{"id":1301,"date":"2024-06-02T17:42:13","date_gmt":"2024-06-02T17:42:13","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1301"},"modified":"2026-03-23T11:04:16","modified_gmt":"2026-03-23T14:04:16","slug":"guerra-no-coracao-do-cerrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1301","title":{"rendered":"Guerra no cora\u00e7\u00e3o do cerrado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\"><a><\/a>SILVEIRA, Maria Jos\u00e9. <em>Guerra no cora\u00e7\u00e3o do cerrado.<\/em> Rio de Janeiro: Record, 2006.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Maya Falks<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Cl\u00e1udio Rodrigues<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem acompanha a trajet\u00f3ria de Maria Jos\u00e9 Silveira (Jaragu\u00e1, Goi\u00e1s, 1947)&nbsp;n\u00e3o se surpreende com o trabalho narrativo empregado na obra <em>Guerra no cora\u00e7\u00e3o do cerrado<\/em>. A autora goiana ganhou notoriedade j\u00e1 em sua primeira obra, <em>A m\u00e3e da m\u00e3e de sua m\u00e3e e suas filhas<\/em>, em que utiliza personagens femininas impactantes para contar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dona de uma linguagem simples, que respeita a subjetividade de seus personagens, Maria Jos\u00e9 Silveira \u00e9 reconhecida pela ampla e profunda pesquisa que realiza para contar suas hist\u00f3rias. Ao situar seus personagens no cerne de fatos hist\u00f3ricos, a autora consegue equilibrar habilmente a precis\u00e3o factual com o processo criativo, dando origem a personagens nascidos de sua pr\u00f3pria percep\u00e7\u00e3o. \u00c9 o que acontece com Damiana da Cunha, a protagonista de <em>Guerra no cora\u00e7\u00e3o do cerrado<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Damiana da Cunha \u00e9 uma personagem real, uma ind\u00edgena da <a>etnia Panar\u00e1<\/a> \u2013 ou como dito pela popula\u00e7\u00e3o branca, Cayap\u00f3 \u2013 tratada como hero\u00edna tanto pelo seu povo quanto pelos brancos. J\u00e1 no pr\u00f3logo, a autora aponta essa discrep\u00e2ncia: \u201cCada lado de uma guerra tem seus her\u00f3is. Estranho \u00e9 quando os dois lados t\u00eam o mesmo her\u00f3i. Quando isso ocorre, alguma coisa est\u00e1 errada ou fora do lugar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aclamada como uma lenda no territ\u00f3rio goiano, Damiana foi criada entre os brancos depois da pacifica\u00e7\u00e3o promovida pelo ent\u00e3o governador da capitania Dom Luiz da Cunha Menezes. A narrativa tem in\u00edcio com a chegada de Damiana a Vila Boa. Dom Luiz, frustrado com a escassez de ouro e almejando uma transfer\u00eancia para Minas Gerais, toma como objetivo a pacifica\u00e7\u00e3o dos Cayap\u00f3s, uma comunidade ind\u00edgena temida na regi\u00e3o. Ap\u00f3s recepcionar o velho cacique Romexi, o governador o convence a chamar o restante de seu povo para se estabelecer na cidade, junto aos brancos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na manh\u00e3 em que a hist\u00f3ria se inicia com uma bel\u00edssima descri\u00e7\u00e3o do nascer do sol, chegam \u00e0 cidade o grande l\u00edder Angra\u00edocha e seu povo. Entre sua gente est\u00e3o seus netos, batizados pelo governador como Damiana e Manoel da Cunha. Dos dois, Damiana \u00e9 recebida para morar na casa do governador, onde vive uma inf\u00e2ncia de rejei\u00e7\u00e3o e discrimina\u00e7\u00e3o tanto dos brancos quanto dos negros escravizados, fruto do medo e das lendas que se espalhavam sobre a viol\u00eancia do seu povo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Damiana recebe de Romexi a miss\u00e3o de ser os olhos e ouvidos de seu povo junto aos brancos, aprendendo sua l\u00edngua e cultura e tornando-se uma porta-voz dos dois povos. A miss\u00e3o \u00e9 bem-sucedida e ela de fato se torna essa ponte, conquistando respeito e admira\u00e7\u00e3o dos dois lados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 importante que se destaque que nunca houve de fato uma pacifica\u00e7\u00e3o; <a>os Panar\u00e1s<\/a> aceitaram a tr\u00e9gua com o \u00fanico objetivo de se reerguer depois de tantas guerras e conseguir armas mais potentes entre os brancos. Nesse come\u00e7o de jornada, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 retratada de maneira quase c\u00f4mica, com o governador em constante conflito com o vig\u00e1rio. Damiana, por sua vez, foi santificada pelo religioso por reagir \u00e0 paix\u00e3o de Cristo com as mesmas express\u00f5es sonoras que seu povo reagia diante da