{"id":1090,"date":"2024-05-23T15:27:51","date_gmt":"2024-05-23T15:27:51","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1090"},"modified":"2025-11-12T17:59:21","modified_gmt":"2025-11-12T20:59:21","slug":"coracao-madeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?p=1090","title":{"rendered":"Cora\u00e7\u00e3o Madeira"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-background wp-block-paragraph\" style=\"background-color:#e1dede\">WALKER, Marli. <em>Cora\u00e7\u00e3o Madeira<\/em>. Cuiab\u00e1: Carlini &amp; Caniato Editorial, 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right wp-block-paragraph\">D\u00e1rio Ferreira Sousa Neto<br><em>Ilustra\u00e7\u00e3o: Indy<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O leitor que minimamente conhe\u00e7a a vida e a trajet\u00f3ria da poetisa Marli Walker (Bom Jesus do Oeste, SC, 1966), autora dos livros de poemas <em>P\u00f3 de serra<\/em> (2006), <em>\u00c1guas de encanta\u00e7\u00e3o<\/em> (2009), <em>Apesar do amor<\/em> (2016) e <em>Jardim de Ossos <\/em>(2020), ao ler seu primeiro romance, <em>Cora\u00e7\u00e3o Madeira<\/em>, publicado em 2020 pela editora Carlini &amp; Caniato Editorial, ficar\u00e1 tentado a identificar esse romance como autobiogr\u00e1fico. Assim como Marli Walker, a personagem identificada como <em>Filha do Meio<\/em> nasce em Santa Catarina e migra para o Centro-Oeste do Brasil. Ambas compartilham o percurso acad\u00eamico na forma\u00e7\u00e3o em Letras e a especializa\u00e7\u00e3o em mestrado e doutorado. Ambas tamb\u00e9m compartilham a experi\u00eancia da maternidade com apenas um filho e a \u201cavoternidade\u201d com duas netinhas e um netinho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, \u00e9 importante lembrar da li\u00e7\u00e3o de Bakhtin, em <em>Est\u00e9tica da Cria\u00e7\u00e3o Verbal<\/em>, ao estabelecer essa dist\u00e2ncia entre autor e personagem, mesmo quando propositalmente o autor apresente um texto assumidamente autobiogr\u00e1fico. Tentar depreender na escrita o seu pr\u00f3prio valor, conforme afirma o cr\u00edtico russo, \u00e9 o mesmo que tentar se levantar pelos cabelos. A alteridade, portanto, torna-se elemento fundamental para colocar em suspens\u00e3o no romance qualquer possibilidade de autobiografismo. Essa suspens\u00e3o permite \u00e0 autora explorar os campos do veross\u00edmil para, das mat\u00e9rias-primas de sua experi\u00eancia ao longo da vida, ficcionalizar a vida da <em>Filha do Meio.<\/em> Se a autobiografia depende de uma identifica\u00e7\u00e3o entre autor, narrador e personagem, v\u00ea-se no in\u00edcio do romance essa n\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o, uma vez que a narrativa se inicia em terceira pessoa. Por\u00e9m, a suspeita do leitor n\u00e3o est\u00e1 completamente descartada, j\u00e1 que na dedicat\u00f3ria outra conex\u00e3o se estabelece: a obra \u00e9 dedicada \u00e0 amiga Viviane, musicista j\u00e1 falecida, tal qual a amiga pianista da protagonista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa organiza-se em tr\u00eas partes. A primeira, intitulada \u201cEm nome do Pai\u201d, abarca do cap\u00edtulo um ao quatorze. Iniciando <em>in media res<\/em><em>,<\/em> localiza a personagem central no sert\u00e3o amaz\u00f4nico em meio a chuvas torrenciais e tendo de acudir uma mulher gr\u00e1vida. O leitor consegue identificar o ambiente e as personagens presentes por meio do estado emocional da <em>Filha do Meio<\/em> que ainda n\u00e3o est\u00e1 identificada. A escolha narrativa envolve o leitor na tens\u00e3o do momento da personagem por meio da repeti\u00e7\u00e3o de palavras \u2013 recurso muito presente nessa primeira parte \u2013 e na compreens\u00e3o do ambiente por meio da percep\u00e7\u00e3o sensorial da personagem: \u201cO c\u00e9u desabava. Chovia cachoeira, catarata, dil\u00favio naquela noite, nas entranhas do