{"id":1412,"date":"2024-06-05T17:34:10","date_gmt":"2024-06-05T17:34:10","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1412"},"modified":"2025-11-12T18:02:09","modified_gmt":"2025-11-12T21:02:09","slug":"rio-negro-50","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1412","title":{"rendered":"Rio Negro, 50"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">LOPES, Nei. <em>Rio Negro, 50. <\/em>Rio de Janeiro: Record, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Julieta Kabalin Campos<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Douglas Ferreiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Rio Negro, 50<\/em> \u00e9 o quinto romance publicado pelo prol\u00edfico e multifacetado Nei Braz Lopes (Rio de Janeiro, RJ, 1942), mais conhecido como Nei Lopes. Ap\u00f3s obras como <em>Mandingas da mulata velha na cidade nova<\/em> (2009), <em>Oiobom\u00e9<\/em> (2010), <a><em>Esta<\/em><\/a><em> \u00e1rvore dourada que supomos<\/em> (2011) e <em>A lua triste descamba<\/em> (2012), o escritor carioca oferece a seus leitores uma perspectiva singular sobre sua cidade natal. <em>Rio Negro, 50<\/em>, como o t\u00edtulo sugestivamente adianta, pode ser lida, sem muitos rodeios, como uma vers\u00e3o negra da cidade maravilhosa dos anos 1950. Embora exista uma explica\u00e7\u00e3o literal sobre a escolha do t\u00edtulo, j\u00e1 que Rio Negro \u00e9 tamb\u00e9m o nome de um dos espa\u00e7os privilegiados do relato, essa aproxima\u00e7\u00e3o inicial captura o foco enfatizado ao longo de todo o percurso narrativo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os protagonistas dessa hist\u00f3ria s\u00e3o homens e mulheres afrodescendentes que habitaram e deram vida e movimento a essa urbe com suas a\u00e7\u00f5es, mem\u00f3rias, interc\u00e2mbios, conflitos, saberes, projetos, afetos e pensamentos. O romance, nesse sentido, deve ser entendido como um discurso descentrado, na medida em que busca evidenciar a diversidade e as tens\u00f5es de uma comunidade composta por sujeitos que costumam ser esquecidos de relatos oficiais ou, quando lembrados, retratados a partir de moldes fixos e preconcebidos. Como contraponto, \u00e9 poss\u00edvel identificar uma perspectiva afrocentrada, uma vez que se procura reivindicar a cena cultural e intelectual negra, assim como denunciar o racismo que afeta diretamente o desenvolvimento desse setor da popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, este giro n\u00e3o ser\u00e1 realizado a partir de uma linguagem panflet\u00e1ria que repete f\u00f3rmulas e arqu\u00e9tipos. Pelo contr\u00e1rio, o car\u00e1ter antirracista do livro \u00e9 constru\u00eddo a partir da exposi\u00e7\u00e3o das heterogeneidades e conflitos que atravessam e definem a comunidade negra em sua complexidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance se inicia com o relato do cruel assassinato de um jovem negro em pleno Centro do Rio de Janeiro, depois da derrota da sele\u00e7\u00e3o brasileira de futebol na final da Copa de 1950. O ato, cometido de maneira espont\u00e2nea por um grupo de cidad\u00e3os, acaba com a vida de um sujeito indefeso e \u00e9 consequ\u00eancia de uma absurda confus\u00e3o. O verdadeiro alvo do \u00f3dio e do espancamento mortal era \u201cBigode\u201d, um dos jogadores derrotados no hist\u00f3rico \u201cMaracana\u00e7o\u201d, com quem o jovem teria sido erroneamente identificado. Na verdade, o defensor Jo\u00e3o Ferreira \u2013 o \u201cBigode\u201d \u2013 foi responsabilizado, junto com o goleiro Moacyr Barbosa e o defensor Juvenal Amaso Amarijo, pela derrota ocorrida em 16 de julho de 1950. Esse evento esportivo resultou em uma condena\u00e7\u00e3o p\u00fablica para os jogadores, marcada por manifesta\u00e7\u00f5es preconceituosas e estigmatizantes, que deixaram \u00e0 mostra o imagin\u00e1rio racista predominante na \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O paralelismo