dor alheia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fascina\u00e7\u00e3o de Damiana pelas festas crist\u00e3s contribuiu para sua recep\u00e7\u00e3o entre os brancos, mas fica evidente para o leitor que n\u00e3o era o cristianismo em si que a encantava. N\u00e3o se tratava de uma convers\u00e3o genu\u00edna, mas sim das rela\u00e7\u00f5es que a menina fazia entre as festas crist\u00e3s e as celebra\u00e7\u00f5es de seu povo. Destaca-se, especialmente, a compara\u00e7\u00e3o que ela, j\u00e1 mo\u00e7a, fez entre as escarifica\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e o flagelo branco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com not\u00e1veis semelhan\u00e7as entre as express\u00f5es culturais, as manifesta\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas eram consideradas violentas e selvagens. Fica evidente que o desconhecimento da cultura desse povo n\u00e3o era a \u00fanica raz\u00e3o; havia um \u00f3dio profundo subjacente. Mais de uma vez, o livro aborda um debate comum \u00e0 \u00e9poca: os ind\u00edgenas s\u00e3o considerados seres humanos? Al\u00e9m disso, quando Damiana j\u00e1 est\u00e1 vivendo um per\u00edodo de exaust\u00e3o de sua luta pela sobreviv\u00eancia de seu povo, \u00e9 confrontada com palavras duras que afirmam, de forma direta, que as terras n\u00e3o pertencem ao seu povo, portanto, n\u00e3o \u00e9 direito <a>deles<\/a> reivindic\u00e1-las.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo de toda a sua trajet\u00f3ria de vida, mesmo sendo vista como convertida pelos brancos, Damiana buscou a sobreviv\u00eancia dos Panar\u00e1s, empreendendo por conta pr\u00f3pria uma expedi\u00e7\u00e3o para buscar parentes e traz\u00ea-los ao aldeamento Maria Primeira, onde viviam at\u00e9 ent\u00e3o. A ideia da mo\u00e7a era aumentar a popula\u00e7\u00e3o para fortalec\u00ea-la e, eventualmente, poder lutar contra os brancos pela retomada de suas terras, mas sua a\u00e7\u00e3o acabou sendo vista pelos brancos como uma oportunidade de mais m\u00e3o de obra e melhor controle das a\u00e7\u00f5es dos ind\u00edgenas. Isso resultou na submiss\u00e3o dos Panar\u00e1s a uma situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o, sem realmente proteg\u00ea-los da viol\u00eancia, em especial se considerando que diante de qualquer crime cometido na regi\u00e3o a culpa sistematicamente reca\u00eda sobre eles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um caso not\u00e1vel apresentado no livro foi quando um fazendeiro entrou no aldeamento e distribuiu roupas aos ind\u00edgenas, proibindo os brancos que faziam a guarda do local de peg\u00e1-las. Houve uma festa entre eles com roupas coloridas, mesmo que a maioria estivesse em p\u00e9ssimo estado. Era uma armadilha; as roupas estavam contaminadas com var\u00edola, e o resultado foi um verdadeiro massacre. Mas Damiana seguiu acreditando nas promessas dos brancos e realizando expedi\u00e7\u00f5es em busca de parentes espalhados pelo Planalto Central para repovoar os aldeamentos. Primeiramente, concentrou seus esfor\u00e7os no Maria Primeira e, posteriormente, no Moss\u00e2medes, para onde seu povo foi obrigado a se mudar devido ao esvaziamento dos dois espa\u00e7os anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante toda a sua vida, Damiana, mesmo sendo tida como uma hero\u00edna entre os brancos devido \u00e0 sua convers\u00e3o e a facilidade com que levava as pessoas aos aldeamentos e promovia o batismo delas, acreditava sinceramente que lutava em prol de seu povo. Ela via suas a\u00e7\u00f5es como cruciais para a diferen\u00e7a entre a vida e a morte de seus compatriotas. Somente quando viu com os pr\u00f3prios olhos o que os brancos impunham a seu povo a cada nova invas\u00e3o \u00e9 que a ind\u00edgena entendeu que nenhuma promessa jamais seria cumprida. Foi nesse momento que ela percebeu que seus ancestrais estavam certos em lutar de todas as formas poss\u00edveis para preservar seu espa\u00e7o e sua cultura. Infelizmente, para os Panar\u00e1s, como informado pela autora no final do livro, j\u00e1 era tarde demais. A etnia Cayap\u00f3 foi dada como extinta na metade do s\u00e9culo XX.