sert\u00e3o, no cora\u00e7\u00e3o da grande mata. Ouviu seu nome evocado, pronunciado, sussurrado, meio chamado, meio sonho, meio urg\u00eancia. A luz tr\u00eamula do pavio da vela de cera comprimiu suas pupilas. Talvez fosse sonho, pesadelo, cansa\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A audi\u00e7\u00e3o, a vis\u00e3o, o toque da pele s\u00e3o os meios vocabulares pelos quais o leitor consegue se ambientar no espa\u00e7o da personagem. Esse primeiro par\u00e1grafo do romance sintetiza e d\u00e1 o tom da escolha narrativa pela qual o leitor conhecer\u00e1 o presente e o passado da <em>Filha do meio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 no segundo par\u00e1grafo, outro recurso \u00e9 utilizado para determinar sobretudo essa primeira parte da narrativa: a intercala\u00e7\u00e3o entre presente e passado. A voz do \u201cdono da voz\u201d dizendo-lhe da necessidade de a personagem fazer o parto a faz ouvir outra voz, em fra\u00e7\u00e3o de segundos, da religiosa que ensinara as meninas o of\u00edcio do magist\u00e9rio. Esta segunda voz se presentifica para lembr\u00e1-la de como uma mo\u00e7a de fam\u00edlia formada para o magist\u00e9rio dever\u00e1 se portar em uma situa\u00e7\u00e3o como essa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ambos os par\u00e1grafos, d\u00e3o a t\u00f4nica dessa primeira parte: a repeti\u00e7\u00e3o de palavras que arrasta a narrativa; a compreens\u00e3o do ambiente por meio dos sentidos da personagem \u2013 o que marca todo o cap\u00edtulo dois na rela\u00e7\u00e3o entre a <em>Filha do meio<\/em> e as baratas \u2013 e a intercala\u00e7\u00e3o entre passado e presente. Essa intercala\u00e7\u00e3o n\u00e3o se constr\u00f3i como um simples recurso de <em>flashbacks<\/em> que interrompe a narrativa para apresentar a personagem ou localizar o leitor em determinados acontecimentos, mais que isso, o passado \u00e9 a pr\u00f3pria narrativa nessa primeira parte do romance. Isso se evidencia pelos t\u00edtulos \u201cDo epis\u00f3dio anterior\u201d que nomeiam do cap\u00edtulo dois at\u00e9 o vinte tr\u00eas, excetuando apenas o primeiro e o \u00faltimo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A retomada do passado nessa primeira parte do romance que, aos poucos, secundariza o presente, remete o leitor \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do romance de forma\u00e7\u00e3o, o <em>bildungsroman<\/em>. Em <em>Cora\u00e7\u00e3o Madeira<\/em>, o leitor encontra o processo de amadurecimento da personagem central \u2013 a <em>Filha do Meio<\/em> \u2013 em confronto com o meio no qual foi criada e outro para o qual foi preparada desde a inf\u00e2ncia. Semelhante aos <em>bildungsroman,<\/em> aqui os dois tempos e dois espa\u00e7os, bem como o deslocamento entre eles, possibilitam o acesso do leitor ao processo de transforma\u00e7\u00e3o da personagem marcada pela imposi\u00e7\u00e3o da vontade do outro, a anula\u00e7\u00e3o emocional na primeira parte de sua trajet\u00f3ria, a crise interna e externa e, por fim, a mudan\u00e7a que marca a maturidade dessa personagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Conforme afirma o narrador no cap\u00edtulo oito, a normalista do \u00faltimo ano de magist\u00e9rio estava preparada para assumir seu papel como esposa do mo\u00e7o bonito, forte e valente para, como mulher adulta, dar continuidade ao patriarcado no qual ela fora criada. Pela tradi\u00e7\u00e3o institu\u00edda muito antes da mo\u00e7a nascer, n\u00e3o lhe era permitido cursar uma faculdade. A menina deveria seguir os passos da m\u00e3e e da av\u00f3 e tornar-se esposa de um novo \u201cdono do patriarcado\u201d que, ap\u00f3s o casamento singelo e simples, a leva para o meio da floresta amaz\u00f4nica entre \u00e1rvores vivas, \u00e1rvores mortas e muito p\u00f3 de serra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O deslocamento