{"id":8224,"date":"2026-05-27T17:48:21","date_gmt":"2026-05-27T20:48:21","guid":{"rendered":"https:\/\/pracaclovis.com\/?post_type=entrevista&#038;p=8224"},"modified":"2026-06-29T12:13:28","modified_gmt":"2026-06-29T15:13:28","slug":"edla-van-steen","status":"publish","type":"entrevista","link":"https:\/\/pracaclovis.com\/?entrevista=edla-van-steen","title":{"rendered":"Edla Van Steen"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong><strong>Giovanni Ricciardi<\/strong>: <\/strong><em>Apresente a sua fam\u00edlia, por favor.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Edla Van Steen: <\/strong>Nasci em Florian\u00f3polis, Santa Catarina, no sul do Brasil, onde at\u00e9 os 15 anos era apenas uma das netas dos Wendhausen. Meu pai nasceu na B\u00e9lgica, foi c\u00f4nsul honor\u00e1rio do seu pa\u00eds em Santa Catarina e engenheiro eletr\u00f4nico. Trabalhava na instala\u00e7\u00e3o da rede telef\u00f4nica de Santa Catarina, quando se casou com minha m\u00e3e, C\u00e9lia Wendhausen, uma bonita e doce mulher. A casa em que passei os primeiros anos da inf\u00e2ncia ficava na rua Bocai\u00fava e eu me lembro bem dela e do jardim, com seus p\u00e9s de ara\u00e7\u00e1 e pitangas, da casinha de brinquedo, de madeira, que eu e minha irm\u00e3 ganhamos num natal: tinha uma sala, um quarto e m\u00f3veis e utens\u00edlios constru\u00eddos no tamanho infantil. Essa casinha \u00e9 minha imagem mais feliz da inf\u00e2ncia e deve ser a causa da minha fascina\u00e7\u00e3o, at\u00e9 hoje, por bonecas antigas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Quanto dessa viv\u00eancia est\u00e1 presente em seus escritos?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>N\u00e3o saberia precisar, realmente. As bonecas t\u00eam aparecido. Acredito que cada momento de fic\u00e7\u00e3o tem sua l\u00f3gica anterior e interior. Presumo que eu tenha nascido numa noite amena, 12 de julho de 1936, e que meus pais ficaram contentes, pois a filha (em 1937 mais uma viria para me fazer companhia) n\u00e3o apresentava os defeitos card\u00edacos do primog\u00eanito, Charles Fran\u00e7ois, que morreu com um m\u00eas de vida. Acho que j\u00e1 nos prim\u00f3rdios da forma\u00e7\u00e3o uterina experimentei o sentimento de perda desse irm\u00e3o que eu tanto gostaria de ter tido. Um sentimento que me acompanharia para sempre e que transparece na minha maneira de ver e sentir o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Como foi a rela\u00e7\u00e3o com seus pais?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Meus pais se separaram quando eu tinha uns seis anos. Minha m\u00e3e foi recome\u00e7ar sua vida em Curitiba, no Paran\u00e1, fugindo \u00e0 maledic\u00eancia catarinense. Colocou as filhas num internato e tentou superar, na pr\u00e1tica, a falta de conhecimentos profissionais. Em pouco tempo, era oficial major num Tabeli\u00e3o de Notas. Minha m\u00e3e era carinhosa e sens\u00edvel, mas tinha pouca cultura. Os \u00fanicos livros que lia eram os de Stefan Zweig. Com meu pai, perdi contato. Al\u00e9m de umas visitas que ele fez a Curitiba, em que nos vimos talvez por meia hora, no hall do Grande Hotel, s\u00f3 o conheci, de verdade, j\u00e1 mulher feita. Eu o adotei como pai e hoje somos amigos e nos queremos bem. Minha educa\u00e7\u00e3o social foi brilhante. Aprendi a fazer tric\u00f4, a bordar, cozinhar e cerzir meias em aulas de economia dom\u00e9stica, que muito me ajudaram pela vida afora. Mas minha educa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria foi nula. As freiras do col\u00e9gio eram bastante simples e despreparadas, salvo algumas honrosas exce\u00e7\u00f5es. Minha primeira manifesta\u00e7\u00e3o art\u00edstica se deu aos oito anos, quando uma professora de canto descobriu qualidades no meu timbre de voz e me fez solista do coro da capela. A m\u00fasica foi, acho, a primeira das artes a me causar emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Qual a biblioteca, as leituras de seus verdes anos?