{"id":2615,"date":"2024-09-30T12:30:00","date_gmt":"2024-09-30T15:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2615"},"modified":"2025-11-12T18:02:45","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:45","slug":"cidade-de-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2615","title":{"rendered":"Cidade de Deus"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">LINS, Paulo. <em>Cidade de Deus<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1997.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Paulo Scott<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Cl\u00e1udio Rodrigues<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Cidade de Deus<\/em>, narrativa longa escrita pelo autor carioca Paulo Lins (Rio de Janeiro, RJ, 1958), lan\u00e7ada em 1997, transfigura para a fic\u00e7\u00e3o a violenta realidade social de pessoas subalternizadas pelo Estado. A hist\u00f3ria se baseia nas idiossincrasias que marcaram os primeiros quase 20 anos de um loteamento urbano na regi\u00e3o Oeste no munic\u00edpio do Rio de Janeiro, um bairro inaugurado em 1966. Este per\u00edodo coincide com o regime da ditadura militar instaurada em 1964 no pa\u00eds. O bairro era destinado \u00e0 habita\u00e7\u00e3o popular, tornando-se um cen\u00e1rio de marginalidade que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o tinha sido suficientemente escrutinado pela produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um romance que, devido \u00e0 sua ampla repercuss\u00e3o junto \u00e0 cr\u00edtica e ao p\u00fablico, desempenhou um papel central na produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria nacional, n\u00e3o apenas por ter sido precursor de outras obras que tamb\u00e9m alcan\u00e7aram destaque, mas tamb\u00e9m por ampliar as potencialidades do seu modo de abordagem. Este livro trouxe novos protagonismos para o centro da literatura brasileira, al\u00e9m de introduzir novas perspectivas para alcan\u00e7ar esses protagonismos. Mesmo lan\u00e7ado nos anos 1990, ele inaugurou o que viria a ser conhecido como a literatura brasileira do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dividido em tr\u00eas grandes cap\u00edtulos \u2013 a hist\u00f3ria de Inferninho, a hist\u00f3ria de Pardalzinho e a hist\u00f3ria de Z\u00e9 Mi\u00fado \u2013, o livro abarca m\u00faltiplos n\u00facleos dram\u00e1ticos, buscas e conflitos que se sucedem e se entrela\u00e7am e, no contexto geral, acabam por nutrir um n\u00facleo dram\u00e1tico que se revela o de maior express\u00e3o. Este n\u00facleo dram\u00e1tico \u2013 um eixo pelo qual a trama \u00e9 alinhavada \u2013 ser\u00e1 estabelecido em torno da personagem Inho, que depois passar\u00e1 a se chamar Z\u00e9 Mi\u00fado. No arco narrativo dessa personagem se posiciona o desejo que, logo depois das primeiras p\u00e1ginas do livro, movimenta a trama. Nessa personagem, est\u00e1 a representa\u00e7\u00e3o do tempo, a passagem do tempo, o tempo que abarcar\u00e1 um per\u00edodo bem cr\u00edtico da hist\u00f3ria recente da cidade do Rio de Janeiro pelo enfoque de um territ\u00f3rio que pode ser lido, metaforicamente, como o inferno imposs\u00edvel, o permanente terror de um confinamento socioecon\u00f4mico arquitetado pelo pr\u00f3prio Estado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nas tr\u00eas partes desse sum\u00e1rio est\u00e1 uma estrat\u00e9gia de contar, uma f\u00f3rmula que revela o ganhar relev\u00e2ncia de certas personagens que anseiam por protagonismo \u2013 na maioria das vezes, jovens negros que se tornam l\u00edderes da criminalidade local, sempre em atrito entre si \u2013, o ganhar poder e depois, quase invariavelmente, a derrocada. S\u00e3o protagonismos provis\u00f3rios \u2013 uma condi\u00e7\u00e3o que tamb\u00e9m vale para as personagens policiais que s\u00e3o apresentadas na hist\u00f3ria \u2013, demonstrando o quanto pode ser ef\u00eamera a vida em um ambiente e uma ambi\u00eancia social t\u00e3o propositalmente t\u00f3xicos como a da Cidade de Deus trabalhada pelo romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, Paulo Lins estabelece, por meio da verdade ficcional que elegeu, uma esp\u00e9cie de cartografia de um territ\u00f3rio de precariedades, decorr\u00eancia de uma ordem torta, de um constante caos alimentado pela opress\u00e3o estatal sistem\u00e1tica \u2013 que tamb\u00e9m se revela nas suas omiss\u00f5es intencionais, programadas, no <em>deixe que se matem<\/em> \u2013, um territ\u00f3rio em que se buscam eliminar escolhas \u00e9ticas e, por decorr\u00eancia, solu\u00e7\u00f5es \u00e9ticas. Poderia, sob