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 imposs\u00edvel realizar essa leitura depois de janeiro de 2023 e n\u00e3o encontrar um paralelo com o que foi descoberto nas terras Yanomami; centenas de ind\u00edgenas \u2013 principalmente crian\u00e7as \u2013 morrendo de fome no cora\u00e7\u00e3o da floresta. Isso aconteceu pelo estabelecimento do garimpo ilegal e do rompimento de pol\u00edticas de sa\u00fade para essa popula\u00e7\u00e3o. O garimpo contaminou a \u00e1gua e o solo, espantou a ca\u00e7a, explorou o trabalho, abusou dos povos e levou a eles doen\u00e7as para as quais seus organismos n\u00e3o tinham defesas, gerando um leg\u00edtimo genoc\u00eddio em pleno s\u00e9culo XXI.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse f\u00e1cil paralelo se deve porque o recorte de Maria Jos\u00e9 Silveira se d\u00e1 atrav\u00e9s da hist\u00f3ria de Damiana, mas outras hist\u00f3rias semelhantes aconteceram por todo o Brasil, com a invas\u00e3o dos territ\u00f3rios, \u201cpacifica\u00e7\u00e3o\u201d, imposi\u00e7\u00e3o cultural e muitas mortes. O pr\u00f3prio irm\u00e3o de Damiana, Manoel da Cunha, termina sua vida preso; ele estava organizando uma fuga em massa dos ind\u00edgenas restantes a pedido de Damiana, que decidiu n\u00e3o retornar de sua \u00faltima expedi\u00e7\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o descrita sugere um paradoxo, pois Manoel n\u00e3o planejava um ataque, planejava somente abandonar o espa\u00e7o destinado ao seu povo, buscando retornar aos antigos territ\u00f3rios. A quest\u00e3o central \u00e9: se h\u00e1 a promessa de liberdade, por que o l\u00edder de uma partida seria preso como criminoso?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria Jos\u00e9 Silveira exp\u00f5e o tipo de trabalho ao qual <a>os Panar\u00e1s<\/a> foram submetidos, descrevendo os castigos a que eram expostos, o \u00f3dio da popula\u00e7\u00e3o branca, os ataques cru\u00e9is e assassinos, bem como as pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es pessoais, escancaradas na rea\u00e7\u00e3o da mo\u00e7a branca ao pedido de casamento de Manoel \u2013 ela n\u00e3o apenas recusou, mas agiu com esc\u00e1rnio \u2013 e no segundo casamento de Damiana com um homem abusivo que tentava se aproveitar da boa fama de sua esposa. Ele tentou inclusive lucrar com seu desaparecimento e simulou sua morte. Al\u00e9m disso, n\u00e3o faltam situa\u00e7\u00f5es cotidianas e inusitadas na narrativa da autora, que usa, em alguns momentos, de sarcasmo para lidar com a profus\u00e3o de absurdos presentes na hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora Damiana tenha sido uma pessoa real que desempenhou o papel hist\u00f3rico de porta-voz de seu povo, a autora ressalta que a obra \u00e9 ficcional, apoiando-se unicamente nos fatos reais para apresentar uma vers\u00e3o fict\u00edcia de Damiana. O contexto hist\u00f3rico, no entanto, diverge da realidade apenas porque a realidade retratada na obra \u00e9, de fato, ainda mais desafiadora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">COELHO, Damiana Antonia (2016). <em>Representa\u00e7\u00f5es de Damiana da Cunha na hist\u00f3ria e na literatura<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Territ\u00f3rios e Express\u00f5es Culturais no Cerrado) \u2013 Universidade Estadual de Goi\u00e1s, An\u00e1polis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">JULIO, Suelen Siqueira (2015). <em>Damiana da Cunha<\/em>: uma \u00edndia entre a \u201csombra da cruz\u201d e os caiap\u00f3s do sert\u00e3o (Goi\u00e1s, c. 1780-1831). Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Hist\u00f3ria) \u2013 Universidade Federal Fluminense, Niter\u00f3i.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">LAPIDUS, \u00c2ngela Maria \u00c1lvares (2020). <em>Cayap\u00f3s, caminhantes da hist\u00f3ria e da fic\u00e7\u00e3o em <\/em>Guerra no cora\u00e7\u00e3o do Cerrado<em>, de Maria Jos\u00e9 Silveira<\/em>. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em L\u00edngua, Literatura e Interculturalidade) \u2013 Universidade Estadual de Goi\u00e1s, Goi\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3343.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3343\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Record-2006.webp\" data-caption-title=\"Record, 2006\" data-attachment-id=\"1303\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Record, 2006\" width=\"250\" height=\"363\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/06\/Record-2006\/1326987941.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22363%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20363%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Record, 2006<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SILVEIRA, Maria Jos\u00e9. 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