{"id":2198,"date":"2024-09-30T14:56:13","date_gmt":"2024-09-30T17:56:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2198"},"modified":"2025-11-12T18:00:22","modified_gmt":"2025-11-12T21:00:22","slug":"liturgia-do-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=2198","title":{"rendered":"Liturgia do fim"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">ARNAUD, Mar\u00edlia. <em>Liturgia do fim<\/em>. S\u00e3o Paulo: Tordesilhas, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Vizette Priscila Seidel<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Liana Timm<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mar\u00edlia Arnaud (Campina Grande, PB, 1960), autora de <em>Liturgia do fim<\/em> (2016), \u00e9 graduada em Direito, reside em Jo\u00e3o Pessoa e trabalha no Tribunal Regional do Trabalho da Para\u00edba. Come\u00e7ou sua vida liter\u00e1ria na d\u00e9cada de 1980, escrevendo cr\u00f4nicas para jornais paraibanos que foram publicadas no livro <em>Sentimento<\/em> <em>marginal<\/em> (1987), uma produ\u00e7\u00e3o independente. Seu primeiro livro de contos, <em>A menina de Cipango<\/em> (1994), venceu o Concurso Liter\u00e1rio da Secretaria de Cultura do Estado da Para\u00edba \u2013 Pr\u00eamio Jos\u00e9 Vieira de Melo. Em 1996, publicou a colet\u00e2nea de contos <em>Os campos noturnos do cora\u00e7\u00e3o<\/em>, vencedora do concurso promovido pela Universidade Federal da Para\u00edba \u2013 Pr\u00eamio Novos Autores Paraibanos. Mar\u00edlia j\u00e1 participou de v\u00e1rias colet\u00e2neas nacionais e estreou no romance em 2012 com <em>Su\u00edte de sil\u00eancios<\/em>. Em 2013, publicou seu primeiro livro para o p\u00fablico infantojuvenil, <em>Salom\u00e3o, o elefante<\/em>. Em 2020, lan\u00e7ou o romance <em>O p\u00e1ssaro secreto<\/em>, publicado em formato digital pela KPD, plataforma de autopublica\u00e7\u00e3o da Amazon, e vencedor do Pr\u00eamio Kindle de Literatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dentre suas obras, em 2016, Mar\u00edlia Arnaud publicou seu terceiro romance, <em>Liturgia do fim<\/em>, pela editora Tordesilhas. Esse romance \u00e9 apresentado a partir das lembran\u00e7as do narrador-protagonista In\u00e1cio Boaventura e \u00e9 produzido a partir de uma narrativa ficcional que explora um espa\u00e7o patriarcal \u2013 a fazenda Perdi\u00e7\u00e3o. A descri\u00e7\u00e3o da fazenda e da regi\u00e3o \u00e9 detalhada na obra, em que a regionalidade permite a recria\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o como um meio simb\u00f3lico para reconfigurar as experi\u00eancias vividas pelos personagens. O narrador relembra sua vida e a de sua fam\u00edlia, revelando a complexidade do ser humano, a dificuldade de enfrentar seus problemas e a busca do seu verdadeiro eu. A partir de sua trag\u00e9dia familiar, o narrador reconstr\u00f3i conflitos e suas decorrentes consequ\u00eancias. \u00c9 uma obra intimista, de ritmo lento, em que o presente e o passado se misturam constantemente nas mem\u00f3rias do narrador-protagonista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sobre a quest\u00e3o do regionalismo, \u00e9 importante fazer um adendo: a obra se passa quase toda no interior do Brasil e o espa\u00e7o \u00e9 crucial para o desenvolvimento do enredo. Dessa maneira, Chiappini (1995), pesquisadora contempor\u00e2nea que estuda o regionalismo, desconstr\u00f3i o conceito de regionalismo enquanto tend\u00eancia tem\u00e1tica de regi\u00f5es rurais, abordando-o como um modo de formas h\u00edbridas. Os escritores contempor\u00e2neos utilizam a escrita urbana direcionada para esse p\u00fablico e, ao mesmo tempo, por meio da fic\u00e7\u00e3o, apresentam o homem rural em seus aspectos interiores, transcendendo os limites locais e atingindo um n\u00edvel simb\u00f3lico e, consequentemente, universal. Para a pesquisadora, \u201co universal se realiza no particular\u201d, e \u00e9 esse particular que interessa na obra, porque todos os acontecimentos decorrem do espa\u00e7o em que vivem, e a pr\u00f3pria repeti\u00e7\u00e3o dos erros das personagens est\u00e1 ligada ao espa\u00e7o interiorano brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na obra, a pot\u00eancia do espa\u00e7o acontece como reflexo de um determinado contexto social e hist\u00f3rico. A regi\u00e3o, ficcionalizada, torna-se um par\u00e2metro de como as rela\u00e7\u00f5es inter e intrapessoais se relacionam com aquele local, revelando que o espa\u00e7o, para al\u00e9m de uma mera ambienta\u00e7\u00e3o, \u00e9 