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Os primeiros livros que li, \u00e0 luz da vela, no dormit\u00f3rio do internato, eram da Cole\u00e7\u00e3o Menina-Mo\u00e7a: M. Dely e outros do g\u00eanero. Com aqueles livrinhos descobri que se podia criar emo\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s das palavras. Todos aqueles her\u00f3is e hero\u00ednas rom\u00e2nticos me comoviam muito entre os dez e doze anos de idade e me viciaram na leitura, que desde ent\u00e3o, evidentemente, foi melhorando de n\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>G.R.: <\/strong>Repassando na mem\u00f3ria esse per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o, encontra a figura de um \u201cmestre\u201d, de algu\u00e9m que lhe marcou?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>H\u00e1 pouco mais de tr\u00eas anos, jantando em casa de Wilson Figueiredo, amigo de juventude do S\u00e1bato, meu marido, dei de cara com uma mulher loura, vistosa, que me disse: quem eu sou? Evidentemente, eu n\u00e3o a reconheci, por mais que tentasse. Aquela figura n\u00e3o me dizia nada. Para ser franca, at\u00e9 me irritou por ter me colocado na dif\u00edcil situa\u00e7\u00e3o do n\u00e3o reconhecimento, por mais pistas que me desse. Finalmente ela desistiu e em alto e bom som afirmou ter sido a minha professora de portugu\u00eas, no prim\u00e1rio. Era a irm\u00e3 n\u00e3o sei das quantas, antes de largar o h\u00e1bito e se casar com aquele senhor ali presente. Fiquei com vontade de dizer que devia ter me ensinado melhor a gram\u00e1tica, mas engoli a reprova\u00e7\u00e3o. De repente percebi que ela sentia um certo orgulho de ter sido minha professora. Fazer o qu\u00ea? O meu primeiro mestre liter\u00e1rio foi um vendedor ambulante de livros que me fez comprar a obra completa de Guy de Maupassant e as <em>Maravilhas do Conto Universal<\/em>. Eu tinha 15 anos. Benjamin Steiner, conhecido <em>marchand de tableaux<\/em> de S\u00e3o Paulo, foi uma das primeiras pessoas a ler meus contos e me incentivar a continuar escrevendo, al\u00e9m de Dalton Trevisan, que me transmitiu sua paix\u00e3o pela literatura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Quando come\u00e7ou a escrever? Como nasceu a voca\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Comecei a escrever no internato. Os livrinhos \u00e1gua-com-a\u00e7\u00facar estimulavam a minha imagina\u00e7\u00e3o e eu escrevia reda\u00e7\u00f5es para mim e para minhas colegas. O curioso, impressionante que o conseguisse, \u00e9 que eu as escrevia com mudan\u00e7as de estilo, para que a farsa n\u00e3o fosse notada. O que acabou me valendo o primeiro emprego: radiofoniza\u00e7\u00e3o de cartas. Eu radiofonizava, escrevendo, e depois interpretava o papel das ouvintes que escreviam com problemas sentimentais. As cartas foram transformadas em contos, reunidos com o pretensioso t\u00edtulo de <em>Hist\u00f3rias incomuns<\/em>, que eu pretendia publicar. Infelizmente, nos anos cinquenta n\u00e3o existiam as m\u00e1quinas de xerox, e eu perdi o manuscrito, sem c\u00f3pia, num t\u00e1xi, e quem escreve sabe a dor insuport\u00e1vel que isso representa. Prometi para mim mesma nunca mais escrever fic\u00e7\u00e3o e passei a me dedicar apenas ao jornalismo. Quanto \u00e0 voca\u00e7\u00e3o, n\u00e3o sei. O que posso dizer \u00e9 que tentei v\u00e1rias formas de express\u00e3o: o teatro e o cinema, como atriz e roteirista, a publicidade e a galeria de arte. Em todas fui bem-sucedida. Especialmente no cinema: <em>Garganta do diabo <\/em>(1960), filme de Walter Hugo Khoury, me deu quatro dos mais importantes pr\u00eamios brasileiros e um internacional, no Festival de Cinema Latino-Americano, de Santa Margherita Ligure, na It\u00e1lia. Um pr\u00eamio dado e criado por Roberto Rossellini, pois no festival n\u00e3o existia, para premia\u00e7\u00e3o, a categoria interpreta\u00e7\u00e3o. Medalha de ouro enorme. Ao ganhar a medalha eu tinha 23 anos, era a primeira atriz brasileira premiada no exterior, e meu filho Ricardo ia fazer um ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>G.R.: <\/strong>Considera o seu primeiro livro publicado um sucesso, um insucesso, um marco determinante em sua vida?