{"id":1286,"date":"2024-06-17T20:14:31","date_gmt":"2024-06-17T23:14:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1286"},"modified":"2026-07-20T11:00:54","modified_gmt":"2026-07-20T14:00:54","slug":"estive-em-lisboa-e-lembrei-de-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1286","title":{"rendered":"Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">RUFFATO, Luiz. <em>Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea<\/em>. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Gabriel Estides Delgado<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Jamilly Starling<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A capa da primeira edi\u00e7\u00e3o de <em>Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea<\/em> estampa sobre o fundo preto um bonito galo portugu\u00eas de Barcelos, num pontilhismo texturizado de bibel\u00f4. E como comumente se v\u00ea nos suvenires lusos, cora\u00e7\u00f5es est\u00e3o estilizados junto ao s\u00edmbolo do pa\u00eds. Trata-se de um pequeno romance \u2013 pelo tamanho, uma <em>novela <\/em>\u2013 do consagrado escritor mineiro Luiz Ruffato (Cataguases, MG, 1961). Esse aspecto comercial ostensivo de <em>Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea <\/em>n\u00e3o \u00e9 por acaso. O livro \u00e9 o produto mais bem acabado do fen\u00f4meno editorial que sacudiu o mercado das letras nas d\u00e9cadas de 2000 e 2010 no Brasil. A cole\u00e7\u00e3o \u201cAmores Expressos\u201d, bancada pela Companhia das Letras e pelo produtor Rodrigo Teixeira, enviara ao exterior 17 escritores, em sua maioria absoluta homens e do Sudeste brasileiro \u2013 motivo de grande desconforto e debates p\u00fablicos na imprensa \u2013, para que, em diversas metr\u00f3poles estrangeiras, vivessem por um m\u00eas elaborando o que viria a ser uma obra de inspira\u00e7\u00e3o afetiva. A prosa, ainda, deveria guardar algo de roteiro, tendo em vista ser mais facilmente adaptada para o cinema, isto \u00e9: escrita rente \u00e0 fala, di\u00e1logos v\u00edvidos, constru\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica do texto, pontua\u00e7\u00e3o c\u00eanica detida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se apenas a f\u00f3rmula dessa t\u00e9cnica narrativa \u2013 e, sobretudo requisitada por um projeto de cunho essencialmente comercial \u2013 n\u00e3o alcan\u00e7aria por si s\u00f3 nada al\u00e9m do que as p\u00e1ginas de um manual de escrita criativa, sua aplica\u00e7\u00e3o \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o, como \u00e9 vista em <em>Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea<\/em>, depende do <em>conte\u00fado<\/em> que vai como que imantar essa forma. Surge nesse ponto de modo proeminente o motivo que sustenta o edif\u00edcio ruffatiano numa obra j\u00e1 extensa e incontorn\u00e1vel para o entendimento social e cultural do Brasil contempor\u00e2neo: decad\u00eancia profunda da industrializa\u00e7\u00e3o brasileira na virada do s\u00e9culo XXI, figurada numa esp\u00e9cie de \u201caqu\u00e1rio\u201d retumbante desse processo que \u00e9 Cataguases, pequena cidade da Zona da Mata mineira onde nasceu o escritor e cuja ind\u00fastria t\u00eaxtil pujante na primeira metade do s\u00e9culo XX produzir\u00e1, mais tarde, levas de migrantes, em dire\u00e7\u00e3o a centros urbanos maiores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa escalada populacional concentracion\u00e1ria, de que Ruffato ainda tira as consequ\u00eancias em livros mais recentes, encontra na pequena novela, que merece destaque, um ponto de inflex\u00e3o importante. \u00c9 que tudo ali, como veremos, corre em sobretom em rela\u00e7\u00e3o ao restante da obra do autor. Nessa opereta, seus leitores t\u00eam o privil\u00e9gio de ver at\u00e9 onde pode ir o estilo que satura notas de um \u201cmineir\u00eas\u201d a um s\u00f3 tempo popular