geogr\u00e1fico e, consequentemente, seu afastamento da fam\u00edlia e da tradi\u00e7\u00e3o patriarcal a faz acordar a voz do cora\u00e7\u00e3o cuja l\u00edngua \u201cainda n\u00e3o conhecia, n\u00e3o entedia, n\u00e3o dominava um A nem v\u00edrgula que fosse\u201d. Sua viv\u00eancia naquele outro sert\u00e3o, labutando ao lado do \u201cdono do patriarcado\u201d, aos poucos, a faz dar ouvidos para aquela voz que lhe falava em l\u00edngua morta, at\u00e9 que <a>esta<\/a> lhe diz para buscar seu caderno perdido, momento em que come\u00e7a a entender a voz do cora\u00e7\u00e3o. Esse momento de entrega a si mesma marca o t\u00e9rmino da primeira parte do romance.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A segunda parte com o t\u00edtulo \u201cEm nome da m\u00e3e\u201d englobando dos cap\u00edtulos 15 ao 23, leva o leitor ao cl\u00edmax do romance. N\u00e3o \u00e0 toa, o primeiro cap\u00edtulo dessa parte inicia-se com a voz do \u201cdono do patriarcado\u201d para a esposa: \u201cVoc\u00ea ter\u00e1 que escolher. Ou a universidade ou o casamento\u201d. Essa encruzilhada onde a <em>Filha do Meio<\/em> \u00e9 posta n\u00e3o apenas pelo dono da voz, mas por todo o sistema patriarcal no qual fora criada, estabelece a tens\u00e3o do romance e desperta no leitor a curiosidade sobre o desfecho que a protagonista ter\u00e1 diante desse entrelugar: Ser\u00e1 que em nome da fam\u00edlia, ela ceder\u00e1 aos caprichos do marido? O leitor atento j\u00e1 sabe a escolha dela pelo <em>spoiler <\/em>dado no in\u00edcio desta resenha. Mas cabe outra curiosidade: necessariamente ela ter\u00e1 de romper com o sistema patriarcal ou a encruzilhada \u00e9 apenas um blefe do marido? Escolhendo o caminho do saber formal, como se comportar\u00e1 sua m\u00e3e, seu pai, suas irm\u00e3s e irm\u00e3os? O que sobrar\u00e1 para ela de todo seu passado ap\u00f3s escolher seguir a voz de seu cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o cabe aqui tentar responder essas quest\u00f5es para n\u00e3o tirar do leitor o prazer de trilhar por essas encruzilhadas da narrativa. Somente na rela\u00e7\u00e3o com esse narrador que particulariza o percurso de forma\u00e7\u00e3o da personagem por meio da jun\u00e7\u00e3o dos acontecimentos objetivos com a vibra\u00e7\u00e3o da interioridade da <em>Filha do Meio<\/em> o leitor encontra n\u00e3o os fatos apenas, mas os motivos e os sentimentos que d\u00e3o vida e transpiram valores na hist\u00f3ria da mocinha normativa formada para ocupar o lugar ao lado do dono do patriarcado. O que se percebe \u00e9 que, nessa segunda parte, as repeti\u00e7\u00f5es diminuem e a narrativa assume um tempo mais linear sem com isso abandonar a percep\u00e7\u00e3o dos acontecimentos por meio da perspectiva dessa personagem principal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A \u00faltima parte intitulada \u201cA Filha do Meio\u201d, contendo apenas um \u00fanico cap\u00edtulo como uma esp\u00e9cie de s\u00edntese de todos os anteriores, torna-se surpreendente pela escolha estil\u00edstica da autora. A quest\u00e3o da autobiografia volta \u00e0 cena de novo, mas n\u00e3o para ser respondida. Pelo contr\u00e1rio, atualizar o tema n\u00e3o traz resposta a ele, mas o desloca para novos sentidos. De quem se trata essa hist\u00f3ria? De uma mulher em espec\u00edfico ou de muitas <em>Filhas do Meio<\/em> a enfrentarem desafios herc\u00faleos quando resolvem se tornar senhoras de seus pr\u00f3prios destinos. N\u00e3o \u00e9 uma narrativa que decepciona, mas que, pelo contr\u00e1rio, convida o leitor \u00e0 reflex\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o da mulher em pleno s\u00e9culo XXI, ao mesmo tempo que nos faz mergulhar nessas possibilidades de ressignifica\u00e7\u00e3o da autobiografia e do <em>bildungsroman.