{"id":2507,"date":"2024-09-29T12:45:33","date_gmt":"2024-09-29T15:45:33","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2507"},"modified":"2025-11-12T18:03:00","modified_gmt":"2025-11-12T21:03:00","slug":"pssica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2507","title":{"rendered":"Pssica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">AUGUSTO, Edyr. <em>Pssica. <\/em>S\u00e3o Paulo: Boitempo; Bel\u00e9m: Samauma, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">J\u00e9ssica Leonila de Sousa<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Gra\u00e7a Craidy<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>Pssica<\/em>, Edyr Augusto (Bel\u00e9m, PA, 1954) apresenta uma narrativa curta e densa em que tematiza o universo das drogas e do tr\u00e1fico de mulheres por meio de uma viol\u00eancia pulsante que predomina em todo o livro. Com uma linguagem direta, sem uso intenso de met\u00e1foras e repleto de oralidade, o autor tra\u00e7a um panorama da criminalidade cotidiana do Brasil, mais precisamente de algumas regi\u00f5es do Par\u00e1. Assim, ainda que ficcional, a obra \u00e9 primordial para a compreens\u00e3o do contexto atual brasileiro bem como para o entendimento de aspectos de estilo narrativo presentes na literatura brasileira contempor\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa apresenta os mais perversos crimes em um ritmo acelerado \u2013 que o autor consegue principalmente por uso dos sintagmas curtos e do discurso indireto livre. Em uma mesma p\u00e1gina, muitos atos vertiginosos acontecem, pois a viol\u00eancia \u00e9 banalizada e a vida n\u00e3o possui valor nenhum. A escrita de Edyr Augusto lembra, em certo aspecto, a de Rubem Fonseca no que se refere a um \u201crealismo feroz\u201d, segundo a defini\u00e7\u00e3o de Antonio Candido sobre uma tend\u00eancia narrativa da segunda metade do s\u00e9culo XX. Essa ferocidade \u00e9 relativa ao modo com que a narrativa agride o leitor por meio da viol\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 tem\u00e1tica como tamb\u00e9m formal, assim como a capacidade de retratar o mundo real despido de floreios, numa esp\u00e9cie de representa\u00e7\u00e3o do mundo em sua total brutalidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em menos de cem p\u00e1ginas, o autor apresenta um n\u00famero extenso de personagens divididos em dois n\u00facleos \u2013 um que se passa em Bel\u00e9m e outro que inicia em Maraj\u00f3. Os cap\u00edtulos s\u00e3o intercalados com esses n\u00facleos em duas linhas de enredo. Al\u00e9m disso, o tempo na narrativa n\u00e3o \u00e9 linear; portanto, acompanha-se o desenvolvimento desses dois grupos de personagens at\u00e9 que eles se encontram. Cada cap\u00edtulo termina em uma cena de suspense, gerando a expectativa de que o pr\u00f3ximo lhe d\u00ea continuidade, o que n\u00e3o acontece, uma vez que o cap\u00edtulo seguinte retoma a outra linha narrativa. Esses recursos tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados pelo autor em romances como <em>Belhell<\/em> e lembram as t\u00e9cnicas de montagem cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa se inicia com uma adolescente de 14 anos, Janalice, sendo expulsa da casa dos pais. Ap\u00f3s ter um v\u00eddeo \u00edntimo vazado em que praticava sexo oral com o namorado, ela foi enviada para morar com a tia no centro de Bel\u00e9m, no Par\u00e1. Logo no primeiro cap\u00edtulo, a jovem \u00e9 estuprada pelo namorado da tia, envolve-se com uma usu\u00e1ria de <em>crack<\/em>, \u00e9 sequestrada e vendida para traficantes de mulheres como escrava sexual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O segundo cap\u00edtulo inicia com outra linha de enredo, apresentando a hist\u00f3ria de Manoel Tourinhos, natural de Angola, cuja trajet\u00f3ria \u00e9 marcada por seu servi\u00e7o como atirador durante a Revolu\u00e7\u00e3o Angolana. Ap\u00f3s o assassinato dos seus pais, ele fugiu para Portugal e, posteriormente, foi morar em Bel\u00e9m. Apesar de sua origem, Manoel foi apelidado de &#8220;Portuga&#8221; devido \u00e0 sua pele branca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um evento realizado na Ilha do Maraj\u00f3, Manoel conheceu a mulher que se tornaria a sua esposa. O casal decidiu morar por ali e abrir um pequeno estabelecimento comercial. Em determinado dia, enfrentaram uma tentativa de assalto por parte de ratos d&#8217;\u00e1gua, uma esp\u00e9cie de piratas que roubavam cargas de navios e praticavam diversos delitos. Portuga, em sua defesa, mata um dos assaltantes e, em retalia\u00e7\u00e3o, os criminosos sequestram sua esposa e a matam de forma brutal, esquartejando-a. A partir disso, o percurso do personagem ser\u00e1 vingar a morte de sua mulher.