentos da trajet\u00f3ria da fam\u00edlia de Alex. Muitos desses retalhos e peda\u00e7os inacabados de uma hist\u00f3ria familiar, Alex tinha conseguido com o tio Gilberto, o Artista, o qual aparecia de vez em quando. O pai, Dagoberto, pouco falava sobre a fam\u00edlia. A mem\u00f3ria de Dagoberto estava em algumas poucas coisas que tinha consigo: o arm\u00e1rio cinza cheio de ferramentas \u00fateis e in\u00fateis; a gata preta que surgira na garagem com quase nenhuma chance de vida, mas que conseguiu resistir e viver por longo per\u00edodo. Alex n\u00e3o tinha quase nenhuma mem\u00f3ria da m\u00e3e. Sem fotografias, \u00e0s vezes se perguntava por onde ela andava. Nos Estados Unidos, ele levava uma vida de desterrado, mas \u00e0 qual j\u00e1 tinha de certa forma se conformado e acostumado. N\u00e3o cogitava voltar ao Brasil, pois \u201cas not\u00edcias que circulavam revelavam a extens\u00e3o do p\u00e2ntano de corrup\u00e7\u00e3o, viol\u00eancia e ressentimento em que se afundava o pa\u00eds\u201d. Mais valia um exilado apegado a uma suposta possibilidade de futuro do que preso num passado que insistia em permanecer. Alex e outros latino-americanos viviam \u00e0 margem da sociedade nos EUA. Passavam os dias com medo de terem sua clandestinidade no pa\u00eds estrangeiro descoberta e ent\u00e3o serem devolvidos ao pa\u00eds de origem, que tamb\u00e9m os colocava no limbo do mundo. Essas eram pessoas rejeitadas pelo territ\u00f3rio estrangeiro e pelo pr\u00f3prio pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em alguns dias quentes nos EUA, Alex relembrava tamb\u00e9m aquele dia quente de janeiro em que um sujeito atirou a queima-roupa em Bruno e V\u00e2nderson. E Alex ent\u00e3o testemunhava, em seguida, o profundo sil\u00eancio que ca\u00eda sobre o local e \u201cvislumbrava os corpos do irm\u00e3o e do cunhado inertes no ch\u00e3o\u201d. Esse acontecimento o faz abandonar o pa\u00eds. Como consequ\u00eancia, deixa para tr\u00e1s toda a constru\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria familiar, cultural e identit\u00e1ria. Sente que lhe foi imposto deixar tudo para fugir dessa lembran\u00e7a e do sempre iminente risco de viol\u00eancia. Alex vivia agora a vida de um expatriado em meio \u00e0 solid\u00e3o, \u00e0 saudade, \u00e0 humilha\u00e7\u00e3o do dia a dia e \u00e0 incerteza sobre o amanh\u00e3. \u201cAlex j\u00e1 n\u00e3o conseguia olhar para o futuro, pois sabia que n\u00e3o h\u00e1 nada l\u00e1\u201d. Ele aprendeu desde cedo que, pouco a pouco, a cidade engolia as pessoas que nela depositavam esperan\u00e7a. Do sonho, ficava apenas a mem\u00f3ria de um \u201cantigo futuro\u201d. A experi\u00eancia da fam\u00edlia dele ao longo do s\u00e9culo XX demonstrava isso. Sua ida para S\u00e3o Paulo, com uma m\u00e3o na frente e outra atr\u00e1s, tamb\u00e9m. Mudou-se antes e depois, movido pelo sonho de uma cidade \u2013 um pa\u00eds \u2013 que anunciava sucesso, dinheiro, prosperidade, paz, sossego, esperan\u00e7a. Algum lugar que lhe permitisse sonhar, enfim, construir um futuro. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda antes, o pai, Dagoberto, quis dar aos filhos a vida que nunca p\u00f4de ter. Sonhou a vida toda conseguir ter um lugar para chamar de seu. Quando crian\u00e7a, sua fam\u00edlia tinha sido despejada v\u00e1rias vezes, abandonando brinquedos, amigos e mem\u00f3rias. Estavam sempre recome\u00e7ando. De endere\u00e7o provis\u00f3rio em endere\u00e7o provis\u00f3rio, Dagoberto imaginava futuros. J\u00e1 adulto, sonhava com cada filho num pavimento do sobrado, os netos correndo alegres pelos c\u00f4modos. Ao rememorar a inf\u00e2ncia, Dagoberto lembrava tamb\u00e9m das conversas dos adultos sobre as dificuldades dos anos 1960 e da viol\u00eancia dos anos de chumbo da ditadura militar. Al\u00e9ssio, o pai dele, anunciava \u00e0 m\u00e3e que l\u00e1 fora tinham derrubado o governo e que estavam atr\u00e1s dos comunistas. Ela ent\u00e3o interrogava o que eles, a fam\u00edlia, tinham a ver com isso tudo. E Dagoberto ouvia da conversa entre os pais as a\u00e7\u00f5es totalit\u00e1rias da ditadura, as pris\u00f5es arbitr\u00e1rias, as persegui\u00e7\u00f5es. Dagoberto ouviu falar de um regime que tornava os livros suspeitos, a poesia subversiva. O Padre que se recusava a abrir sua Igreja para comemorar o anivers\u00e1rio do regime totalit\u00e1rio que tinha se instaurado era perseguido, considerado criminoso. \u201cO lema Brasil, ame-o ou deixe-o, a \u00fanica coisa da Revolu\u00e7\u00e3o de 64 da qual o pai discordava, em segredo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa adentra tamb\u00e9m a inf\u00e2ncia