e melanc\u00f3lico, e tamb\u00e9m observar um Ruffato livre das pesadas cargas de escritor engajado que sobrecarregam seus enredos, nunca neles negando o humor caracter\u00edstico de toda boa literatura, mas impedindo, sim, o escracho permanente, que, entretanto, vem a lume em <em>Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O primeiro exagero picaresco da hist\u00f3ria diz respeito \u00e0 trama b\u00e1sica que vive o protagonista. Serginho \u00e9 um cidad\u00e3o de Cataguases que resolve emigrar para Portugal; ocorre que, bem-vista, essa n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 bem uma tradi\u00e7\u00e3o da cidade ou mesmo da Zona da Mata, mais ligada \u00e0 migra\u00e7\u00e3o local para o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo. A ideia \u00e9 extravagante, quixotesca, ex\u00f3gena, <em>liter\u00e1ria<\/em>. Para ela, uma solu\u00e7\u00e3o bem se enquadra: Ruffato \u201centrega\u201d a narra\u00e7\u00e3o do livro a seu personagem. No livre discurso em primeira pessoa, os del\u00edrios de humor, puxando o que de melhor o acento mineiro pode entregar \u2013 na melhor tradi\u00e7\u00e3o de Guimar\u00e3es Rosa \u2013 escorrer\u00e3o o escracho programado por esse <em>modus <\/em>autoral algo \u00fanico na obra ruffatiana. Vejamos quando surge a ideia da imigra\u00e7\u00e3o por parte de Serginho: \u201cO resto da semana gastei agitado, sem condi\u00e7\u00e3o de dormir ou alimentar direito, um trem esquisito, um lado, bobo-alegre, projetava, da\u00ed a pouco, caminhando, por aquelas mesmas ruas, feito lorde, o povo todo puxando-saco, Serginho isso, Serginho aquilo, <em>Doutor Serginho<\/em>, s\u00f3 faltava deitarem no ch\u00e3o para eu pisar em cima, mas o outro lado, cu-na-m\u00e3o, pouco andejo, de cidade-grande conhecia, de passagem, o Rio de Janeiro (cinco vezes, em excurs\u00e3o, pra molhar os p\u00e9s no mar em Copacabana, subir no bondinho do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, ver jogo do Flamengo no Maracan\u00e3) e S\u00e3o Paulo (pra Sem\u00edramis comprar roupa pra revender), e Juiz de Fora tamb\u00e9m, mas Juiz de Fora n\u00e3o conta, \u00e9 meio quintal de Cataguases, al\u00e9m de Pi\u00fama, que virou febre ir passar o fim de ano na praia l\u00e1 (&#8230;), entretido em jogar buraco e cacheta a-valer na pracinha do Pau-Morto (por causa da audi\u00eancia dos aposentados), perseguindo mo\u00e7a-solteira no com\u00e9rcio e na ind\u00fastria, inventando jeitos de incrementar a moto para fazer bonito nas visitas \u00e0 parentalha espalhada pelas <em>grotas <\/em>entre Ub\u00e1 e Vi\u00e7osa (Senador Firmino, Presidente Bernardes, Dores do Turvo, Senhora de Oliveira), e agora embarcar <a>pras<\/a> lonjuras de Portugal, sem ningu\u00e9m, meu deus do c\u00e9u!\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O livro, que viria a ser de fato adaptado com sucesso para o cinema em 2015, em longa hom\u00f4nimo do portugu\u00eas Jos\u00e9 Barahona, apresenta-se organizado no formato de um depoimento prestado por Serginho em Portugal, ap\u00f3s desventuras severas que culminam no roubo de seu passaporte. A personagem acaba por se estabelecer em Lisboa como imigrante ilegal \u2013 na fun\u00e7\u00e3o, sobretudo, de gar\u00e7om \u2013, preso a uma tentativa longa e malfadada de economia de dinheiro para um regresso exitoso ao Brasil, onde deixara o filho a sua espera. A novela \u00e9 bipartida, sendo que a primeira parte do depoimento se intitula \u201cComo parei de fumar\u201d e diz da esperan\u00e7a de uma ideia de imigra\u00e7\u00e3o a partir do desemprego no interior de Minas Gerais \u2013 um dos estados mais ricos do Brasil, nota-se. A segunda parte responde \u00e0 solicita\u00e7\u00e3o da cole\u00e7\u00e3o \u201cAmores expressos\u201d e \u00e9 toda ambientada em Lisboa. Por conta dos sobressaltos que solapam os sonhos