{"id":1837,"date":"2024-07-29T19:42:31","date_gmt":"2024-07-29T22:42:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1837"},"modified":"2025-11-12T17:58:29","modified_gmt":"2025-11-12T20:58:29","slug":"ideias-para-onde-passar-o-fim-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1837","title":{"rendered":"Ideias para onde passar o fim do mundo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">ALMINO, Jo\u00e3o. <em>Ideias para onde passar o fim do mundo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Brasiliense, 1987.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Bianca Magela Melo<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o:<\/em> <em>Bia Wouk<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cidade de Bras\u00edlia \u00e9 o cen\u00e1rio para <em>Ideias para onde passar o fim do mundo, <\/em>primeira fic\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Almino (Mossor\u00f3, RN, 1950), assim como foi para os romances posteriores desse autor nascido no Rio Grande do Norte que viveu boa parte da vida na capital federal. No entanto, trata-se de uma Bras\u00edlia deslocada e ins\u00f3lita. Na \u00e9poca do lan\u00e7amento, em 1987, o pa\u00eds respirava ares de promessa ap\u00f3s duas d\u00e9cadas de ditadura. Enquanto fora da fic\u00e7\u00e3o as aten\u00e7\u00f5es estavam na capital e no governo Jos\u00e9 Sarney, o livro de Jo\u00e3o Almino planta na pol\u00edtica nacional o primeiro presidente negro eleito, Paulo Ant\u00f4nio. O ponto inicial da trama \u00e9 uma foto do dia da posse desse presidente, tirada pelo fot\u00f3grafo Cadu, de quem, mais tarde, se conhecer\u00e1 o relato de envolvimento \u00edntimo com algumas das personagens desse registro fotogr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na obra, o mundo tende a acabar em Bras\u00edlia. A arquitetura estrutural e humana da cidade n\u00e3o pode durar, prev\u00ea a m\u00e9dium e vidente \u00cdris, respons\u00e1vel por uma pitada de misticismo na trama. O narrador, ao contr\u00e1rio, dedica o livro aos ratos, acredita na sobreviv\u00eancia de imensos deles e de plantas secas do planalto. A postura do narrador em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cidade inclui a ironia, como nos momentos em que ele brinca com a perspectiva de Bras\u00edlia personificar o papel de capital do dito pa\u00eds do futuro: \u201cespa\u00e7os feitos para autom\u00f3veis e homens gigantes\u201d ou \u201cpara seres extraterrenos e naves espaciais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00cdris, que mant\u00e9m contato com ocupantes de um disco voador e percebe uma cat\u00e1strofe a ponto de ocorrer no centro pol\u00edtico do poder do pa\u00eds, \u00e9 conselheira da primeira-dama Madalena. Em fuga do hospital, ap\u00f3s uma viagem espiritual (ou imers\u00e3o delirante), \u00cdris encontra uma agitada multid\u00e3o que acompanhava um com\u00edcio do presidente, este que, da\u00ed a algum tempo, no feriado do carnaval, seria sequestrado. Essa cena da multid\u00e3o volta na narrativa sob a perspectiva de diferentes personagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na defini\u00e7\u00e3o \u201cSobre o autor\u201d do pr\u00f3prio livro, Jo\u00e3o Almino \u00e9 apresentado como um \u201cirrealista p\u00f3s-rom\u00e2ntico que acha a realidade inaceit\u00e1vel\u201d. O ensa\u00edsta, diplomata e professor de ci\u00eancia pol\u00edtica, hoje premiado ficcionista, afirma ter levado 16 anos, entre mudan\u00e7as e pausas, para encerrar o primeiro de seus oito romances publicados. O termo \u201ch\u00edbrido\u201d, amplamente usado para caracterizar narrativas atuais, \u00e9 aplic\u00e1vel a esse livro escrito h\u00e1 quase quatro d\u00e9cadas: h\u00e1 uma mistura de registros &nbsp;(realista e fant\u00e1stico) e de g\u00eaneros e registros (fotografia, cinema, literatura), bem como o jogo narrativo com um narrador-fantasma cuja palavra \u00e9 colocada em quest\u00e3o por uma manobra surpreendente na parte final do romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, o narrador \u00e9 o esp\u00edrito de um falecido que \u201cmonta\u201d nas personagens, faz deles cavalos \u2013 no sentido de incorpora\u00e7\u00e3o