{"id":1148,"date":"2024-05-23T18:28:31","date_gmt":"2024-05-23T18:28:31","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1148"},"modified":"2025-11-12T17:58:30","modified_gmt":"2025-11-12T20:58:30","slug":"tocaia-do-norte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1148","title":{"rendered":"Tocaia do Norte"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">GODINHO, Sandra. <em>Tocaia do Norte<\/em>. Guaratinguet\u00e1: Penalux, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">Jos\u00e9 Benedito dos Santos<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\"><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Carolina Godinho<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No pr\u00f3logo do romance <em>Tocaia do Norte<\/em>, de Sandra Godinho (S\u00e3o Paulo, SP, 1960), o narrador Jo\u00e3o de Deus verbaliza: \u201cO pesadelo \u00e9 recente. E se hoje me proponho a falar \u00e9 por medo de esquecer\u201d, direcionando o leitor para uma narrativa de cunho testemunhal. Assim, tem in\u00edcio a descri\u00e7\u00e3o de um dos cap\u00edtulos mais violentos da hist\u00f3ria da ditadura militar ocorrido na Amaz\u00f4nia brasileira. A obra <a>registra<\/a> um per\u00edodo sombrio experienciado pelo povo amazonense, tendo como pano de fundo o golpe militar de 1964, em que militares n\u00e3o s\u00f3 perseguiram, torturaram, mataram, estupraram pessoas, como tamb\u00e9m queimaram e destru\u00edram a floresta, al\u00e9m de expulsarem milhares de trabalhadores ribeirinhos que habitavam a Cidade Flutuante para os bairros perif\u00e9ricos de Manaus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Autora de outros livros, entre romances e reuni\u00e3o de contos, como <em>O poder da f\u00e9<\/em> (2016), <em>O verso do reverso<\/em> (2020) <a>e <em>Estranha<\/em><\/a><em> entre n\u00f3s<\/em> (2022), Sandra Godinho marca seu nome na literatura brasileira contempor\u00e2nea com a abordagem de diversas tem\u00e1ticas, sempre enredadas a fatos hist\u00f3ricos, dramas do cotidiano e engajamento pol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O romance <em>Tocaia do Norte<\/em> \u00e9 um dos textos mais contundentes de Godinho, pois retrata literariamente o genoc\u00eddio contra a etnia Waimiri-Atroari, na Amaz\u00f4nia brasileira, na d\u00e9cada de 1960, cometido pela ditadura militar. Ao trazer \u00e0 baila os impactos negativos do projeto de desenvolvimento aplicado pelos militares \u00e0 Regi\u00e3o Norte do pa\u00eds, a obra resgata e traz \u00e0 tona parte da hist\u00f3ria esquecida e n\u00e3o divulgada pelos \u00f3rg\u00e3os oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na obra, o tratamento dado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o do narrador, do tema, do espa\u00e7o, do enredo e do tempo \u00e9 t\u00e3o expressivo quanto a den\u00fancia sobre o grau de viol\u00eancia adotado pelos militares contra a etnia Waimiri-Atroari, que vivia\/vive em meio \u00e0 Amaz\u00f4nia, pois o projeto est\u00e9tico da autora caminha ao lado do seu projeto \u00e9tico e pol\u00edtico. Este \u00faltimo \u00e9 evidente textualmente, por exemplo, com a presen\u00e7a do verso \u201cSe for para partir\u201d, usado como ep\u00edgrafe no in\u00edcio de cada cap\u00edtulo do romance, o que sugere aos ind\u00edgenas que resistam contra a invas\u00e3o, contra a degrada\u00e7\u00e3o da floresta, que empreendam esfor\u00e7os para circular livremente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A den\u00fancia sobre o genoc\u00eddio contra a tribo Waimiri-Atroari j\u00e1 aparece na capa do e no t\u00edtulo do romance <em>Tocaia do Norte<\/em> (2020) que traz uma m\u00e3o humana manchada de sangue, sugerindo ao leitor que a elite brasileira e os conglomerados empresariais estrangeiros, desde o per\u00edodo colonial, at\u00e9 o presente, t\u00eam as m\u00e3os sujas com o sangue dos povos origin\u00e1rios do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obra tamb\u00e9m dialoga com <em>Massacre<\/em> (1998), de autoria do padre Silvano Sabatini, e <em>A ditadura militar e o genoc\u00eddio do povo Waimiri-Atroari<\/em> (2012), publicado pela Comiss\u00e3o Estadual do Direito \u00e0 Verdade. A intertextualidade mostra-se, dessa forma, como recurso essencial na composi\u00e7\u00e3o do romance, abrindo sentidos por meio do entrela\u00e7amento da hist\u00f3ria que est\u00e1 sendo contada com as obras supracitadas. Desse modo, Sandra Godinho torna-se uma das mais destacadas escritoras da literatura brasileira contempor\u00e2nea, que denuncia a pr\u00e1tica do genoc\u00eddio contra os povos origin\u00e1rios do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m cabe destacar que o romance, publicado pela Penalux, vem preencher uma lacuna liter\u00e1ria sobre a viol\u00eancia da ditadura militar contra os