tra\u00e7ado pelo livro permite imaginar uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia extrema perfeitamente coerente com o clima hostil daquele momento e o efetivo linchamento midi\u00e1tico e popular que sofreram aqueles jogadores do time, n\u00e3o casualmente todos eles jovens negros. Esse acontecimento que abre o livro e que, a modo de <em>leitmotiv<\/em>, ir\u00e1 retornando ao longo do relato para expor o car\u00e1ter estrutural do racismo daquela \u00e9poca configura s\u00f3 um dos in\u00fameros assuntos ali abordados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance prop\u00f5e, em um mosaico de hist\u00f3rias entrecruzadas, uma esp\u00e9cie de reconstru\u00e7\u00e3o de circuitos marcados pela presen\u00e7a negra na cena art\u00edstica, cultural, intelectual, social e pol\u00edtica carioca. Nesse panorama se identificam dois enclaves de encontro principais: o Caf\u00e9 Bar Rio Negro \u2013 casa de escritores e jornalistas, reconhecido \u201creduto da Negritude\u201d e apelidado de \u201cAm\u00e9rica\u201d pela tend\u00eancia comunista de seus visitantes \u2013 e o Bar Abar\u00e1, tamb\u00e9m chamado \u201cCaf\u00e9 e Bar Colored\u201d ou \u201cHarlemzinho\u201d \u2013 ponto de reuni\u00e3o de \u201cbo\u00eamios artistas e profissionais, menos intelectualizados e talvez mais sonhadores\u201d. Ambos os espa\u00e7os ficcionais servem como pontos de encontro e interc\u00e2mbio de hist\u00f3rias diversas, que se tramam, em um fluxo vertiginoso de vozes, por meio de di\u00e1logos, coment\u00e1rios e intertextos que o narrador vai dosificando fragmentariamente ao longo do relato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos pontos fortes do romance \u00e9 o modo como convivem personagens \u2013 com profiss\u00f5es e hist\u00f3rias de vidas variadas \u2013 e eventos da vida cotidiana com fatos e referentes hist\u00f3ricos de uma d\u00e9cada marcada por acontecimentos que a narrativa n\u00e3o deixa escapar. Esses \u00faltimos anos do Rio como capital da Rep\u00fablica s\u00e3o marco do \u00faltimo governo de Get\u00falio Vargas e da sua pol\u00eamica morte, temas que se infiltram nas conversas dos ass\u00edduos clientes do Abar\u00e1. Do mesmo modo, a apari\u00e7\u00e3o do candidato a presidente Pl\u00ednio Salgado como visitante do Caf\u00e9 Bar Rio Negro ajuda a compor o clima golpista e antidemocr\u00e1tico da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A trama \u2013 protagonizada por personagens como o soci\u00f3logo e jornalista Paulo Cordeiro, o sambista Nelsinho Lord, a bailarina e core\u00f3grafa Isa Isidora, o advogado Paula Assis, o estudante Hamilton Nascimento e o vendedor de amendoim Mani \u2013 \u00e9 constru\u00edda em di\u00e1logo permanente com figuras emblem\u00e1ticas da \u00e9poca: Abdias de Nascimento, Abigail Moura, Moacir Santos, Dolores Duran, Johnny Alf, Zez\u00e9 Moreira, Za\u00edra de Oliveira, Donga s\u00e3o s\u00f3 alguns deles. Cria-se, assim, um clima de \u00e9poca a partir de refer\u00eancias diversas que podem ir de uma simples men\u00e7\u00e3o do narrador ao ambiente musical de algum dos bares (um solo de cavaquinho que toca no r\u00e1dio, no cap\u00edtulo 3, por exemplo, serve para falar do bai\u00e3o como g\u00eanero de sucesso da \u00e9poca) at\u00e9 extensas descri\u00e7\u00f5es que permitem aceder a pr\u00e1ticas e fen\u00f4menos particulares de uma maneira mais aprofundada, como \u00e9 o caso do vel\u00f3rio e cortejo em homenagem \u00e0 Tia Caetana no cap\u00edtulo 8. As refer\u00eancias a programas de televis\u00e3o \u2013 como a novela <em>O direito de nascer<\/em> \u2013, a obras liter\u00e1rias \u2013 como os romances <em>Sete palmos de terra<\/em> e <em>Solid\u00e3o nos campos<\/em>, do sergipano Raimundo Souza Dantas, os <em>Poemas de uma vida simples<\/em>, de Solano Trinidade \u2013, a grupos art\u00edsticos \u2013 como o Teatro Experimental do Negro \u2013, a