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong><em>Cio<\/em> saiu em 1965. Reuni\u00e3o de contos escritos esparsamente, a maioria enquanto estava gr\u00e1vida da minha filha Anna. Amigos a quem dei os originais para ler, um deles o pr\u00f3prio editor, Carlos Von Schmidt, me convenceram a public\u00e1-lo, em 1965, ano em que nasceu minha filha Lea. A imprensa me abriu excelente espa\u00e7o, a cr\u00edtica recebeu a estreia com discri\u00e7\u00e3o e o livro vendeu pouco. N\u00e3o chegou a ser um marco na minha vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Quando considera ter acabado a mocidade, o per\u00edodo de aprendizagem?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Aprendizagem? Cada dia que passa percebo que menos eu sei e que estou sempre aprendendo alguma coisa. A vida \u00e9 cheia de per\u00edodos, \u00e0s vezes curtos, outros longos. Os meus foram todos importantes e vividos integralmente. Sempre se acaba e se come\u00e7a algo, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Houve em sua vida uma encruzilhada, um acontecimento determinante?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Minha vida \u00e9 cheia de encruzilhadas e fatos determinantes. No que se refere \u00e0 literatura, houve um momento em que senti que precisava tomar, realmente, algumas decis\u00f5es. Uma delas era vender a galeria de arte que fundei e dirigia \u2013 a M\u00faltipla \u2013 para minha s\u00f3cia. Uma op\u00e7\u00e3o que me daria grande preju\u00edzo financeiro, mas que era essencial para que eu pudesse levar a cabo a op\u00e7\u00e3o de viver para aquilo que se tornou a minha paix\u00e3o mais profunda, ler e escrever.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Hoje, que \u00e9 escritora, pode viver s\u00f3 do trabalho da escrita? Precisa de outra profiss\u00e3o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>N\u00e3o, n\u00e3o posso sobreviver apenas com o que escrevo. Mas consegui s\u00f3 trabalhar em torno da literatura. Dirijo cole\u00e7\u00f5es editoriais \u2013 <em>Os melhores poemas<\/em>, <em>Os melhores contos<\/em> e <em>Hist\u00f3rias inesquec\u00edveis<\/em>, na Global Editora. Fa\u00e7o tradu\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias e teatrais. Ganho pouqu\u00edssimo, infelizmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Como \u00e9 seu processo criativo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Sou incapaz de tra\u00e7ar planos, construir uma hist\u00f3ria antes de escrev\u00ea-la, como fazem tantos escritores. Para mim, uma frase puxa a outra, uma situa\u00e7\u00e3o sugere outra, um personagem se relaciona com outro. Em <em>Mem\u00f3rias do medo<\/em> anotei, inclusive, esse processo, nos t\u00edtulos e nos finais dos cap\u00edtulos. A imagem de uma figura \u00e0 janela, ou um caso contado numa reuni\u00e3o de amigos pode ser o ponto de partida de um conto ou de um romance. S\u00e1bato, meu marido, me contou um dia a hist\u00f3ria do pai da atriz espanhola N\u00faria Espert, que jurou n\u00e3o cortar as unhas enquanto Franco fosse ditador da Espanha. A promessa me impressionou. O que aconteceria \u00e0s unhas se uma pessoa n\u00e3o mais as cortasse? Dra. Iraci, minha dermatologista, me mostrou, num livro, as garras duras em que se transformariam. Tempos depois, a hist\u00f3ria me surgiu, transmutada. N\u00e3o sei