ascensionais, intitula-se \u201cComo voltei a fumar\u201d. Tangencialmente, Serginho encontra-se com Sheila, uma imigrante goiana que, sem conseguir outro emprego, acaba tendo que se prostituir, segundo a escolha de enredo algo batida e sexista feita por Ruffato. Apesar de perfeitamente veross\u00edmil, dado que as personagens do autor s\u00e3o em sua maioria pobres ou de classe m\u00e9dia baixa, sabe-se que caracterizar ficcionalmente mulheres como prostitutas est\u00e1 entre os clich\u00eas liter\u00e1rios mais empregados e, portanto, mais restritivos em termos de representa\u00e7\u00e3o art\u00edstica da realidade. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa hist\u00f3ria rom\u00e2ntica, apenas embrion\u00e1ria e fracassada, apesar de bem ajeitada junto \u00e0 estrutura da novela, permanece como mero cumprimento da exig\u00eancia comercial da cole\u00e7\u00e3o de que o livro \u00e9 tribut\u00e1rio, posto que, a nosso ver, a for\u00e7a po\u00e9tica da novela deriva da nostalgia das personagens migrantes em rela\u00e7\u00e3o ao lugar de origem, nostalgia essa transposta como forma, ou melhor, como linguagem viva \u2013 imagens de linguagens elaboradas pela arte do escritor: \u201cSeu Seabra bateu de-com-for\u00e7a na porta do quarto nem sete horas da manh\u00e3, eu tinha ido dormir tarde, engastalhado no movimento d\u2019O Lagar do Douro, despertei tordoado, ard\u00eancia nos olhos, \u2018Senhor Sampaio, Senhor Sampaio\u2019, ele gritava, \u2018Telefone\u2019, fraquejei, as pernas sem f\u00f4lego antevendo desgra\u00e7a, imaginei o pior, morte, doen\u00e7a, pedi\u00e7\u00e3o de dinheiro, essas arengas todas, de algu\u00e9m l\u00e1 do Brasil, a Stela conhecia o n\u00famero do hotel, a Sem\u00edramis tamb\u00e9m, pra o caso de uma emerg\u00eancia, mas ningu\u00e9m nunca ligou, eu transferia dinheiro pra conta da minha cunhada, religiosamente, um <em>aux\u00edlio<\/em> pro Pierre e pra Noemi, na ag\u00eancia U\u00e9stem \u00danion, sobrava uma mixuruquice pra vencer as quatro semanas seguintes, e, economista, ainda ajuntava pra adquirir uns im\u00f3veis em Cataguases, garantidores do meu futuro\u201d. Est\u00e1 a\u00ed a saudade cronificada, a tristeza que se sabe insol\u00favel, presa de uma realidade de impossibilidades muitas vezes vividas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto \u00e0s quest\u00f5es mercadol\u00f3gicas, por conta da qualidade deste e dos outros produtos que a comp\u00f5em \u2013 romances de Am\u00edlcar Bettega, S\u00e9rgio Sant\u2019Anna e Bernardo Carvalho, para citar alguns dos melhores \u2013, a cole\u00e7\u00e3o \u201cAmores expressos\u201d tornou-se um marco incontorn\u00e1vel na hist\u00f3ria da literatura brasileira contempor\u00e2nea. Sobretudo, \u00e9 um est\u00e1gio importante de internacionaliza\u00e7\u00e3o das letras nacionais. No exemplo lapidar de <em>Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea<\/em>, al\u00e9m de a novela ser filmada por um diretor portugu\u00eas, o livro teve seus direitos de tradu\u00e7\u00e3o amplamente negociados no mercado internacional, sendo traduzido para o espanhol, italiano, franc\u00eas, alem\u00e3o e finland\u00eas. O sucesso de Ruffato redundaria na sua escolha como orador do discurso de abertura da participa\u00e7\u00e3o do Brasil como pa\u00eds homenageado da Feira do Livro de Frankfurt em 2013, o maior encontro editorial do mundo. Para um pa\u00eds e uma l\u00edngua que sempre se ressentiram, com raz\u00e3o, de atroz marginalidade e mesmo invisibiliza\u00e7\u00e3o no concerto internacional da cultura, pe\u00e7as importantes passavam a se mover, com a ajuda, pasmem, do capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">DELGADO, Gabriel Estides (2013). O depoimento como forma: leitura de <em>Estive em Lisboa e lembrei de voc\u00ea<\/em>, de Luiz Ruffato. <em>Palimpsesto<\/em>. Rio de Janeiro, n. 16, p. 1-17. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/index.php\/palimpsesto\/article\/viewFile\/34841\/24614\">https:\/\/www.e-publicacoes.uerj.br\/index.php\/palimpsesto\/article\/viewFile\/34841\/24614<\/a>. Acesso em: 12 jan. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">GUERINI, Andr\u00e9ia; AIRES, Leomaris (2017). Entrevista com Mathieu Dosse, Gian Luigi de Rosa e Michael Kegler \u2013 Tradutores de Luiz Ruffato em franc\u00eas, italiano e alem\u00e3o. <em>Cadernos de Tradu\u00e7\u00e3o<\/em>, v. 37, n. 3, p. 406-245. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/traducao\/article\/view\/2175-7968.2017v37n3p406\/34864\">https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/traducao\/article\/view\/2175-7968.2017v37n3p406\/34864<\/a>. Acesso em: 12 jan. 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3371.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3371\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" 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data-caption-title=\"Cia das Letras, 2009\" data-attachment-id=\"1293\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Cia das Letras, 2009\" width=\"250\" height=\"375\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/06\/Companhia-das-Letras-2009\/1799824833.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22375%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20375%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Cia das Letras, 2009<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Portugal-Quetzal-2010.webp\" data-caption-title=\"Portugal, Quetzal, 2010\" data-attachment-id=\"1289\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Portugal, Quetzal, 2010\" width=\"250\" height=\"383\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/06\/Portugal-Quetzal-2010\/1939998369.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22383%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20383%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Portugal, Quetzal, 2010<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Italia-La-Nuova-Frontiera-2010.webp\" data-caption-title=\"It\u00e1lia, La Nuova Frontiera, 2010\" data-attachment-id=\"1288\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"It\u00e1lia, La Nuova Frontiera, 2010\" width=\"250\" height=\"357.5\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Italia-La-Nuova-Frontiera-2010.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22357.5%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20357.5%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">It\u00e1lia, La Nuova Frontiera, 2010<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Honduras-Eterna-Cadencia-2013.webp\" data-caption-title=\"Honduras, Eterna Cadencia, 2013\" data-attachment-id=\"1291\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Honduras, Eterna Cadencia, 2013\" width=\"250\" height=\"393\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/06\/Honduras-Eterna-Cadencia-2013\/3411689679.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22393%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20393%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Honduras, Eterna Cadencia, 2013<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/06\/Alemanha-Assoziation-A-2015.webp\" data-caption-title=\"Alemanha, Assoziation A, 2015\" data-attachment-id=\"1290\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img decoding=\"async\" title=\"Alemanha, Assoziation A, 2015\" width=\"250\" height=\"415\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/06\/Alemanha-Assoziation-A-2015\/3948303735.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22415%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20415%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span 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