de Al\u00e9ssio, sua rela\u00e7\u00e3o com os pais. Os Bortoletto sobreviviam da agricultura que produziam ao longo do ano. Os pais tinham nove filhos, Al\u00e9ssio era o ca\u00e7ula. Al\u00e9ssio, que sonhou ter fam\u00edlia grande, fazia de tudo para que os filhos estudassem e n\u00e3o tivessem o mesmo destino que o seu. Renunciava aos seus sonhos para assegurar os dos filhos; \u201c[&#8230;] falava para a mulher, Estou plantando hoje para que eles colham daqui a alguns anos\u201d. Dos ascendentes dessa fam\u00edlia, percorre-se tamb\u00e9m as transforma\u00e7\u00f5es dos Bortoletto ainda no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Abramo, seus pais e irm\u00e3os, em busca de um futuro, entraram num navio em G\u00eanova rumo ao Rio de Janeiro. Viajaram na terceira classe, num local que parecia pris\u00e3o. A comida \u00e9 insuficiente e ruim. \u201cO calor tornou-se insuport\u00e1vel, a catinga que emanava dos corpos suados se misturava ao fedor de v\u00f4mito, de urina e de fezes, nauseando o ambiente\u201d. O pai levava consigo nessa viagem a esperan\u00e7a de nunca mais passar fome, frio nem humilha\u00e7\u00e3o. A m\u00e3e lamentava que n\u00e3o mais iria ver seus parentes nem chorar seus mortos. No Brasil, j\u00e1 mais adulto, Abramo trabalhou tirando leite, capinando, aguando a horta, enquanto Emma, sua companheira, cuidava dos bichos e das tarefas dom\u00e9sticas. Percorrendo essa vida de mis\u00e9ria e humilha\u00e7\u00f5es, enxotado de fazenda por coronel e capataz, Abramo ouviu do seu pai, que estava enfermo numa cama, o \u00faltimo suspiro e sussurro: \u201cDom\u00e0n \u00e8 futuro, per noi non c\u2019\u00e8 futuro \u2013 Amanh\u00e3 \u00e9 futuro, para n\u00f3s n\u00e3o h\u00e1 futuro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O antigo futuro<\/em> \u00e9 exatamente sobre esse futuro que est\u00e1 por vir, anunciado h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es que v\u00e3o se sucedendo umas \u00e0s outras. A degrada\u00e7\u00e3o social, as desigualdades que se fixaram na estrutura da nossa sociedade, as rupturas, as expuls\u00f5es, as imposi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, culturais e \u00e9tnicas, todos os diferentes instrumentos de domina\u00e7\u00e3o servem cotidianamente para impedir que esse t\u00e3o esperado futuro enfim chegue. Tudo isso resulta em viol\u00eancia, desterritorializa\u00e7\u00e3o, rompimentos que v\u00e3o modificando a concep\u00e7\u00e3o de cada sujeito em rela\u00e7\u00e3o ao mundo, a si mesmo e a todos a sua volta. Em busca do futuro, as pessoas se distanciam, caem no esquecimento, sobrep\u00f5em o imediatismo do presente brutal sobre as mem\u00f3rias e os afetos que tentam guardar de outras pessoas. A narrativa apresenta uma realidade que nos faz lembrar que essa estrutura de organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica tem retirado de n\u00f3s talvez aquilo que tenhamos de mais importante: nossa possibilidade de sonhar o futuro. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DELGADO, Gabriel Estides (2014). <em>A negocia\u00e7\u00e3o social do espa\u00e7o em inferno provis\u00f3rio<\/em>, de Luiz Ruffato. 2014. 93 f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Literatura). Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PELLEGRINI, T\u00e2nia (2020). A refra\u00e7\u00e3o do realismo em Luiz Ruffato: um inferno permanente.&nbsp;<em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, (59), 1\u201314.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">SILVA CASAIS, Allysson Augusto (2022). A Cataguases de Luiz Ruffato: a experi\u00eancia urbana no interior mineiro.&nbsp;<em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, (65), 1\u201313. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">TONUS, Jos\u00e9 Leonardo (2013). O discurso sobre a precariedade em Luiz Ruffato e Arlindo Gon\u00e7alves.&nbsp;<em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, (41), 47\u201359.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4449.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4449\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Companhia-das-Letras-2022-1.webp\" data-caption-title=\"Companhia das Letras, 2022\" data-attachment-id=\"2676\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Companhia das Letras, 2022\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/10\/Companhia-das-Letras-2022-1\/2131728538.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Companhia das Letras, 2022<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RUFFATO, Luiz. 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