porque, o cen\u00e1rio que me ocorreu para escrev\u00ea-la foi o da cidade e da casa em que passei os primeiros anos da inf\u00e2ncia, aquela, da rua Bocai\u00fava, em Florian\u00f3polis. O conto se chama \u201cA promessa\u201d. No conto \u201cAt\u00e9 sempre\u201d<em>,<\/em> abordei um caso que me fascinou durante anos, do irm\u00e3o de um amigo que vivia, ao mesmo tempo, com duas irm\u00e3s. Muitas vezes eu j\u00e1 tentara sentir esses tr\u00eas personagens e desistia, a meio do caminho. Era dif\u00edcil imaginar como aqueles tr\u00eas dividiriam uma casa, como resolveriam problemas normais, de ordem sentimental. Acho que fiquei com esse tema suspenso, dentro de mim, pelo menos uns dez anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Qual a sua rela\u00e7\u00e3o com a escrita, com a palavra, com o estilo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Escrevo a l\u00e1pis, modificando as palavras no momento exato em que foram rabiscadas, substituindo imediatamente umas por outras. Al\u00e9m disso, fa\u00e7o mais de tr\u00eas vers\u00f5es \u00e0 m\u00e3o. Um h\u00e1bito que adquiri quando meus filhos eram pequenos e eu n\u00e3o queria acord\u00e1-los, com o barulho da m\u00e1quina. Escrever manualmente me proporciona tempo para pensar, quer dizer, para selecionar os pensamentos. Aquilo que jorra de mim, emocionalmente, vem sempre mal feito, mal acabado. E preciso refazer e organizar as ideias, encontrar o ritmo para o que quero contar. Esse processo de domar a emo\u00e7\u00e3o, de encontrar a express\u00e3o certa, de limpar o texto (dos lugares-comuns e das repeti\u00e7\u00f5es de palavras que tanto empobrecem a narrativa) toma muito tempo, d\u00e1 enorme trabalho, mas \u00e9, para mim, a melhor fase de escrever.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Por que escreve?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Depois de ter tentado as v\u00e1rias formas de express\u00e3o, escrever foi a mais constante, aquela que nunca deixei totalmente, ou melhor, \u00e0 qual sempre voltei. Hoje, sou grafoman\u00edaca. Minha fantasia se manifesta apenas em palavras. \u00c0s vezes penso que se algu\u00e9m contasse as minhas hist\u00f3rias, ou tivesse os meus personagens, eu talvez n\u00e3o escrevesse. Mas n\u00e3o sei.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>G.R.: <\/strong>Em seu espec\u00edfico trabalho criador prevalece a interrup\u00e7\u00e3o ou a continuidade? Atravessa per\u00edodos de crise? Com que as identificaria?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Moro em S\u00e3o Paulo, como sabe, e respondo seu question\u00e1rio em Paris, pois S\u00e1bato est\u00e1 lecionando, pelo segundo ano letivo, como Professor Associado, na Sorbonne Nouvelle \u2013 Universidade de Paris III. Devemos ficar aqui at\u00e9 junho. Pois bem. N\u00e3o consegui produzir nada de pessoal fora de casa. N\u00e3o por falta de tentar. A mudan\u00e7a de cen\u00e1rio \u2013 h\u00e1 tantos anos escrevo no meu quarto, na minha mesa \u2013, ou a quantidade de informa\u00e7\u00f5es culturais, sabe l\u00e1 Deus a causa, me bloquearam. Compensei a crise criativa fazendo, no primeiro ano, 1985, uma adapta\u00e7\u00e3o de <em>O<\/em> <em>estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde<\/em>, do Stevenson, para jovens, com o aux\u00edlio de Eduardo Brand\u00e3o, que na \u00e9poca morava em Paris. Em 1986, fiz a tradu\u00e7\u00e3o e a adapta\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a <em>Solness, o<\/em> <em>arquiteto-construtor<\/em>, de Ibsen, por encomenda do grupo Tapa, do Rio; e agora, em 1987, traduzi <em>O<\/em> <em>encontro de Descartes com Pascal<\/em>, de Jean Claude Brisville, a pedido do ator \u00cdtalo Rossi, que vai mont\u00e1-la. Apesar da crise de cria\u00e7\u00e3o, estou certa de que n\u00e3o posso mais n\u00e3o escrever, seja o que for. Tenho medo, inclusive, de que a falta de exerc\u00edcio enferruje minha capacidade de reflex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>H\u00e1 momentos ou lugares felizes ou ideais para escrever?