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro exp\u00f5e quest\u00f5es como tr\u00e1fico de mulheres, prostitui\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o infantil, n\u00e3o pelo sequestro e venda de Janalice, mas tamb\u00e9m mediante outras personagens, que por vezes sequer s\u00e3o nomeadas, refor\u00e7ando a ideia da banaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia; com isso, todas as vidas se tornam descart\u00e1veis. A gan\u00e2ncia por dinheiro n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico motivador para as brutalidades cometidas pelos personagens, mas o sexo, atrelado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de poder, tamb\u00e9m funciona como um mobilizador, um meio e quase como um fim. As tem\u00e1ticas se misturam e crimes, como roubo e assassinato, raramente aparecem sozinhos nas cenas: s\u00e3o acompanhados de crimes sexuais. Os poderes pol\u00edticos tamb\u00e9m surgem emaranhados nesses temas e refor\u00e7am o elo entre hierarquia, crime, viol\u00eancia e barb\u00e1rie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Janalice percorre, como escrava sexual, diversas regi\u00f5es do Par\u00e1, passa pelo Amap\u00e1 e, por fim, chega \u00e0 Guiana Francesa. Durante esse trajeto, o narrador conta as hist\u00f3rias de outros personagens que se envolvem com o garimpo, como \u00e9 o caso de Manoel Tourinhos, e com a pr\u00e1tica de roubo de carga, praticado pelo grupo de criminosos que assassinam a esposa de Manuel. As passagens narram os roubos das embarca\u00e7\u00f5es, que acontecem acompanhadas do estupro dos passageiros pelos assaltantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra \u00e9 situada em Bel\u00e9m do Par\u00e1, mas, como outros livros do autor, o cen\u00e1rio poderia ser qualquer lugar do Brasil, pois representa os conflitos entre a urbaniza\u00e7\u00e3o pensada para n\u00e3o contemplar os problemas sociais existentes, deixando \u00e0 margem a popula\u00e7\u00e3o mais vulner\u00e1vel, com um Estado n\u00e3o s\u00f3 omisso, mas conivente com a corrup\u00e7\u00e3o. Apesar das riquezas naturais de Maraj\u00f3 e do alto \u00edndice populacional em Bel\u00e9m, o que reflete na alta arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, tais recursos n\u00e3o s\u00e3o destinados aos servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, situa\u00e7\u00e3o que a obra mimetiza de forma convincente ao retratar a presen\u00e7a de riqueza e de mis\u00e9ria em um mesmo espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No livro, surgem figuras pol\u00edticas como um governador, um prefeito e um deputado, que s\u00e3o representados como personagens-tipo que assumem caracter\u00edsticas e comportamentos j\u00e1 conhecidos da classe pol\u00edtica. Esses personagens n\u00e3o s\u00f3 praticam corrup\u00e7\u00e3o e crimes hediondos, como utilizam todo o aparato estatal para encobrir tais atos e ganhar o apoio da popula\u00e7\u00e3o. Quase ao final da narrativa, os crimes cometidos pelos pol\u00edticos s\u00e3o denunciados e noticiados, mas outras autoridades acobertam tudo, evidenciando a exist\u00eancia de um esquema amplo de corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2017, foi noticiado que Andrea Barata Ribeiro, Bel Berlinck e&nbsp;Fernando Meirelles, da produtora O2 Filmes, adquiriram os direitos do livro para o cinema e que a adapta\u00e7\u00e3o marcaria a estreia de Quico Meirelles, filho do diretor de <em>Cidade de Deus<\/em>, no cinema. No <em>site <\/em>da editora Boitempo, Fernando Meirelles deixou coment\u00e1rios sobre seu fasc\u00ednio pela escrita de Edyr Augusto, ressaltando aspectos formais do livro que muito se assemelham ao roteiro de filmes, tais como a quase preteri\u00e7\u00e3o de descri\u00e7\u00e3o de personagens e de cen\u00e1rios, deixando a tarefa de preencher essas lacunas a cargo do leitor. Em entrevista \u00e0 TV Boitempo, Edyr Augusto falou sobre a escolha do t\u00edtulo e o significado da palavra \u201cpsica\u201d, uma g\u00edria que significa