esse vi\u00e9s aqui referido como cartogr\u00e1fico, ser lido como o livro do fracasso \u00e9tico dirigido por um perverso projeto civilizat\u00f3rio invisibilizador, silenciador, eliminador de um grupo de pessoas. Pode, entretanto, ser lido como o esfor\u00e7o de n\u00e3o ceder a essa in\u00e9rcia destrutiva, esfor\u00e7o de n\u00e3o entregar as subjetividades e sua resist\u00eancia ao projeto apocal\u00edptico que \u00e9 a manuten\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais. \u00c9 o que se descobre no seguinte trecho do romance: \u201cOs novos moradores levaram lixo, latas, c\u00e3es vira-latas, exus e pomba giras em guias intoc\u00e1veis, dias para se ir \u00e0 luta, soco antigo para ser descontado, restos de raiva de tiros, noites para velar cad\u00e1veres, resqu\u00edcios de enchentes, (\u2026). Transportaram tamb\u00e9m o amor para dignificar a morte e fazer calar as horas mudas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u201camor para dignificar a morte\u201d resume bem o jogo de expectativas presente no conflito trabalhado (e retrabalhado) \u00e0 exaust\u00e3o no romance. H\u00e1 muitas mortes nas p\u00e1ginas do livro, mortes que resultam de uma viol\u00eancia que interrompe e desagrega a inten\u00e7\u00e3o de uma exist\u00eancia digna. A esperan\u00e7a de conquistar de maneira perene alguma dignidade no existir \u00e9 escassa, de modo que o elemento divisor entre as personagens de maior relev\u00e2ncia, na extensa lista de quase 200 personagens nominadas, acaba sendo, para al\u00e9m de conseguir sobreviver, a busca de algum sentido para continuar existindo quando a morte est\u00e1 o tempo todo t\u00e3o pr\u00f3xima.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 prepara\u00e7\u00e3o para a esperan\u00e7a e para o pior, h\u00e1 afeto e h\u00e1 amor (maneiras diferentes de demonstrar o amor), h\u00e1 personagens que o desconhecem, h\u00e1 as que dele desistiram e as que insistem em preserv\u00e1-lo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um personagem que acaba antagonizando com Z\u00e9 Mi\u00fado e que \u00e9 por onde esse tentar preservar amor e \u00e9tica mais se expressa \u00e9 Z\u00e9 Bonito, que entra na trama apenas no terceiro cap\u00edtulo. V\u00edtima da viol\u00eancia de Z\u00e9 Mi\u00fado \u2013 por ser e ter tudo que este jamais ser\u00e1 e ter\u00e1 \u2013, Z\u00e9 Bonito acaba incorporando uma presen\u00e7a de rea\u00e7\u00e3o, quase uma \u00e9tica-resposta, \u00e0quele. A partir dos embates entre os dois se descobre o quanto um territ\u00f3rio de muitos extremos, como Cidade de Deus, destro\u00e7a as inten\u00e7\u00f5es de construir uma sociedade menos afetada negativamente pela morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cidade de Deus, nessa perspectiva, \u00e9 a presen\u00e7a, a atmosfera, a gravidade, que a todas as subjetividades condiciona, quase de maneira determinante \u2013 uma programa\u00e7\u00e3o da elite que titereia os \u00f3rg\u00e3os do Estado a ponto de produzir in\u00fameros contextos semelhantes Brasil afora. Algo bem percebido e apreendido no verso-poema-banner da escritora e artista pl\u00e1stica fluminense Aline Motta (2022): \u201cAS PESSOAS N\u00c3O SABEM, MAS OS LUGARES SABEM\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bairro Cidade de Deus seria, assim, o palco de uma \u201c\u00e9tica da viol\u00eancia\u201d, absorvendo todos os medos que acabam por se tornar o sufocante modo de funcionar daquele espa\u00e7o. A voz narradora em terceira pessoa, uma voz narradora onisciente absoluta, por vezes neutra e quase objetiva, e em outras intrusa, alinhando-se a um permanente deslocamento do foco narrativo, pode-se dizer que \u00e9 um foco narrativo flutuante. Esse efeito \u00e9 importante, pois em certos momentos parece que \u00e9 a cidade do Rio de Janeiro que guia essa voz narradora. Isso produz uma impress\u00e3o de testemunho, quase como um tom de document\u00e1rio ou uma dic\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 cr\u00f4nica jornal\u00edstica, embora esteja longe de se confundir com esse tipo de reda\u00e7\u00e3o, como se buscasse concretizar uma literatura de testemunho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paulo Lins cresceu nessa comunidade, testemunhou jovens lideran\u00e7as do tr\u00e1fico de drogas surgirem e desaparecem, testemunhou o recrudescimento da presen\u00e7a policial que resultaria nas mil\u00edcias \u2013 um fen\u00f4meno que ganhou destaque no s\u00e9culo XXI. Ele tamb\u00e9m acompanhou a amplia\u00e7\u00e3o da influ\u00eancia das igrejas neopentecostais, o