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Eu diria que sim. Um momento feliz, para mim, pode ser aquele em que encontro o ritmo para prosseguir contando uma hist\u00f3ria. Ou quando descubro um personagem. Poucas vezes me coloco como protagonista, mas estou cheia de lembran\u00e7as dos outros. Lembran\u00e7as que incorporo como se fossem minhas e que depois transformo, transmudo, transfiro. Mem\u00f3rias do que n\u00e3o fiz ou n\u00e3o vivi e que, no entanto, me v\u00eam \u00e0 tona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>O que acontece quando escreve?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Acho que ao escrever entro numa esp\u00e9cie de transe. Deixo a imagina\u00e7\u00e3o solta. Ou seria a mem\u00f3ria? \u00c9 preciso n\u00e3o ter medo da imagina\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, ao reler um texto antigo, levo verdadeiros sustos: eu escrevi isso? O exerc\u00edcio da fantasia \u00e9 a grande surpresa, a minha grande frui\u00e7\u00e3o ao escrever. Para mim, cada personagem deve ter sua sintaxe. N\u00e3o a marca do escritor, mas a sua pr\u00f3pria maneira de ser. Por isso escrevo cada conto com uma linguagem diferente. N\u00e3o me preocupo em ter um estilo. Prefiro encontrar o estilo do personagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Houve algum acontecimento gratificante ou de grande frustra\u00e7\u00e3o, na sua carreira?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>O diretor de teatro Silnei Siqueira me telefonou, um dia, perguntando por que eu n\u00e3o escrevia uma pe\u00e7a de teatro, pois ele achava, ao ler <em>Cora\u00e7\u00f5es mordidos <\/em>(1983), que eu levava jeito. A ideia me pareceu fascinante. Assistindo a pelo menos cem espect\u00e1culos por ano, eu poderia, quem sabe. Eu havia passado pela terr\u00edvel experi\u00eancia de ter que operar o cora\u00e7\u00e3o, me puseram duas pontes de safena, e havia entregue <em>Cora\u00e7\u00f5es mordidos<\/em> para o editor (que ironia!) e estava naquela fase de renova\u00e7\u00e3o mental e f\u00edsica. Por que n\u00e3o? \u2013 pensei. Eu j\u00e1 havia tentado escrever uma pe\u00e7a, vinte anos antes, por encomenda de Martim Gon\u00e7alves&#8230; Fiz a primeira vers\u00e3o de <em>O \u00faltimo encontro<\/em>, que chamei inicialmente de <em>Acerto de contas<\/em>, e fui correndo, toda contente, mostrar para o S\u00e1bato, afinal, o cr\u00edtico de teatro ali, \u00e0 m\u00e3o. Uma tristeza. Ele simplesmente me disse que eu tinha feito um conto falado e n\u00e3o uma pe\u00e7a. Fiquei t\u00e3o decepcionada. Mas o meu lado germ\u00e2nico \u00e9 forte, n\u00e3o desisto facilmente das coisas e recomecei tudo de novo, meses depois. E voltei a dar a ele para ler. Temos um jardim em casa. Enquanto ele lia, na sala, fui remexer a terra, plantar umas sementes. Quando apareci, imunda, fingindo indiferen\u00e7a, ouvi a frase que me deu, talvez, uma das minhas maiores alegrias. Ele havia gostado, finalmente, da pe\u00e7a. E eu descobria uma nova forma de express\u00e3o: a dramaturgia. Frustra\u00e7\u00f5es? Tenho v\u00e1rias. Uma delas \u00e9 nunca ter conseguido escrever sobre uma imagem que me persegue h\u00e1 anos: um homem que vive sozinho, \u00e0 beira de uma estrada. Um ermit\u00e3o. Sei que tem uma biblioteca seleta, que \u00e9 um homem refinado, que n\u00e3o deve possuir rel\u00f3gio \u2013 para qu\u00ea? \u2013 e que prepara a pr\u00f3pria comida. Ele se esconde de algo, mas ainda n\u00e3o descobri o que seja.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Onde encontra est\u00edmulos e pretextos para escrever?