povos origin\u00e1rios do pa\u00eds. A narrativa \u00e9 inspirada em duas hist\u00f3rias reais que exp\u00f5em o genoc\u00eddio acontecido na Regi\u00e3o Norte do Brasil em pleno s\u00e9culo XX. A primeira hist\u00f3ria relata a destrui\u00e7\u00e3o da Cidade Flutuante, constru\u00edda sobre as \u00e1guas da margem direita do Rio Negro, na entrada de Manaus, a partir de 1920, por seringueiros empobrecidos devido ao decl\u00ednio do Ciclo da Borracha. Na d\u00e9cada de 1960, com a cria\u00e7\u00e3o da Zona Franca de Manaus, essa aglomera\u00e7\u00e3o humana precisava ser destru\u00edda, para que a \u00e1rea fosse reurbanizada, com o objetivo de atrair o interesse dos empres\u00e1rios brasileiros e estrangeiros que pretendiam investir no Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dessa perspectiva, logo nos primeiros cap\u00edtulos, o narrador apresenta breves descri\u00e7\u00f5es da cidade flutuante: \u201cNasci no meio da \u00e1gua e do mau cheiro. E da merda, a cidade flutuante. O governador Arthur Reis a chamava de excresc\u00eancia e alardeou com seu egocentrismo extravagante que erradicaria esse infort\u00fanio de ladr\u00f5es da porta da cidade, levaria para longe as prostitutas e as doen\u00e7as do centro. A nova Manaus \u2013 que ele almejava (re)construir \u2013 n\u00e3o merecia tanta feiura na entrada do porto\u201d. Continua ele: \u201cO homem parecia determinado a esconder as vergonhas, como se elas n\u00e3o existissem. As pessoas do lugar viviam na corda bamba, n\u00e3o porque os flutuantes vivessem amarrados por cordas, mas porque tinham os dias contados\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 a segunda hist\u00f3ria narra o massacre contra a expedi\u00e7\u00e3o comandada pelo padre Chiarelli, que tinha o objetivo de catequizar a tribo ind\u00edgena Waimiri-Atroari. Entretanto, durante a constru\u00e7\u00e3o da BR-174 e da Hidrel\u00e9trica de Balbina, atrelada ao desmatamento da Amaz\u00f4nia, entre os anos 1960, 70 e 80 do s\u00e9culo XX, a ditadura brasileira quase dizimou a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena da regi\u00e3o. Desse modo, o romance <em>Tocaia do Norte<\/em> denuncia que de fato ocorreu no territ\u00f3rio ind\u00edgena um processo de genoc\u00eddio arquitetado pelos militares, com a tutela do Estado e o apoio de empres\u00e1rios brasileiros e norte-americanos, que pretendiam explorar as riquezas minerais, madeireiras, o potencial energ\u00e9tico, al\u00e9m de se apossarem do territ\u00f3rio pelo exterm\u00ednio, como fica evidente no trecho a seguir: \u201cOs militares jogaram do avi\u00e3o uma esp\u00e9cie de veneno, um p\u00f3 branco que se espalhou pela floresta matando muitos Waimiri-Atroari, o famoso agente laranja, indicado pelos americanos para a Am\u00e9rica do Sul, ap\u00f3s seu uso no Vietn\u00e3. Depois, jogaram bombas que incendiaram as malocas com fam\u00edlias inteiras dentro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Tocaia do Norte<\/em> apresenta um narrador em primeira pessoa e a narrativa, embora centrada nas mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia de Jo\u00e3o de Deus (seminarista), varia seu foco narrativo, voltando-se ora para uma, ora para outra das personagens coadjuvantes. A exemplo da personagem Paulo Dias (mateiro), cooptado pelos militares, que ajudou a organizar a emboscada contra a expedi\u00e7\u00e3o do padre Chiarelli, o que resultou na morte de todos. Ele se torna, posteriormente, porta-voz dos militares para amea\u00e7ar\/silenciar\/matar as pessoas que n\u00e3o se conformavam com a morte do padre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio em que ocorre a trama \u00e9 descrito a partir da mescla de diferentes paisagens amaz\u00f4nicas (cidade de Manaus, rios, florestas), criando um microespa\u00e7o ficcional que sintetiza o Brasil do per\u00edodo ditatorial, nas d\u00e9cadas de 1960, 70 e 80. A obra discute quest\u00f5es sociais, como o deslocamento for\u00e7ado da popula\u00e7\u00e3o ribeirinha, o exterm\u00ednio de milhares de ind\u00edgenas, o assassinato do padre Chiarelli (membro da Igreja Cat\u00f3lica), a explora\u00e7\u00e3o e a apropria\u00e7\u00e3o das riquezas da regi\u00e3o, desmatamento e queimadas da floresta, grilagem de terras, acultura\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de uma vis\u00e3o linear sobre outras culturas. Para isso, observamos o imbricamento entre literatura, hist\u00f3ria, mem\u00f3ria, geografia como espa\u00e7o pol\u00edtico de preserva\u00e7\u00e3o da ancestralidade e constru\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria. Com isso, Sandra Godinho mostra sua capacidade de tra\u00e7ar tramas e abordar a mesma hist\u00f3ria\/est\u00f3ria, sob o ponto de vista de v\u00e1rias personagens, elaborando, assim, uma obra constitu\u00edda