surgimento do Comando Vermelho na virada dos anos 1970 para os 1980, entre muitas outras transforma\u00e7\u00f5es de maior e menor impacto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por tudo isso, <em>Cidade de Deus <\/em>se tornou um marco na literatura brasileira contempor\u00e2nea, pois atualizou uma lente e a maneira de ler, pela tessitura liter\u00e1ria, os conflitos sociais no Brasil. A obra renovou a for\u00e7a de uma verdade que s\u00f3 pode ser constru\u00edda e percebida pela pot\u00eancia de uma obra ficcional recepcionada pelo seu tempo, pela arte (\u00e9 not\u00f3ria a repercuss\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o dessa obra pelo cinema por K\u00e1tia Lund e Fernando Meirelles) e pelo debate p\u00fablico tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Paulo Lins, que, antes de publicar o romance, havia se aventurado na poesia, com <em>Sob o sol<\/em> (1986), produziu <em>Desde que o samba \u00e9 samba<\/em>, romance lan\u00e7ado em 2012, no qual sobressai a profunda pesquisa, realizada pelo autor, sobre a cultura musical carioca do primeiro ter\u00e7o do s\u00e9culo XX e seu impacto na constru\u00e7\u00e3o da identidade negra brasileira. Al\u00e9m disso, lan\u00e7ou <em>Dois amores<\/em>, em 2019, sempre desvelando as idiossincrasias de protagonismos de pessoas negras e perif\u00e9ricas, sem, no entanto, enfrentar o tema da viol\u00eancia da maneira t\u00e3o densa como realizou em <em>Cidade de Deus<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AMODEO, Maria Tereza; MATTE, Gustavo Arthur (2014). Perversidade, f\u00e1bula e utopia em <em>Cidade de Deus<\/em>, de Paulo Lins. <em>Antares<\/em>, v. 6, n. 12, p. 95-116. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.ucs.br\/etc\/revistas\/index.php\/antares\/article\/viewFile\/2958\/1808\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/www.ucs.br\/etc\/revistas\/index.php\/antares\/article\/viewFile\/2958<\/a>. Acesso em: 18 jun. 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BARROS, Sandro R. (2012). <em>Cidade de Deus<\/em>: entre o testemunho e a fic\u00e7\u00e3o. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Bras\u00edlia, n. 40, p. 135-149.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COSTA, Keila Prado (2008). O que \u00e9 meu \u00e9 meu, o que \u00e9 seu \u00e9 nosso: quest\u00f5es de\/sobre <em>Cidade de Deus<\/em>. <em>Revista Cria\u00e7\u00e3o &amp; Cr\u00edtica<\/em>, Universidade de S\u00e3o Paulo, n. 1, p. 31-43.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOTTA, Aline (2022). <em>A \u00e1gua \u00e9 uma m\u00e1quina do tempo. <\/em>S\u00e3o Paulo: C\u00edrculo de Poemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PELLEGRINI, T\u00e2nia (2004). No fio da navalha: literatura e viol\u00eancia no Brasil de hoje. <em>Estudos de Literatura Brasileira Contempor\u00e2nea<\/em>, Bras\u00edlia, n. 24, p. 15-34.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">RIBEIRO, Paulo Jorge (2003). <em>Cidade de Deus<\/em> na zona&nbsp;de&nbsp;contato: alguns impasses da cr\u00edtica cultural contempor\u00e2nea. <em>Revista&nbsp;de&nbsp;Cr\u00edtica Literaria Latinoamericana<\/em>, Medford, Latinoamericana Editores, v. 29, n. 57, p. 125-139.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ROCHA, Renato Oliveira (2015). O v\u00ednculo&nbsp;de <em>Cidade de Deus<\/em>&nbsp;com a realidade. <em>REVELL \u2013<\/em> <em>Revista&nbsp;de&nbsp;Estudos Liter\u00e1rios da UEMS<\/em>, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, v. 2, n. 7, p. 19-32.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4468.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4468\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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data-caption-title=\"Cia das Letras, 1997\" data-attachment-id=\"2622\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Cia das Letras, 1997\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/09\/Cia-das-Letras-1997\/2171218482.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Cia das Letras, 1997<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a 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Cidade de Deus. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1997. Paulo ScottIlustra\u00e7\u00e3o: Cl\u00e1udio Rodrigues Cidade de Deus, narrativa longa escrita pelo autor carioca Paulo Lins (Rio de Janeiro, RJ, 1958), lan\u00e7ada em 1997, transfigura para a fic\u00e7\u00e3o a violenta realidade social de pessoas subalternizadas pelo Estado. 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