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Vou responder com uma afirma\u00e7\u00e3o talvez pretensiosa: os est\u00edmulos e pretextos est\u00e3o dentro de mim. Andei algum tempo em crise com a minha literatura, sempre tive tanta dificuldade para escrever, todas aquelas vers\u00f5es intermin\u00e1veis, que me deformaram a coluna e me provocaram uma rinite al\u00e9rgica a papel, sem cura. Para qu\u00ea, afinal de contas? Me ocorreu a ideia de conversar com outros autores a respeito. Leitora ass\u00eddua da literatura brasileira contempor\u00e2nea \u2013 mod\u00e9stia \u00e0 parte, poucas pessoas leram tanto os nossos autores atuais como eu \u2013, resolvi entrevist\u00e1-los para publica\u00e7\u00e3o em livro, como a s\u00e9rie <em>Writers at work<\/em>, publicada pela Viking Press. Fiz 42 entrevistas, das cem programadas, e 36 foram publicadas nos volumes I e II de <em>Viver &amp;<\/em> <em>Escrever<\/em>. Ao conversar com os outros escritores fui me distanciando das dificuldades pessoais e, sem sentir, foi nascendo <em>Cora\u00e7\u00f5es mordidos<\/em>, um romance de fragmentos, constru\u00eddo em cima das minhas perplexidades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>E<\/em>s<em>creve regularmente ou \u00e9 possu\u00edda por um \u00eaxtase ou improvisos?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Me sento \u00e0 mesa de trabalho diariamente, tenha ou n\u00e3o alguma coisa importante para escrever. Arrumo pap\u00e9is, escrevo cartas, ou melhor, bilhetes \u2013 tenho horror \u00e0s cartas liter\u00e1rias \u2013, prefiro a comunica\u00e7\u00e3o pessoal com os amigos queridos de quem sinto falta. \u00c0s vezes, s\u00f3 porque a gente est\u00e1 ali, sentada, acontece a surpresa de uma ideia atraente e ent\u00e3o&#8230; Bem, n\u00e3o se pode parar, sob risco de perda da emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Qual o papel que o imprevisto desempenha em seu trabalho criador?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>O imprevisto? Mas se \u00e9 o meu ponto de partida, n\u00e3o saber jamais o que vai acontecer. Em \u201cAt\u00e9 sempre\u201d, por exemplo, eu pensava apenas em contar a hist\u00f3ria do sujeito que vivia ao mesmo tempo com duas irm\u00e3s. At\u00e9 hoje n\u00e3o tenho explica\u00e7\u00f5es para o fato de que, ao come\u00e7ar a hist\u00f3ria, o cen\u00e1rio que me brotou, inconscientemente, foi o da casa da minha av\u00f3, onde eu passava as f\u00e9rias colegiais. \u00c0 medida que eu ia escrevendo, recome\u00e7ava tudo de novo, a mem\u00f3ria atropelando a raz\u00e3o. Finalmente a casa se imp\u00f4s, cheia de segredos, e o trio principal passou para segundo plano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Existe para voc\u00ea o prazer de escrever?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Claro. O prazer de aceitar minha imagina\u00e7\u00e3o, de descobrir do que ela \u00e9 capaz. O trabalho em cima do texto escrito, aquele de selecionar, limpar, mudar, melhorar a frase, encontrar a palavra certa, o adjetivo preciso, esse, bem, \u00e9 extremamente angustiante. N\u00e3o consigo ler, por isso, meus livros, quando saem. Eu reescreveria, indefinidamente, tudo outra vez. S\u00f3 depois de alguns anos, se pensar na possibilidade de uma reedi\u00e7\u00e3o, ou quando me pedem algum conto para antologias etc.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Qual \u00e9 o livro dos outros que gostaria de ter escrito?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>S\u00e3o tantos os livros. Uma das minhas paix\u00f5es liter\u00e1rias \u00e9 Katherine Mansfield. Outra: Clarice Lispector.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Como se sente na atual literatura brasileira?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Uma privilegiada. A minha \u00e9poca tem grandes e not\u00e1veis escritores. Conviver com essa gente \u00e9 um pr\u00eamio que eu talvez nem merecesse.