por diferentes constru\u00e7\u00f5es discursivas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se trata da pol\u00edtica de mem\u00f3ria, em rela\u00e7\u00e3o ao genoc\u00eddio contra os Waimiri-Atroari, encontramos uma enorme cortina de sil\u00eancios, lacunas, vers\u00f5es diferentes para esse crime humanit\u00e1rio. Apesar de sua contemporaneidade, o genoc\u00eddio contra os Waimiri-Atroari continua esquecido pela hist\u00f3ria e pelas literaturas amazonense e brasileira. A reconstru\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e o resgate hist\u00f3rico do genoc\u00eddio realizado por Sandra Godinho desconstroem a estrutura de uma hist\u00f3ria mal contada, silenciada, lacunar, de um dos epis\u00f3dios mais sombrios acontecidos na Amaz\u00f4nia brasileira. Com isso, a autora demonstra sua preocupa\u00e7\u00e3o com a preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria dos violentos acontecimentos que marcaram e ainda marcam a hist\u00f3ria do tempo presente no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tal movimento lan\u00e7a luz sobre um crime humanit\u00e1rio que se tornou uma ferida ainda em aberto, n\u00e3o devidamente curada. Assim, o entrela\u00e7amento entre eventos hist\u00f3ricos, personagens, espa\u00e7o e enredo, caracteriza\u00e7\u00e3o e linguagem proporcionam a coer\u00eancia liter\u00e1ria ao romance. Desse modo, Sandra Godinho possui o m\u00e9rito de ser uma das primeiras escritoras contempor\u00e2neas a elaborar um texto liter\u00e1rio cujas estruturas apontam para a fragilidade das fronteiras entre os g\u00eaneros. Assim, a autora tem consci\u00eancia de que a obra liter\u00e1ria \u00e9 uma experi\u00eancia est\u00e9tica e, ao mesmo tempo, um exerc\u00edcio de linguagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sandra Godinho adota a literatura como arma de resist\u00eancia, ao passo em que permite que as vozes ind\u00edgenas e ribeirinhas amaz\u00f4nicas, historicamente silenciadas, narrem as suas e as hist\u00f3rias dos outros. \u00c9 assim que uma Amaz\u00f4nia exuberante, rica, m\u00edtica, detentora de culturas diversas, chega aos leitores por meio da escrita e do relato liter\u00e1rio-hist\u00f3rico de Sandra Godinho, manchado com o sangue dos povos ind\u00edgenas pela cobi\u00e7a daqueles que almejam explorar as riquezas da regi\u00e3o. Desse modo, a autora mostra-se uma observadora perspicaz das amn\u00e9sias hist\u00f3ricas, liter\u00e1rias e das viol\u00eancias que recaem sobre as minorias, promovendo uma aproxima\u00e7\u00e3o entre literatura e hist\u00f3ria, uma cr\u00edtica \u00e0 realidade social e econ\u00f4mica do Amazonas e do Brasil. \u00c9, portanto, a constitui\u00e7\u00e3o de uma literatura que retrata a face excludente de um pa\u00eds ainda regido pelos paradigmas colonial, escravocrata e genocida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">ANDREATTA, Elaine Pereira; SANTOS, Jos\u00e9 Benedito dos; OLIVEIRA, Rita Barbosa de (2022). <em>Cartografias do Norte<\/em>: a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Sandra Godinho. S\u00e3o Carlos: Pedro &amp; Jo\u00e3o Editores. (E-book).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">CARDOSO, Let\u00edcia Pinto Cardoso (2022). A constru\u00e7\u00e3o do narrador no romance <em>Tocaia do Norte<\/em>, de Sandra Godinho\u201d. <em>In<\/em>: ANDREATTA, Elaine Pereira; SANTOS, Jos\u00e9 Benedito dos; OLIVEIRA, Rita Barbosa de. <em>Cartografias do Norte<\/em>: a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Sandra Godinho. S\u00e3o Carlos: Pedro &amp; Jo\u00e3o Editores. (E-book).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">FROTA, Mikael de Souza (2022). Apiyemyeki Kam\u00f1a Yakopa Ki\u00f1a? O processo de domestica\u00e7\u00e3o espacial em <em>Tocaia do Norte<\/em>, de Sandra Godinho. <em>In<\/em>: ANDREATTA, Elaine Pereira; SANTOS, Jos\u00e9 Benedito dos; OLIVEIRA, Rita Barbosa de. <em>Cartografias do Norte<\/em>: a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria de Sandra Godinho. S\u00e3o Carlos: Pedro &amp; Jo\u00e3o Editores. (E-book).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3145.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3145\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Penalux-2020.webp\" data-caption-title=\"Penalux, 2020\" data-attachment-id=\"1150\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Penalux, 2020\" width=\"250\" height=\"341\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/05\/Penalux-2020\/808264691.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22341%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20341%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Penalux, 2020<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GODINHO, Sandra. 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