de um corpo por uma entidade ou esp\u00edrito. Aqui h\u00e1 uma refer\u00eancia assumida a <em>Mem\u00f3rias p\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas<\/em> com a escolha de narrar, n\u00e3o a si, mas a outros: \u201cMorto, rendo homenagem ao velho Machado. N\u00e3o me interessa saber se come\u00e7o do come\u00e7o ou do fim. N\u00e3o quero narrar minha morte. N\u00e3o me chamo Br\u00e1s Cubas\u201d. A dose alta de metalinguagem que o texto cont\u00e9m se deve muito \u00e0s explica\u00e7\u00f5es do narrador sobre um suposto roteiro cinematogr\u00e1fico que ele est\u00e1 escrevendo. As escolhas, d\u00favidas, propostas de in\u00edcios, prefer\u00eancias e caminhos pensados s\u00e3o apresentados \u00e0 pessoa leitora. \u201cEngana-se voc\u00ea ao pensar que a hist\u00f3ria de Eva possa resumir-se num cap\u00edtulo\u201d; ou \u201cVoc\u00ea me desculpe, prefiro um come\u00e7o como um continho de fadas: era uma vez l\u00e9ptons e logo pr\u00f3tons e n\u00eautrons\u201d. Essa conversa, talvez mais um emparelhamento com Machado de Assis, soa excessiva aos ouvidos de hoje em alguns trechos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma esquem\u00e1tica, o enredo detalha a ideia para um filme, tendo como cen\u00e1rio dois fatos pretensamente hist\u00f3ricos: a elei\u00e7\u00e3o do primeiro presidente negro no pa\u00eds; e uma mobiliza\u00e7\u00e3o popular nas ruas de Bras\u00edlia. Est\u00e3o no foco ainda entrela\u00e7amentos de caminhos das personagens da foto, mas quem aparece mais detalhadamente \u00e9 o trio de mulheres composto, al\u00e9m da vidente \u00cdris, pela migrante nordestina Berenice, empregada dom\u00e9stica em Bras\u00edlia e v\u00edtima do machismo da \u00e9poca, e pela irm\u00e3 do presidente, Eva, figura depressiva e que sofre por amor. Jo\u00e3o Almino afirmou, em discurso proferido em 2011, por ocasi\u00e3o de uma das premia\u00e7\u00f5es concedidas a seu romance <em>Cidade livre<\/em>, que o fundamental para ele em sua cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria \u00e9 a experi\u00eancia da pr\u00f3pria linguagem: \u201cAinda que n\u00e3o houvesse enredo, meu objetivo seria que o texto se sustentasse pela escolha mesma das palavras, umas se juntando a outras de forma inesperada, evitando os lugares comuns\u201d. Dessa maneira, refor\u00e7a que as palavras criam \u201cnovas formas de express\u00e3o e espa\u00e7os amplos para a imagina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em <em>Ideias para onde passar o fim do mundo<\/em>, as narrativas sobre personagens e acontecimentos s\u00e3o r\u00e1pidas e se sobrep\u00f5em, n\u00e3o se fixando com grande for\u00e7a individual. O narrador-fantasma convive a cada vez com uma personagem, e \u00e9 seu movimento que conduz a narrativa, fazendo oscilar o ponto de vista da observa\u00e7\u00e3o. Mesmo com \u00cdris, Berenice e Eva, a nuance \u00e9 mais existencial do que subjetiva, com o narrador pontuando sempre sua pr\u00f3pria presen\u00e7a e perspectiva. Em alguns momentos em que as luzes est\u00e3o sobre as tr\u00eas mulheres, separadamente, predomina uma prosa po\u00e9tica, como no trecho: \u201cDepois fui tamb\u00e9m, pouco a pouco, descobrindo que ela [Berenice] vivia num mundo que dava num muro\u201d; ou neste sobre \u00cdris: \u201c\u00c0s vezes a gente deve ir at\u00e9 o fim da intensidade que tem dentro de si \u2013 era o que pensava \u2013 sen\u00e3o acaba sentindo como se morresse. Tinha, portanto, que fugir, como um dia tinha fugido de casa de seus pais\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A foto que originou a narrativa foi mostrada ao narrador por sua esposa Silvinha. A imagem chama aten\u00e7\u00e3o por destoar do presente mundial, \u201cpren\u00fancio de grandes guerras\u201d. A composi\u00e7\u00e3o com pessoas felizes festejando era um aparte e demonstrava um lado rom\u00e2ntico da popula\u00e7\u00e3o, ao imaginar que \u201cdesta vez seu sonho ia ser poss\u00edvel com a elei\u00e7\u00e3o de Paulo Ant\u00f4nio\u201d. Era um sonho que carregava \u201ca utopia do desprezo completo pelo poder\u201d. No entanto, ap\u00f3s o sequestro do presidente, tem-se a ideia de que for\u00e7as