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>O<\/em> <em>que pensa, realmente, dessa literatura?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Olhando o panorama mundial, eu diria que a nossa literatura \u00e9 uma das mais criativas e instigantes do momento. Lamento que seja t\u00e3o pouco lida no exterior.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Qual o futuro dessa literatura?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>N\u00e3o fa\u00e7o ideia. O futuro \u00e9 daqui a pouco. Amanh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.:<\/strong><em>A vida cotidiana interfere no seu trabalho de escritora?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Naturalmente que sim. Mas n\u00e3o tem a menor import\u00e2ncia. Eu diria at\u00e9 que os problemas dom\u00e9sticos descansam a minha cabe\u00e7a. Gosto de cozinhar, perco longas horas na cozinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>O fato de escrever a ajudou a descobrir-se como mulher?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>N\u00e3o s\u00f3 a me descobrir como mulher, mas a me revelar todo o meu lado masculino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Lamenta a falta de um modelo, de um mestre no seu per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>J\u00e1 falamos nisso, um pouco. Em todo caso, lamento sim. Perderia menos tempo, depois, recuperando o tempo perdido. Mas sou o que sou, apesar das defici\u00eancias, ou por causa delas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Existe no Brasil uma escrita, enquanto texto, feminina?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>O que posso dizer a esse respeito \u00e9 que existem no Brasil excelentes escritoras e dramaturgas mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Como conseguiu publicar seu primeiro livro?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Mostrando o texto ao amigo editor que come\u00e7ava, como eu. Comprei exemplares da edi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o me lembro quantos, para ajud\u00e1-lo, e doei a bibliotecas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Mudou de editora? Por qu\u00ea?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>V\u00e1rias vezes. Algumas editoras s\u00f3 querem romances, n\u00e3o aceitam publicar contos. Outras, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o fazem quest\u00e3o. Depende da oportunidade. Sou amiga de todos os meus editores. Cada livro \u00e9 um caso e merece um tratamento especial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>G.R.: <\/strong>Algum editor lhe prop\u00f4s que escrevesse com exclusividade para ele e com sal\u00e1rio fixo? O que acha da ideia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Nunca recebi proposta do g\u00eanero. J\u00e1 escrevi, isso sim, por encomenda, recebendo direitos autorais adiantadamente. Acho que eu n\u00e3o gostaria de escrever recebendo sal\u00e1rio. Adiantamento de direitos autorais, sim, mas sal\u00e1rio&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Quando escreve pensa na cr\u00edtica, nos leitores, no editor?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Penso no leitor. Quero sempre me expressar da maneira mais clara poss\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Discute com o editor, aceita conselhos, cortes, sabendo que o editor conhece o mercado?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>At\u00e9 hoje, como autora, n\u00e3o tive nenhuma situa\u00e7\u00e3o parecida. Na qualidade de diretora de cole\u00e7\u00f5es, discuto muito com os autores dos pref\u00e1cios, antes que sejam feitos. Depois, n\u00e3o. Respeito os textos enviados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>Acredita que a publicidade seja importante para o lan\u00e7amento e o sucesso comercial do livro?