praga, maldi\u00e7\u00e3o, mau-olhado. Segundo o autor, a palavra \u00e9 muito usada em Bel\u00e9m e tem origem no nheengatu, l\u00edngua ind\u00edgena pertencente \u00e0 fam\u00edlia tupi-guarani. Ele a escolheu n\u00e3o s\u00f3 pela carga sem\u00e2ntica, mas tamb\u00e9m pela sonoridade, e aproveitou o som sibilar para acrescentar mais um \u201cs\u201d, resultando em <em>Pssica<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tanto o conte\u00fado sem\u00e2ntico quanto a sonoridade da palavra refletem de forma eficiente o conte\u00fado e a forma da obra: o plano sem\u00e2ntico com seus percursos e desfechos de infort\u00fanio dos personagens \u2013 principalmente no que se refere \u00e0s tem\u00e1ticas do livro; a forma, pois comparar o prolongamento do som da palavra, por vezes inc\u00f4modo, com a narra\u00e7\u00e3o em discurso indireto livre causa uma estranheza inicial no leitor e prolonga a leitura de trechos com muitos eventos brutais, j\u00e1 que uma segunda leitura ao trecho se faz necess\u00e1ria para a compreens\u00e3o, estendendo o inc\u00f4modo na leitura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AUTIELLO, Sheila (2020). Da casa ao macrobordel: o remanescente colonial da escravid\u00e3o e os (necro)neg\u00f3cios &#8220;gore&#8221; do Brasil contempor\u00e2neo, no romance &#8220;Pssica&#8221;. <em>Tintas. Quaderni di letterature iberiche e iberoamericane<\/em>, n. 9, p. 45-58. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/riviste.unimi.it\/index.php\/tintas\/article\/view\/14624\">https:\/\/riviste.unimi.it\/index.php\/tintas\/article\/view\/14624<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">AUTIELLO, Sheila (2021). <em>Necronarrativas em tr\u00eas romances contempor\u00e2neos brasileiros<\/em>. Tese (Doutorado em Letras) \u2013 Instituto de Letras e Comunica\u00e7\u00e3o, Universidade Federal do Par\u00e1, Bel\u00e9m. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BELO, Geovane <em>et al<\/em>. (2022). A representa\u00e7\u00e3o da criminalidade na narrativa de <em>Pssica<\/em>, de Edyr Augusto. <em>In<\/em>:  CONGRESSO NACIONAL DE EDUCA\u00c7\u00c3O \u2013 Conedu, 8., 13 a 15 out., Macei\u00f3\/AL. <em>Anais <\/em>[&#8230;]. Campina Grande: Realize Editora, 2022. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/editorarealize.com.br\/artigo\/visualizar\/88446\">https:\/\/editorarealize.com.br\/artigo\/visualizar\/88446<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CANDIDO, Antonio (2017). A nova narrativa. <em>In<\/em>: CANDIDO, Antonio. <em>A educa\u00e7\u00e3o pela noite<\/em>. 6. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MOREIRA, Alex (2018). <em>Pssica,<\/em> de Edyr Augusto: Amaz\u00f4nia <em>laisse-faire<\/em> ou o retorno ao inferno verde? <em>In<\/em>: ENCONTRO ABRALIC, 16., 30 jul. a 3 ago., Bras\u00edlia, 2018. <em>Anais <\/em>[&#8230;]. Bras\u00edlia: Abralic, p. 2106-2120. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.abralic.org.br\/anais\/?ano=2018\">https:\/\/www.abralic.org.br\/anais\/?ano=2018<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4425.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4425\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Samauma-Editorial-2015.webp\" data-caption-title=\"Samauma Editorial, 2015\" data-attachment-id=\"2510\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Samauma Editorial, 2015\" width=\"250\" height=\"389\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/09\/Samauma-Editorial-2015\/1136819795.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22389%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20389%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Samauma Editorial, 2015<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Paris-Asphalte-2017.webp\" data-caption-title=\"Paris Asphalte, 2017, Fran\u00e7a\" data-attachment-id=\"2509\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Paris Asphalte, 2017, Fran\u00e7a\" width=\"250\" height=\"354\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/09\/Paris-Asphalte-2017\/966618845.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22354%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20354%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Paris Asphalte, 2017, Fran\u00e7a<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AUGUSTO, Edyr. 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