mat\u00e9ria para compreender os motivos dos conflitos que constituem o enredo (ARA\u00daJO, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance \u00e9 dividido em dez cap\u00edtulos, os quais n\u00e3o s\u00e3o nomeados. A hist\u00f3ria se inicia com a partida de In\u00e1cio Boaventura de sua casa, a fazenda Perdi\u00e7\u00e3o, onde o protagonista passou sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Sua sa\u00edda de casa n\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria; ela ocorre devido a uma briga com seu pai, Joaquim Boaventura. No entanto, o leitor s\u00f3 descobrir\u00e1 o motivo da briga no decorrer da rememora\u00e7\u00e3o. O narrador apresenta a rela\u00e7\u00e3o com sua m\u00e3e, Adalgisa, uma mulher que vive, sem contestar, nos moldes patriarcais, suportando todas as viol\u00eancias desse sistema na conviv\u00eancia di\u00e1ria com seu marido e a sociedade: \u201cIndignava-me de que naquela rever\u00eancia a papai e devo\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia vivesse esquecida de si mesma (&#8230;)\u201d. Ap\u00f3s a ida de In\u00e1cio para a cidade, onde morou por trinta anos, ele se casa com Ieda, e o casal tem uma filha, Isabela. Adalgisa o visitava com frequ\u00eancia. Foi professora e, enquanto In\u00e1cio estudava, enviava todo o seu ordenado a ele. Quando In\u00e1cio a questionou sobre como seu pai permitia isso, Adalgisa nunca falou sobre o assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante a faculdade, In\u00e1cio conheceu Ieda, com quem teve um relacionamento e se casou. Eles tiveram uma filha, Isabela. Apesar de todas as cr\u00edticas que In\u00e1cio tinha em rela\u00e7\u00e3o ao pai, repetiu muitas de suas a\u00e7\u00f5es durante o casamento. In\u00e1cio, professor de literatura e escritor, traiu a esposa e a abandonou junto \u00e0 sua filha, mesmo antes de sair de casa. Ieda, uma mulher independente e tamb\u00e9m professora, sofreu e implorou pela presen\u00e7a do marido. O pr\u00f3prio In\u00e1cio admite suas falhas: \u201cNaquele momento, o \u00faltimo que pass\u00e1vamos juntos, confessei-me a imensid\u00e3o da minha falta com aquela mulher, uma falta que eu n\u00e3o conseguiria reparar mesmo se vivesse cem anos, mesmo se tivesse a oportunidade de mais uma exist\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta parte da narrativa demonstra que as viol\u00eancias do patriarcado n\u00e3o est\u00e3o apenas nas regi\u00f5es interioranas do Brasil, mas sim em todas as regi\u00f5es, como \u00e9 apresentado no relacionamento de Ieda e In\u00e1cio em uma grande cidade. Ap\u00f3s abandonar sua esposa e filha, In\u00e1cio retorna \u00e0 fazenda Perdi\u00e7\u00e3o, que \u00e9, segundo as palavras da escritora Maria Val\u00e9ria Rezende, na orelha do livro, \u201c(&#8230;) significativamente chamada de Perdi\u00e7\u00e3o (&#8230;)\u201d. L\u00e1, reencontra seu pai, \u00fanico membro vivo de sua fam\u00edlia. Nesse reencontro, o que mais incomoda o protagonista \u00e9 a indiferen\u00e7a do pai sobre os acontecimentos do passado, ao agir como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir da rememora\u00e7\u00e3o, o protagonista traz detalhes de diversos problemas familiares, como a loucura de sua tia Florinda \u2013 irm\u00e3 de seu pai \u2013 e sua irm\u00e3 Ifig\u00eania. Ifig\u00eania \u00e9 apresentada como uma garota forte e insubmissa, que n\u00e3o se adequa a esse mundo patriarcal e crist\u00e3o, o que acarreta v\u00e1rios conflitos no enredo e castigos do pai. Ela n\u00e3o aceitou ser alfabetizada em escolas, ningu\u00e9m tinha paci\u00eancia com ela, exceto sua m\u00e3e, que conseguiu ensin\u00e1-la a ler e escrever. Ifig\u00eania questionava o que e quem era Deus, o que incomodava muito sua m\u00e3e e, principalmente, seu pai. Por exemplo, quando ela foi obrigada por seu pai a fazer a primeira comunh\u00e3o, com \u201c(&#8230;) a testa ungida em cruz, cuspiu o corpo de Cristo umedecido de vinho e saliva na palma da pr\u00f3pria m\u00e3o e, sem hesitar, diante da surpresa de todos, estendeu-a para o sacerdote, recusando com a cabe\u00e7a (&#8230;)\u201d. Ap\u00f3s o ocorrido, seu pai a arrastou para fora da igreja, \u201c(&#8230;) espumando pelos cantos da boca e rosnando sem parar satan\u00e1s, satan\u00e1s, c\u00e3o preto dos infernos, como te atreves a renegar Jesus?