eventos \u2013 como o 1\u00ba Congresso do Negro Brasileiro \u2013, a pr\u00e1ticas e espa\u00e7os religiosos \u2013 como terreiros, manifesta\u00e7\u00f5es do candombl\u00e9, consulta de b\u00fazios, invoca\u00e7\u00e3o de orix\u00e1s, etc. \u2013 e a pr\u00e1ticas art\u00edsticas \u2013 como as escolas de samba \u2013 fazem parte da riqueza do entorno retratado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa not\u00e1vel valoriza\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es, sujeitos e saberes afrodescendentes como parte constitutiva do caudal cultural brasileiro, produz-se tamb\u00e9m uma expans\u00e3o dos limites nacionais a partir dos di\u00e1logos estabelecidos com a di\u00e1spora africana de uma maneira mais ampla, sobretudo a partir de refer\u00eancias a express\u00f5es e representantes de outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina e dos Estados Unidos. Os tr\u00e2nsitos culturais entre Brasil e outros enclaves afrodiasp\u00f3ricos articulam-se a partir das experi\u00eancias e relatos que os pr\u00f3prios personagens oferecem, como \u00e9 o caso das melanc\u00f3licas mem\u00f3rias de Isa Isidora sobre as viagens realizadas, junto \u00e0 sua companhia de dan\u00e7a, para diferentes pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro est\u00e1 composto por um pr\u00f3logo e dez cap\u00edtulos, n\u00famero que \u2013 podemos arriscar \u2013 visa abarcar simbolicamente os anos do per\u00edodo contemplado. Cada uma dessas partes abre com um verso decass\u00edlabo do poeta Cruz e Souza, reivindicado pelo pr\u00f3prio autor como \u201cs\u00edmbolo maior da intelectualidade afrodescendente do Brasil\u201d. Essa estrat\u00e9gia ajuda a compreender a maneira como tanto paratextos quanto outros recursos que fazem parte do livro s\u00e3o utilizados em fun\u00e7\u00e3o da afirma\u00e7\u00e3o e reconhecimento de uma tradi\u00e7\u00e3o negra, na qual o autor procura se inscrever. Um pedido de ben\u00e7\u00e3o e permiss\u00e3o aos ancestrais e antepassados, uma lembran\u00e7a a colegas e amigos que o acompanharam de diferentes maneiras na sua trajet\u00f3ria vital, uma dedicat\u00f3ria a representantes e l\u00edderes do movimento e os agradecimentos a colaboradores s\u00e3o inst\u00e2ncias para gerar la\u00e7os e se reconhecer como parte de uma comunidade, assim como legitimar formas de se vincular com a palavra e a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois de <em>Rio Negro, 50<\/em>, a incurs\u00e3o do autor no g\u00eanero romance teve continuidade com a publica\u00e7\u00e3o de <em>O preto que falava i\u00eddiche<\/em> (2018) <a>e <em>Agora<\/em><\/a><em> serve o cora\u00e7\u00e3o<\/em> (2019). Al\u00e9m disso, a abordagem de outros g\u00eaneros liter\u00e1rios, tais como contos, poemas, cr\u00f4nicas, resultou na publica\u00e7\u00e3o de relevantes obras narrativas \u2013 como <em>Casos crioulos<\/em> (1987) e <em>20 contos e uns trocados<\/em> (2006) \u2013 e po\u00e9ticas \u2013 como <em>Incurs\u00f5es sobre a pele<\/em> (1996) e <em>Po\u00e9tnica<\/em> (2014).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora Nei Lopes tenha se formado em Direito (curso que concluiu em 1966, na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil [atual Universidade Federal do Rio de Janeiro]), sua vida profissional esteve majoritariamente dedicada ao campo musical e liter\u00e1rio, tanto no \u00e2mbito da investiga\u00e7\u00e3o quanto na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Seu interesse e preocupa\u00e7\u00e3o sobre os assuntos que atingem a complexidade e diversidade da cultura afro-brasileira s\u00e3o explorados a partir de uma multiplicidade de disciplinas e g\u00eaneros. Essa versatilidade tem dado lugar a uma vasta obra que abra\u00e7a a composi\u00e7\u00e3o e a interpreta\u00e7\u00e3o musical, a poesia, a narrativa ficcional e ensa\u00edstica, assim como a pesquisa e