<\/em> Nas palavras da narradora: \u201cSomos imagem e semelhan\u00e7a, estrada e caminho, partida e chegada, passagem e eternidade. Juntas, pulsamos. Seguimos&#8230;\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">BALDAN, Viviane Lazarini; BARBOSA, Everton Almeida (2022). WALKER, Marli. Cora\u00e7\u00e3o Madeira. Cuiab\u00e1: Carlini &amp; Caniato, p. 160. <em>Revista Igarap\u00e9<\/em>, Porto Velho, v. 15, n. 4, p. 269-272. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.unir.br\/index.php\/igarape\/article\/view\/7113\">https:\/\/periodicos.unir.br\/index.php\/igarape\/article\/view\/7113<\/a>. Acesso em: 8 maio 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">PINTO, Luiz Renato de Souza (2020). Cora\u00e7\u00e3o Madeira: nasce um romance. <em>Mega Pop<\/em>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.megapop.com.br\/artigos\/id-595614\/cora__o_madeira__nasce_um_romance____luiz_renato_de_souza_pinto\">https:\/\/www.megapop.com.br\/artigos\/id-595614\/cora__o_madeira __ nasce_um_romance____luiz_renato_de_souza_pinto<\/a>. Acesso em: 8 maio 2023.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Iconografia<\/strong><\/p>\n\n\n<style type=\"text\/css\">\n#foogallery-gallery-3136.fg-masonry { --fg-gutter: 10px; }<\/style>\n\t\t\t<div class=\"foogallery foogallery-container foogallery-masonry foogallery-lightbox-foogallery fg-center fg-masonry fg-ready fg-transparent fg-round-small fg-shadow-small fg-loading-dots fg-loaded-slide-up fg-captions-bottom fg-hover-fade fg-hover-plus fg-col3\" id=\"foogallery-gallery-3136\" data-foogallery=\"{&quot;item&quot;:{&quot;showCaptionTitle&quot;:true,&quot;showCaptionDescription&quot;:true},&quot;lazy&quot;:true,&quot;template&quot;:{&quot;horizontalOrder&quot;:true}}\" data-foogallery-lightbox=\"{&quot;thumbs&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;thumbsCaptions&quot;:false,&quot;thumbsBestFit&quot;:false,&quot;thumbsSmall&quot;:false,&quot;thumbsCaptionsAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;info&quot;:&quot;bottom&quot;,&quot;infoVisible&quot;:true,&quot;infoOverlay&quot;:true,&quot;infoAlign&quot;:&quot;default&quot;,&quot;transition&quot;:&quot;fade&quot;,&quot;hoverButtons&quot;:false,&quot;fitMedia&quot;:false,&quot;noScrollbars&quot;:true,&quot;preserveButtonSpace&quot;:true,&quot;buttons&quot;:{&quot;fullscreen&quot;:true,&quot;info&quot;:true,&quot;thumbs&quot;:false},&quot;video&quot;:{&quot;autoPlay&quot;:true}}\" style=\"--fg-title-line-clamp: 0; --fg-description-line-clamp: 0;\" >\n\t\t<div class=\"fg-column-width\"><\/div>\n\t<div class=\"fg-gutter-width\"><\/div>\n\t\t<div class=\"fg-item fg-type-image fg-idle\"><figure class=\"fg-item-inner\"><a href=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/2024\/05\/Carlini-Caniato-2020-1.webp\" data-caption-title=\"Carlini &amp;amp; Caniato, 2020.\" data-attachment-id=\"1100\" data-e-disable-page-transition=\"true\" data-type=\"image\" class=\"fg-thumb\"><span class=\"fg-image-wrap\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" title=\"Carlini &amp; Caniato, 2020.\" width=\"250\" height=\"378\" class=\"skip-lazy fg-image\" data-src-fg=\"https:\/\/pracaclovis.com\/wp-content\/uploads\/cache\/2024\/05\/Carlini-Caniato-2020-1\/2646520074.webp\" src=\"data:image\/svg+xml,%3Csvg%20xmlns%3D%22http%3A%2F%2Fwww.w3.org%2F2000%2Fsvg%22%20width%3D%22250%22%20height%3D%22378%22%20viewBox%3D%220%200%20250%20378%22%3E%3C%2Fsvg%3E\" loading=\"eager\"><\/span><span class=\"fg-image-overlay\"><\/span><\/a><figcaption class=\"fg-caption\"><div class=\"fg-caption-inner\"><div class=\"fg-caption-title\">Carlini &amp; Caniato, 2020.<\/div><\/div><\/figcaption><\/figure><div class=\"fg-loader\"><\/div><\/div><\/div><style type=\"text\/css\">.fg-caption-title {font-family: \"Montserrat\", Sans-serif; font-size: 16px; text-align: center;}<\/style>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WALKER, Marli. 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