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Infelizmente, no Brasil, ou em qualquer lugar do mundo, no momento da sa\u00edda do livro, a publicidade \u00e9 indispens\u00e1vel. A imprensa tem que noticiar, resenhar o novo t\u00edtulo, sen\u00e3o ningu\u00e9m fica sabendo que ele existe, e o editor ter\u00e1 enorme preju\u00edzo. A publicidade n\u00e3o tem nada a ver com a qualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>G.R.: <\/strong>Participa do lan\u00e7amento de seus livros, comparecendo a noites de aut\u00f3grafos, entrevistas, palestras? Acha importante se autopromover?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Fa\u00e7o tudo o que \u00e9 necess\u00e1rio, n\u00e3o para me promover, mas para divulgar o livro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>G.R.: <\/strong>Quando escreve percebe autocensuras, temores em se revelar, la\u00e7os afetivos, impedimentos?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>\u00c0s vezes. O que \u00e9 facilmente resolvido atrav\u00e9s dos personagens.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>G.R.: <\/strong><em>O sucesso de uma obra depende de qu\u00ea? De quem?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Mist\u00e9rio. Quem sabe a receita?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>G.R.: <\/strong>Fa\u00e7a de conta que n\u00e3o disse nada at\u00e9 agora. Poderia tra\u00e7ar o seu perfil humano e profissional para os leitores?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>E.V.S.: <\/strong>Isso \u00e9 muito dif\u00edcil. Seria melhor que outra pessoa o fizesse. O que posso dizer \u00e9 que sou um ser que vive coletivamente. Um dos meus grandes prazeres \u00e9 reunir os amigos em casa, para jantar, conversar fiado. Por isso tenho sempre a casa cheia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Para saber mais<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">KREMER, Natan Schmitz; VAZ, Alexandre Fernandez (2023). Edla Van Steen e as imagens de Florian\u00f3polis na ditadura. <em>Literatura e Autoritarismo<\/em>, Santa Maria, n. 41, p. 1-19. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufsm.br\/LA\/article\/view\/70437\">https:\/\/periodicos.ufsm.br\/LA\/article\/view\/70437<\/a>. Acesso em: 17 jan. 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">* Apresenta\u00e7\u00e3o da autora feita por Giovanni Ricciardi na obra <em>O escritor corporal. Uma sociologia para a literatura,<\/em> Foz do Igua\u00e7u: EdUnila, 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">** Ela foi previamente publicada na obra <em>Biografia e cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Vol.VII: entrevistas escritores do sul do Brasil<\/em>,Palho\u00e7a: Ed. Unisul, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"featured_media":8225,"template":"","meta":{"_acf_changed":true},"categories":[538,586,555],"estado":[132],"autoria":[250,248],"class_list":["post-8224","entrevista","type-entrevista","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category-contos","category-entrevistas","category-romance","estado-santa-catarina","autoria-autoriabranca","autoria-autoriafeminina"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/entrevista\/8224","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/entrevista"}],"about":[{"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/entrevista"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8225"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8224"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8224"},{"taxonomy":"estado","embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Festado&post=8224"},{"taxonomy":"autoria","embeddable":true,"href":"https:\/\/pracaclovis.com\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fautoria&post=8224"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}