\u201d. Toda a fam\u00edlia, incluindo a m\u00e3e e os irm\u00e3os, estava aflita, mas Ifig\u00eania era a \u00fanica que parecia tranquila com o que acabara de acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No meio dos fluxos de mem\u00f3ria de In\u00e1cio, ele conta sobre seu relacionamento amoroso com sua irm\u00e3, a qual ele diz ser seu \u00fanico e verdadeiro amor. Quando o pai, Joaquim, descobre a gravidez de Ifig\u00eania e a espanca, querendo saber com quem ela se relacionou, In\u00e1cio d\u00e1 um soco no pai e diz ser ele pr\u00f3prio o namorado de Ifig\u00eania. Nesse momento, os irm\u00e3os s\u00e3o expulsos de casa. Ifig\u00eania vai para a casa de uma tia, enquanto In\u00e1cio vai para a cidade estudar. O protagonista rememora: \u201c(&#8230;) das lembran\u00e7as daquele dia, da imagem de mam\u00e3e abra\u00e7ada a Ifig\u00eania, limpando-lhe o sangue da face, consolando-a, consolando-se, perdoa teu pai, filha, as pessoas fazem coisas horr\u00edveis quando sentem medo (&#8230;)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma parte importante da obra \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o das personagens. Todas do n\u00facleo principal t\u00eam muita profundidade, quest\u00f5es e problematiza\u00e7\u00f5es. In\u00e1cio, por exemplo, \u00e9 bastante plaus\u00edvel, j\u00e1 que, por mais que critique seu pai, ele se torna um reflexo do contexto patriarcal em que viveu e repete muitas a\u00e7\u00f5es que antes o deixavam indignado. Adalgisa, Ifig\u00eania, tia Florinda e Ieda s\u00e3o apresentadas em suas viv\u00eancias, os conflitos e consequ\u00eancias sofridas, por terem que aguentar as desgra\u00e7as, o suic\u00eddio, a loucura e o abandono. Os conflitos s\u00e3o muito pr\u00f3ximos da realidade e, em alguns momentos, as falhas do protagonista se sobressaem, causando indigna\u00e7\u00e3o, principalmente quando contrastadas com o questionamento e enfrentamento de Ifig\u00eania e das outras mulheres ao redor de In\u00e1cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode-se dizer que \u00e9 uma obra atual, que recria as viv\u00eancias que se originam em lugares como o interior do Brasil, mas que, ao mesmo tempo, excedem os limites espaciais. Como foi apresentado, o sistema patriarcal est\u00e1 presente em toda a sociedade, mesmo que a fazenda Perdi\u00e7\u00e3o seja um espa\u00e7o metaf\u00f3rico e um reflexo desse contexto (ARA\u00daJO, 2020).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ARA\u00daJO, Rayana Alves (2020). <em>Consequ\u00eancias do patriarcado em crise, em <\/em>Liturgia do Fim<em>, de Mar\u00edlia Arnaud<\/em>. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Gradua\u00e7\u00e3o em Letras) \u2013 Universidade Estadual da Para\u00edba, Campina Grande. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/dspace.bc.uepb.edu.br\/jspui\/handle\/123456789\/22937\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/dspace.bc.uepb.edu.br\/jspui\/handle\/123456789\/22937<\/a>. Acesso em: 15 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CHIAPPINNI, L\u00edgia (2013). Regionalismos e regionalidades num mundo supostamente global. <em>In<\/em>: MACIEL, Di\u00f3genes Andr\u00e9 Vieira (Org.). <em>Mem\u00f3rias da Borborema<\/em>: reflex\u00f5es em torno de regional. Campina Grande: Abralic, 2013. p. 27-40. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/abralic.org.br\/downloads\/livros-produzidos-pela-gestao\/02-MEMORIAS-DA-BORBOREMA.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/abralic.org.br\/downloads\/livros-produzidos-pela-gestao\/02-MEMORIAS-DA-BORBOREMA.pdf<\/a>. Acesso em: 15 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COSTA, Patr\u00edcia Val\u00e9ria Vieira da (2020). Na contram\u00e3o da generaliza\u00e7\u00e3o: a literatura regionalista, um sistema vivo. <em>Sociopo\u00e9tica<\/em>, n. 1, p. 51-60. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/revista.uepb.edu.br\/SOCIOPOETICA\/article\/view\/1658\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/revista.uepb.edu.br\/SOCIOPOETICA\/article\/view\/1658<\/a>. Acesso em: 15 dez. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-4453.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-4453\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Tordesilhas-2016.webp\" data-caption-title=\"Tordesilhas, 2016\" data-attachment-id=\"2935\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Tordesilhas, 2016\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/09\/Tordesilhas-2016\/2851134909.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Tordesilhas, 2016<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ARNAUD, Mar\u00edlia. 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