a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse contexto, pode-se afirmar que o principal aporte do Nei Lopes e da sua produ\u00e7\u00e3o, de modo geral, tem sido sua permanente reivindica\u00e7\u00e3o da matriz africana como vetor fundamental da hist\u00f3ria brasileira, a partir de um olhar cr\u00edtico e denso que consegue fugir dos estere\u00f3tipos e do lugar comum. No caso de <em>Rio Negro, 50<\/em>, em particular, esse movimento \u00e9 realizado com uma exaustividade memorial\u00edstica impactante, que n\u00e3o s\u00f3 reclama uma revis\u00e3o sobre o passado, mas tamb\u00e9m exige um novo olhar para o presente e o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CRUZ, Ad\u00e9lcio de Sousa (2018). Mem\u00f3rias, hist\u00f3rias e vidas reescritas ao sabor de Rio Negro, 50&#8230; <em>Literafro<\/em>: o portal da literatura afro-brasileira. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.letras.ufmg.br\/literafro\/resenhas\/ficcao\/%2089-nei-lopes-rio-negro-50\">http:\/\/www.letras.ufmg.br\/literafro\/resenhas\/ficcao\/%2089-nei-lopes-rio-negro-50<\/a>. Acesso em: 9 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARVALHO, Consoelo Costa Soares (2018).&nbsp;Representa\u00e7\u00e3o da intelectualidade negra na narrativa de Nei Lopes atrav\u00e9s de vozes veladas, veludosas vozes. <em>Polifonia<\/em>, v. 25, n. 39.1, p. 131-148. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicoscientificos.ufmt.br\/ojs\/index.php\/polifonia\/article\/view\/7411\">https:\/\/periodicoscientificos.ufmt.br\/ojs\/index.php\/polifonia\/article\/view\/7411<\/a> Acesso em: 9 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARVALHO, Consoelo Costa Soares (2021).&nbsp;<em>Literatura afro-brasileira e a descoloniza\u00e7\u00e3o de identidades negras no romance <\/em>Rio Negro, 50<em> de Nei Lopes<\/em>. Tese (Doutorado em Estudos de Linguagem) \u2013 Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiab\u00e1. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/cms.ufmt.br\/files\/galleries\/250\/Disserta%C3%A7%C3%B5es%20e%20Teses\/2021\/CONSOELO_COSTA_SOARES_CARVALHO_.pdf\">https:\/\/cms.ufmt.br\/files\/galleries\/250\/Disserta%C3%A7%C3%B5es%20e%20Teses\/2021\/CONSOELO_COSTA_SOARES_CARVALHO_.pdf<\/a> Acesso em: 9 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARVALHO, Rachel Marques (2019). O Griot e tradicionalista Nei Lopes, em <em>Rio Negro, 50<\/em>. <em>Revista do N\u00facleo de Estudos e Pesquisa SANKOFA<\/em>, Rio de Janeiro, v. 1, n. 3, p. 1-27. Dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.sankofa.periodikos.com.br\/article\/5d6544e80e88252355a6c575\">http:\/\/www.sankofa.periodikos.com.br\/article\/5d6544e80e88252355a6c575<\/a> Acesso em: 9 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GON\u00c7ALVES, Cl\u00e1udio Carmo (2020). Ningu\u00e9m ouviu um solu\u00e7ar de dor: viol\u00eancia racial na narrativa liter\u00e1ria de Nei Lopes. <em>PragMATIZES \u2013 Revista Latino-americana de Estudos em Cultura<\/em>, v. 10, n. 18, p. 266-277. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.uff.br\/pragmatizes\/article\/view\/40560\">https:\/\/periodicos.uff.br\/pragmatizes\/article\/view\/40560<\/a> Acesso em: 9 fev. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3369.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3369\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Record-2015.webp\" data-caption-title=\"Record, 2015\" data-attachment-id=\"1417\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Record, 2015\" width=\"250\" height=\"386\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/06\/Record-2015\/3179909565.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22386%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20386%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 2015<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LOPES, Nei. 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