contr\u00e1rias iniciaram embates vigorosos \u2013 a pouca sustentabilidade do governo federal sendo uma outra imagem para o fim do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tivesse o livro sido escrito por um\/a autor\/a negro\/a, possivelmente o presidente Paulo Ant\u00f4nio teria recebido uma constru\u00e7\u00e3o mais representativa. Apresentado como o primeiro presidente negro da hist\u00f3ria do pa\u00eds e como \u201cfilho adotivo de um general\u201d, sua presen\u00e7a em cena \u00e9 m\u00ednima. O pr\u00f3prio fantasma-narrador chega a aparecer mais nas suas oscila\u00e7\u00f5es e na rela\u00e7\u00e3o com Silvinha, que \u00e9 filha de Madalena. A elei\u00e7\u00e3o de um presidente negro em um pa\u00eds profundamente marcado pelas quest\u00f5es raciais teria, em outro contexto, amplo espa\u00e7o para ser mais profundamente explorada. O preconceito em rela\u00e7\u00e3o ao presidente \u00e9 explicitado, por\u00e9m, difusamente, a exemplo das falas do namorado de Berenice, Z\u00e9 Maria, que estaria envolvido em movimentos de oposi\u00e7\u00e3o ao presidente: \u201cE Z\u00e9 Maria, ele mesmo meio escuro, tinha lhe dito um dia a ela, Berenice, que Paulo Ant\u00f4nio era preto querendo se passar por branco, mas isso at\u00e9 hoje ela n\u00e3o sabia o que significava\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da forma como o romance foi estruturado, a quest\u00e3o do preconceito racial n\u00e3o se encontra no centro da narrativa e n\u00e3o recebeu muita aten\u00e7\u00e3o como tema da obra. Verdade que a fic\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Almino n\u00e3o se constr\u00f3i com um \u00fanico centro de aten\u00e7\u00e3o. O livro pode ser consultado hoje pela perspectiva de inven\u00e7\u00e3o narrativa, retrato de uma \u00e9poca e de um artista, e pela g\u00eanese da rela\u00e7\u00e3o ficcional de Almino com a cidade de Bras\u00edlia, objeto de fasc\u00ednio e canteiro de inven\u00e7\u00f5es para ele ao longo da vida. Lugar \u201csem passado, sem tradi\u00e7\u00e3o, onde as verdades se constru\u00edam livremente\u201d, como afirmou o narrador de <em>Ideias para onde passar o fim do mundo<\/em>. Essa cidade, local onde floresceram tantos cap\u00edtulos da nossa hist\u00f3ria pol\u00edtica, tamb\u00e9m testemunhou o surgimento de seitas m\u00edsticas e profecias sobre o fim do mundo, associadas ao seu pr\u00f3prio nascimento e ocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BULC\u00c3O, Armando (1987). O Brasil com um presidente negro, civil e popular. <em>Correio Braziliense<\/em>, Aparte, domingo, 8 de nov.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FISCHER, Almeida (1988). Fic\u00e7\u00e3o. Recens\u00e3o cr\u00edtica. Jo\u00e3o Almino, Ideias para onde passar o fim do mundo. <em>Col\u00f3quio Letras<\/em>, Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, n. 102, p. 134-135.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LAFET\u00c1, Jo\u00e3o Luiz (2004). Entre a fotografia e o romance. <em>In<\/em>: LAFET\u00c1, Jo\u00e3o Luiz. <em>A dimens\u00e3o da noite e outros ensaios<\/em>. S\u00e3o Paulo: Duas Cidades; Editora 34. p. 522-524.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">STRELETCKI, Ana Carolina Canuto (2021).\u00a0<em>Bras\u00edlia<\/em>: espa\u00e7o, patrim\u00f4nio e narrativas nas obras de Jo\u00e3o Almino<em>.<\/em> Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) \u2013 Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/icts.unb.br\/jspui\/handle\/10482\/43027\">https:\/\/repositorio.unb.br\/handle\/10482\/43027<\/a>. Acesso em: 12 ago. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3377.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3377\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Brasiliense-1987.webp\" data-caption-title=\"Brasiliense, 1987\" data-attachment-id=\"1839\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Brasiliense, 1987\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/07\/Brasiliense-1987.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Brasiliense, 1987<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALMINO, Jo\u00e3o. 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